13/09/2026

QUEM DIRIA? XANDÃO, O X9 DO SUPREMO!

As digitais de Moraes nos vazamentos para Vorcaro

Revelações obtidas com exclusividade por Oeste apontam o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como provável fonte de informações sigilosas recebidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro antes da Operação Compliance Zero.

Nos dias que antecederam sua prisão, o então dono do Banco Master demonstrou saber onde tramitava a investigação, mencionou o juiz responsável pelo caso, Ricardo Augusto Soares Leite, e consultou Moraes pelo WhatsApp sobre possíveis medidas cautelares.

As respostas do ministro não foram recuperadas porque os dois usavam o recurso de visualização única. Contudo, as mensagens enviadas por Vorcaro sugerem que o banqueiro recebia informações sobre o andamento do inquérito e sobre as diligências preparadas pela Polícia Federal (PF).
Defesa de Vorcaro entra em cena

Um plano de voo obtido por Oeste mostra que, em 17 de novembro, uma aeronave partiria do Aeroporto de Congonhas (CGH), em São Paulo, com destino a Brasília (BSB), para transportar os advogados do banqueiro. Eles tentariam despachar com o juiz responsável pelo inquérito, a fim de obter acesso aos autos e evitar medidas cautelares contra o Master.

Na tentativa de localizar o inquérito, os advogados entraram em contato com a 10ª Vara Federal Criminal de Brasília e receberam a orientação de enviar a petição por e-mail. O documento pedia acesso à investigação e oferecia a colaboração do Master e dos dirigentes do banco.

A petição foi assinada por Walfrido Warde, Pierpaolo Bottini, Roberto Podval e Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União no governo Jair Bolsonaro. Os advogados sustentaram que uma intervenção poderia causar impacto sobre o Master e comprometer as negociações em andamento. Alegaram também que o Banco Central (BC) não havia identificado irregularidades nas operações nem nas demonstrações financeiras do Master. Quando a defesa encaminhou a petição, a prisão preventiva de Vorcaro já havia sido decretada. Ricardo Leite assinou a ordem às 15h29. O documento chegou ao e-mail da vara às 15h47, 18 minutos depois.

A PF passou a examinar a coincidência entre a assinatura da ordem de prisão e o envio da petição como indício de que Vorcaro recebera informações antecipadas.

Documentos obtidos por Oeste mostram que a defesa ainda não conhecia o número do inquérito nem tinha confirmação de que o procedimento tramitava na 10ª Vara Federal de Brasília. Às 11h08 de 17 de novembro, o site O Bastidor informou que o juízo investigava uma possível fraude bilionária relacionada à tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Com base nessa reportagem, os advogados encaminharam uma petição ao e-mail da 10ª Vara para tentar localizar o inquérito e obter acesso aos autos.
Os diálogos entre Moraes e Vorcaro

As mensagens recuperadas pela PF mostram que Vorcaro procurava Moraes desde pelo menos 4 de novembro. Naquela data, o banqueiro perguntou que tipo de medida poderia ser adotada no inquérito e quis saber se haveria uma busca ou quebra de sigilo. Na conversa, o banqueiro alertou para as consequências de uma operação sobre o Master. “Vai tudo por água abaixo”, escreveu. Às 19h09, informou que permaneceria acordado à espera de novidades. Mais tarde, às 20h45, pediu que Moraes verificasse se conseguiria “bloquear toda maldade”. Vorcaro afirmou que uma medida drástica poderia quebrar o Master de forma irreversível.

Em 6 de novembro, o banqueiro voltou a pedir informações. Perguntou como estava a situação, se o ministro havia conseguido “bloquear a maldade”, se o caso tramitava em Brasília, qual era o tema investigado e se seria necessário adotar alguma providência jurídica urgente. Na conversa, Vorcaro contou que o advogado Pierpaolo Cruz Bottini, um dos responsáveis pela defesa, havia apresentado um pedido para tentar localizar o inquérito e encaminhá-lo à vara responsável. De acordo com o banqueiro, Bottini temia que uma petição sem justificativa pudesse acelerar alguma medida. Em seguida, Vorcaro pediu a opinião de Moraes sobre a estratégia jurídica.

Em 7 de novembro, Vorcaro disse a Moraes que temia o impacto de uma ação da PF sobre os negócios do banco. “Amanhã, vamos ver se conseguimos puxar do lado de cá”, escreveu.



“Segunda já tenho que estar fora?”

A troca de mensagens se intensificou à medida que a prisão se aproximava. Em 15 de novembro, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Depois de receber uma mensagem do ministro cujo conteúdo não foi recuperado, o banqueiro respondeu: “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo”.

Na mesma conversa, Vorcaro perguntou se o inquérito estava com o juiz Ricardo Leite e se o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sabia da investigação. Ainda quis saber se Moraes poderia “fazer alguma coisa”. Naquela semana, Vorcaro preparava o anúncio da venda do Master.

Em 16 de novembro, o banqueiro perguntou ao ministro se havia possibilidade de alguma medida ser cumprida na manhã do dia seguinte. A ordem de prisão ainda não havia sido assinada por Ricardo Leite.

Na manhã de 17 de novembro, Vorcaro manteve contato com Moraes. Às 7h19, informou que tentava antecipar a entrada de investidores no Master e que poderia assinar e anunciar parte da operação de venda naquele mesmo dia. Relatou ainda que informações sobre a investigação começavam a circular, embora ainda sem detalhes.

Prisão no aeroporto

A prisão seria cumprida inicialmente na manhã de 18 de novembro. A PF antecipou a operação ao suspeitar que Vorcaro poderia deixar o país.

Na tarde de 17 de novembro, das 13h30 às 14h10, Vorcaro participou de uma videoconferência com representantes do BC. Estavam na reunião Aílton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização, e Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Vorcaro informou aos dois que buscava uma solução de mercado para o Master e viajaria a Dubai para encontrar investidores. O Banco Central confirmou que recebeu a informação verbalmente. A videoconferência não foi gravada.

Por volta das 22h, o banqueiro foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Preparava-se para embarcar em um jato particular com destino a Dubai e escala em Malta.

Para a PF, a viagem reforçou a suspeita de fuga. Vorcaro negou essa versão. Ele afirmou que iria a Dubai para concluir as negociações com os investidores estrangeiros e que havia viajado uma semana antes para tratar com o mesmo grupo.

Em 18 de novembro, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master, ao citar a grave crise de liquidez, o comprometimento significativo da situação econômico-financeira e as graves violações das normas do Sistema Financeiro Nacional.

Vorcaro foi solto em 29 de novembro de 2025.

O depoimento à Polícia Federal

O banqueiro prestou depoimento à PF em 30 de dezembro de 2025. A delegada Janaína Palazzo questionou como os advogados haviam apresentado uma petição à vara correta no mesmo dia em que a prisão foi decretada.

A delegada perguntou se o banqueiro recebera antecipadamente informações sobre o local de tramitação do processo. Vorcaro respondeu que a defesa havia apresentado pedidos semelhantes em outros locais depois da publicação de notícias sobre o inquérito.

Indagado sobre eventual acesso a documentos sigilosos, Vorcaro afirmou que não se recordava. Ele admitiu a possibilidade de ter recebido informações de um repórter, embora tenha dito não se lembrar.

Os desdobramentos do escândalo

Também em dezembro, o caso chegou ao STF por determinação do ministro Dias Toffoli, depois da descoberta de transações imobiliárias entre o banqueiro e o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem foro por prerrogativa de função.

Toffoli deixou posteriormente a relatoria. A saída ocorreu depois da divulgação de negócios envolvendo o Tayayá Resort, empreendimento ligado à família do ministro, e pessoas ou fundos relacionados ao entorno de Vorcaro.

O ministro André Mendonça assumiu o caso e determinou a segunda prisão de Vorcaro. A PF prendeu novamente o banqueiro em 4 de março de 2026. Duas propostas de colaboração premiada apresentadas por Vorcaro foram rejeitadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República. Ele busca uma terceira oportunidade para negociar um acordo.

revistaoeste

NA CHURRASQUEIRA DE NOGUEIRA ALGUNS NOMES DA 'BAGACEIRA'

PF achou lista de nomes e valores na churrasqueira de Nogueira


Documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) durante a quinta fase da Operação Compliance Zero revelaram uma lista com nomes de parlamentares acompanhados de anotações numéricas e valores monetários dentro da churrasqueira do senador Ciro Nogueira (PP).

As apurações, integradas ao conjunto de inquéritos sobre lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro relacionados ao Banco Master, vieram a público após a derrubada do sigilo dos autos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo os investigadores apontam que houve uma orientação do senador para o descarte do material por meio de queima, mas a instrução que não chegou a ser cumprida por uma funcionária da residência.

Os papéis incluíam menções a figuras políticas da Câmara dos Deputados sob a indicação do termo “Câmara”, junto de nomes identificados preliminarmente como Arthur Lira (PP-AL), Hugo Motta (Republicanos-PB), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

A PF afirma que os valores anotados ao lado dos identificados ainda precisam ser esclarecidos no decorrer da investigação.

SESSÃO SOBRE JULGAMENTO DE MORAES SERÁ AO VIVO - CONFIRMADO PELO STF

STF confirma transmissão ao vivo de sessão sobre Moraes

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou neste sábado (12) que a TV Justiça transmitirá ao vivo a sessão extraordinária marcada para a próxima terça-feira (15). O encontro vai analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A transmissão dos julgamentos é uma prática adotada pela Corte. A sessão, porém, foi alvo de pressão para que ocorresse de forma fechada. O presidente do STF, Edson Fachin, decidiu manter a transmissão pública.

Os ministros estarão juntos para analisarem o relatório da Polícia Federal (PF) que apontou mais de 50 mensagens do ex-dono do Banco Master a Moraes. A sessão terá início às 10h.

Ainda neste sábado, Fachin rejeitou um pedido de Moraes para que a conduta do ministro André Mendonça fosse analisada junto com a dele. Segundo o presidente da Corte, os casos possuem diferenças que exigem análise separada.

– Os processos têm “contornos e objetos bem delineados”, que devem ser analisados em processos próprios – afirmou Fachin.

12/09/2026

CEARÁ-MIRIM: NA ÓTICA DINIZ COMPROU ÓCULOS DE GRAU GANHOU RELÓGIO

Comprou, ganhou!



Regulamento

RESUMO DE NOTÍCIAS

Resumo

*A defesa do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) fez pedidos ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse” fosse transferida do ministro Flávio Dino para André Mendonça. A defesa diz que houve erro na distribuição do caso para Flávio Dino, que ficou com a investigação por sua relação com emendas parlamentares, suspeita também levantada no financiamento do filme. A defesa afirma também que a distribuição para Dino criou uma espécie “prevenção artificial”, já que a relação entre os processos seria apenas indireta, não havendo conexões suficientes para justificar que Dino seja o relator da investigação. Vale lembrar que Flávio Dino foi indicado ao cargo de ministro do STF pelo presidente Lula, enquanto Mendonça foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Ambos trabalharam como ministros dos respectivos governos antes de chegar aos cargos de ministros da Suprema Corte.


*Senadores criticam o que consideram um “silêncio” do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), diante da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal e o caso Banco Master. Enquanto Alcolumbre evita levar o tema ao plenário, parlamentares da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) preparam requerimentos para ouvir autoridades. “Há um silêncio do Alcolumbre e o Senado está fechado até para discursos”, afirmou o senador Eduardo Girão (Novo-CE). “A quem interessa o Senado calado nesse momento? Só ao Alcolumbre”, acrescentou. A CCAI deve analisar no início da semana a convocação do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o convite ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Os requerimentos foram preparados pelo senador Esperidião Amin (PP). A ideia dos senadores é pedir que o ministro da Justiça preste esclarecimentos sobre o afastamento e a posterior recondução de Andrei ao comando da PF. Já o diretor-geral deverá ser ouvido sobre a produção de relatórios de inteligência usados pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra André Mendonça. A movimentação ocorre em um contexto de pressão feita por congressistas para a abertura de um processo de impeachment contra Moraes após a divulgação de mensagens trocadas entre o ministro e Daniel Vorcaro. Alcolumbre já declarou ser contrário à iniciativa neste momento.


*Em campanha pelo Norte Fluminense, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproveitou neste sábado (12) a abertura das investigações contra ele para desafiar o Supremo Tribunal Federal (STF) a fazer o mesmo com os processos que alcançam Lula (PT), seu filho Fábio Luís, o Lulinha, e integrantes do governo. Flávio afirmou que está sendo investigado há dois meses e que nada foi encontrado capaz de sustentar as acusações usadas pelos petistas contra sua candidatura à Presidência. “Graças a Deus, o sigilo foi afastado de tudo e está às claras para todo mundo ver”, disse. “O que surgiu contra mim? Nada. Esse é o maior atestado de idoneidade.” Flávio também cobrou a divulgação das investigações sobre as relações de Lula, Fernando Haddad e Gabriel Galípolo com Daniel Vorcaro e o Banco Master. O senador citou uma reunião de Lula com Vorcaro, Augusto Lima, Haddad e Galípolo para tratar do futuro do banco após a troca no comando do Banco Central. “A contrapartida dada ao Banco Master quem tem que explicar é o Lula”, disparou. o candidato também exigiu acesso às investigações sobre o roubo bilionário de aposentados e pensionistas do INSS: “Quanto do dinheiro roubado foi parar na conta do filho do Lula, o Lulinha?”.


*A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos está dificultando a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado transnacional. Segundo informações do jornal ‘The New York Times’, o Departamento de Estado dos EUA reteve os vistos de dois agentes da Polícia Federal que deveriam trabalhar em Miami e Nova York com a Homeland Security Investigations e outras agências americanas. Em resposta, o Brasil também bloqueou o visto de um agente americano que seria enviado ao país. A reportagem afirma que os impasses ocorrem em meio ao desgaste das relações bilaterais e à aparente disposição do governo Donald Trump de apoiar Flávio Bolsonaro (PL), candidato de direita que disputa a Presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro. O jornal também relata que os Estados Unidos recusaram um pedido de visita de quase uma dúzia de agentes da Receita Federal brasileira envolvidos em investigações sobre lavagem de dinheiro e contrabando de armas. A justificativa apresentada foi uma agenda cheia até novembro. Segundo o jornal, os dois agentes da PF já haviam sido selecionados e avaliados por autoridades dos dois países no início do ano. Um deles substituiria Marcelo Ivo de Carvalho, expulso dos Estados Unidos em abril e acusado pelo governo Trump de ser alvo de uma “caça às bruxas política” por seu papel na prisão de um ex-chefe da inteligência brasileira. A expulsão levou o Brasil a revogar as credenciais de um agente americano que trabalhava em Brasília. Agora, de acordo com autoridades brasileiras, o país condiciona a concessão do visto ao substituto desse agente à liberação dos vistos dos policiais brasileiros. As negociações entre os dois governos continuam.


*Morreu aos 80 anos Paulo Angioni, executivo de futebol com passagens por diferentes clubes brasileiros ao longo de quatro décadas dedicadas ao futebol. O dirigente estava no Fluminense, seu time do coração. Angioni tratava um câncer no pâncreas desde o início de setembro. Ele estava no tricolor das Laranjeiras desde 2018, para sua quarta passagem, e foi um dos responsáveis pelas maiores conquistas do clube, como a Libertadores e a Recopa. Angioni iniciou a carreira no início dos anos 1980, quando deixou o clube Municipal, na Tijuca, para trabalhar no Vasco, onde permaneceu por 14 anos. Ao longo da carreira, passou por alguns dos principais clubes do país, entre eles Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Bahia, Olaria e Fluminense. Também trabalhou na CBF e foi supervisor da Seleção Brasileira em 1989 e 1990. O Fluminense, seu último clube, divulgou nota de pesar após a morte do dirigente: “O Fluminense FC comunica o falecimento do tricolor e diretor executivo de futebol, Paulo Sérgio Scudiere Angioni, aos 80 anos, na madrugada de hoje, no Rio de Janeiro. Em sua carreira, uma das mais longevas e bem-sucedidas do futebol brasileiro, foi pioneiro na função de diretor executivo no Brasil. Com passagem pela Seleção Brasileira e outros grandes clubes, ele reuniu inúmeras conquistas esportivas e se destacou, fundamentalmente, pela coleção de amigos que acumulou ao longo de sua trajetória. À frente do departamento de futebol do Fluminense nesta quarta passagem pelo clube, a partir de 2018, foi um dos principais responsáveis pela conquista dos títulos da Taça Rio de 2020, Taça Guanabara de 2022, 2023 e 2026, Campeonato Carioca de 2022 e 2023, Conmebol Libertadores e Recopa. Títulos que ajudaram o clube a retomar seu protagonismo e se destacar no cenário mundial recente. Sua contribuição à formação dos jovens será lembrada por muitos e suas lições permanecerão entre nós como exemplo de vida, compaixão e solidariedade. À sua família e amigos, nossos sentimentos mais elevados.”

DURANTE SHOW DE JOSÉ AUGUSTO NA FINECAP PREFEITA DE PAU DOS FERROS PEDE NAMORADA EM CASAMENTO

Prefeita de Pau dos Ferros pede namorada em casamento durante show de José Augusto na Finecap




Um pedido de casamento marcou a noite da Finecap (Feira Intermunicipal de Educação, Cultura, Turismo e Negócios do Alto Oeste Potiguar), em Pau dos Ferros. 

A prefeita da cidade Marianna Almeida surpreendeu a namorada Lunaria Cavalcante durante o show do cantor José Augusto e fez o pedido diante do público na noite de sexta-feira (11), em um ato que representou o enfrentamento ao preconceito e o respeito à diversidade. 

O momento foi registrado em vídeo e compartilhado nas redes sociais. Um bilhete escrito por Marianna com o pedido de casamento foi entregue por um drone a Lunaria que disse o “sim”.

'MINISTROS DO STF SÃO DESGRAÇA NACIONAL' - DIZ JORNALISTA DA GLOBONEWS

Jornalista da GloboNews chama ministros do STF de “desgraça”

O jornalista Demétrio Magnoli chamou os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de “desgraça nacional”. Ele deu declarações, nesta sexta-feira (11), ao vivo no programa Estúdio i, da GloboNews.

Magnoli apontou “jogo de poder”. Para ele, o Supremo se dividiu em dois blocos em conflito.

– Vamos falar claro. Os ministros do Supremo são uma desgraça nacional. Uns mais, outros menos. Não são todos iguais, mas todos tem uma responsabilidade coletiva pelo que está acontecendo. É a implosão do Supremo. (…) Eles colocaram um manto de sigilo para fazer jogo de poder, para ter informação que a sociedade não tem. (…) E só abriram os sigilos porque era impossível segurá-los na hora em que o Supremo se dividiu em dois blocos em conflito – falou.


Confira:

AS MÁSCARAS DOS CANALHAS ESTÃO CAINDO

Mendonça não protegeu Flávio: Inquérito contradiz Moraes. PF e PGR é que pediram sigilo

O sigilo no inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrubado na sexta-feira pelo ministro André Mendonça, havia sido solicitado pela Polícia Federal no pedido de abertura da apuração e teve a concordância da Procuradoria-Geral da República.

Na sexta, a PGR pediu a divulgação de um grupo de processos sobre o Master. Mendonça concordou e incluiu ainda outras ações que não haviam sido solicitadas, inclusive o inquérito sobre o filme “Dark Horse”.

Ao solicitar o início da investigação, em julho, a PF defendeu “a manutenção do sigilo do procedimento, considerando a natureza dos elementos extraídos de dispositivo eletrônico, a existência de RIF espontâneo do COAF, a possível necessidade de diligências sensíveis e o envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro”.

BOMBA: 'TIVE RELAÇÕES COM O GOVERNO LULA IGUAL OS IRMÃOS BATISTA' - DIZ VORCARO

Vorcaro afirmou ter relações com governo Lula igual irmãos Batista

Entre os arquivos da investigação sobre o Banco Master que tiveram o sigilo retirado na sexta-feira (11), estão mensagens nas quais o banqueiro Daniel Vorcaro se comparou aos irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F. A conversa ocorreu em julho de 2024, durante uma troca de mensagens com um diretor do banco.

Após receber um vídeo do apresentador Tiago Pavinatto com críticas ao Master, Fernando de Goes Mascarenhas Filho, então diretor comercial da instituição, sugeriu que o conteúdo fosse notificado. Vorcaro, porém, minimizou as críticas e destacou justamente a menção à proximidade do banco com o governo Lula.

– Cara. Não sei não. Falaram nada demais. Mais do mesmo. Não pode dar palco para esse tipo de blog sem expressão nenhuma. A única coisa que falaram é que somos próximos do governo, igual irmãos Batista são. O que é verdade rsrs – ironizou Vorcaro.

Na sequência, o banqueiro afirmou que a relação com o governo poderia ser usada como estratégia de divulgação e sugeriu enviar o vídeo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a integrantes de sua base política.

– Isso aí é marketing para nós. Manda pro Lula e pra base aliada – afirmou Vorcaro.

Mascarenhas Filho respondeu que encaminharia o material a Guilherme Sodré e ao senador Jaques Wagner (PT-BA), que naquele período era líder do governo Lula no Senado.

O diálogo foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo e consta nos documentos da investigação sobre o Banco Master. O material teve o sigilo retirado por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso.


MASTER: APÓS CASO DAS SUÍÇAS PATRÍCIA ABRAVANEL LIMITA COMENTÁRIOS

Patrícia Abravanel limita comentários após caso das suíças

A apresentadora Patrícia Abravanel restringiu os comentários em uma publicação feita em seu perfil no Instagram. A medida ocorreu após a repercussão das mensagens envolvendo seu marido, Fábio Faria, e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Em uma das fotos do álbum, que mostra Patrícia ao lado de Faria durante uma viagem, usuários fizeram referências às chamadas “suíças”. Um dos comentários publicados na postagem dizia:

– Só vim pelas suíças – escreveu um usuário.

Outro foi mais sarcástico:

– Deus, pátria, surub@ e família.

A expressão ganhou repercussão após a divulgação de mensagens trocadas entre Faria e Vorcaro. Em uma delas, o ex-ministro escreveu sobre a possível presença das “suíças” em um encontro com autoridades políticas.

Documentos da Polícia Federal enviados ao ministro André Mendonça mostram que o ex-ministro teria repassado a Vorcaro os contatos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo WhatsApp, no fim de 2023.

Segundo os documentos, Faria também manteve conversas com Vorcaro sobre encontros e eventos que envolveriam autoridades. Em outubro de 2023, ele escreveu:

– Davi e Pacheco fechado para terça. Chamei Toffoli tb – em referência a Davi Alcolumbre, Rodrigo Pacheco e Dias Toffoli.

Na sequência, Faria escreveu:

– Davi tá louco perguntando se as suíças vão vir. Se der vms trazer. E na segunda quero ir lá no banco com os meus sócios do escritório.

Em resposta à menção às “suíças”, Vorcaro respondeu:

– Virão, sim.

A conversa passou a circular na imprensa e nas redes sociais após a retirada do sigilo dos documentos do caso Master.


CEARÁ-MIRIM: OFERTA NOTA 10 - COMBOS DE PRODUTOS POR APENAS R$ 10 - DIAS 11 E 12/09/2026

 

MUITO CUIDADO MENDONÇA, DESCOBRIR SUJEIRAS DE BANDIDOS NO BRASIL É PERIGOSO!

André Mendonça agora usa até colete à prova de balas, após assumir casos do Master e do INSS

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, reforçou sua segurança desde que assumiu a relatoria do Banco Master e dos desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Mendonça passou a utilizar colete à prova de balas e carro blindado. A proteção também foi ampliada para integrantes de sua família.

A medida considera a gravidade das informações identificadas nas investigações e o temor de que Mendonça pudesse ser alvo de um atentado. Pessoa de hábitos simples e previsíveis, como frequentar sua igreja semanalmente, é muito religioso e àqueles que sempre advertiam para a necessidade de reforçar a segurança, ele sempre respondia: “Fique tranquilo, Deus me protege”.


Porém, a decisão de Mendonça de retirar o sigilo de um relatório relacionado às investigações teve repercussão dentro e fora do STF. O documento trouxe informações sensíveis e colocou sob escrutínio episódios que já vinham gerando desconforto entre integrantes da Corte.

CANALHA: O MENTIROSO PROMETEU PICANHA, AGORA MANDA COMER OVO!

“Se não tem carne, a gente come ovo”, afirma Lula

Nesta sexta-feira (11), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu agenda em Porto Alegre (RS). Ele esteve ao lado de Juliana Brizola (PDT), candidata ao governo do Rio Grande do Sul, e disse saber que o custo de vida está caro.

– Eu sei que o custo de vida está caro. Eu sei que vocês vão ao supermercado e as coisas estão caras. A carne está cara, o café está caro. No ano passado, o ovo estava nas nuvens.

O petista falou em comer ovos se não tiver carne.

– Nós gostamos de ovo para caramba. Se não tem carne, a gente come ovo, se não tem ovo, a gente come carne. Mas, quando não tem os dois, a gente come como eu comia quando eu levava marmita: arroz e feijão puro porque não tinha mistura – disse.

ESTÁ COM FEBRE? FACHIN NEGOU PEDIDO DE MORAES

Fachin nega pedido para julgamento simultâneo de Moraes e Mendonça no STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, rejeitou o pedido apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes para que a atuação do relator dos processos envolvendo o Banco Master na Corte, André Mendonça, fosse analisada simultaneamente com a dele, na mesma data da análise da conduta do próprio Moraes.

Com a decisão, Fachin manteve a data de 15 de setembro para a realização de uma sessão plenária extraordinária que discutirá exclusivamente o caso envolvendo Moraes, sob relatoria de Mendonça.


Em seu pedido a Fachin, Moraes alegou o “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual” caso os processos fossem analisados de forma separada.

A apuração sobre a conduta de Moraes se refere às informações coletadas pela Polícia Federal (PF), no âmbito das investigações sobre o Banco Master, que indicam uma relação próxima entre o ministro do Supremo e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, inclusive com trocas de dezenas de mensagens via WhatsApp. É este o tema que será analisado na sessão do dia 15.

Em relação a André Mendonça, a análise envolve os relatórios da PF a respeito da atuação do próprio ministro na relatoria dos processos relacionados ao Master.

RIACHO DA CRUZ: VICE-PREFEITO DEIXA PALANQUE DE ÁLVARO E DECLARA APOIO A ALLYSON

Pulou mais um: Vice-prefeito de Riacho da Cruz do PL deixa palanque de Álvaro Dias e declara apoio a Allyson

Durante a Caravana do Azulão no município de Felipe Guerra, o vice-prefeito de Riacho da Cruz, Cláudio Uberlane, conhecido como “Borracheiro”, do PL ao lado da vereadora Ana Lucena, deixou o palanque de Álvaro Dias para declarar oficialmente apoio ao projeto de mudança liderado por Allyson no Rio Grande do Norte.

Durante o anúncio, Borracheiro expressou o entusiasmo de se somar à campanha de Allyson: "Eu estou muito feliz de estar aqui ao seu lado. Vejo seu trabalho, vejo sua correria e vejo a empolgação do povo com você. Estou me sentindo até Allyson também, porque o povo está empolgado comigo lá em Riacho da Cruz."

Ao celebrar a nova adesão e destacar a presença das lideranças no evento, Allyson ressaltou o ritmo crescente do movimento por todo o RN: "Nossa campanha é crescente! É mais gente vindo, e se somando", declarou, reforçando o entusiasmo com a receptividade das pessoas e o apoio recebido em Felipe Guerra.

Essas sucessivas adesões refletem diretamente o momento de forte aceleração nas pesquisas eleitorais. Pesquisa do Instituto Exatus divulgada nesta sexta-feira (11) pelo jornal Agora RN mostra Allyson com 41,90% das intenções de voto no cenário estimulado, abrindo uma vantagem de quase 20 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Álvaro Dias (PL). O levantamento aponta a possibilidade de vitória ainda no primeiro turno, já que a soma de todos os adversários (41,43%) fica abaixo do percentual de Allyson.

O resultado amplia o cenário positivo já registrado na quinta-feira, quando três pesquisas de institutos diferentes também apontaram Allyson na liderança.


Assecom

GALERIA HISTÓRICA: O BARRACÃO DA USINA SÃO FRANCISCO - POR GERINALDO MOURA

Galeria Histórica

O BARRACÃO DA USINA SÃO FRANCISCO: ENDIVIDAMENTO, TRABALHO E MEMÓRIA NA INDÚSTRIA AÇUCAREIRA DO RIO CEARÁ-MIRIM

Texto: Gerinaldo Moura da Silva
Fotos: Arquivo do autor

O barracão funcionava como instituição comercial e mecanismo de controle do trabalho na indústria açucareira da ribeira do rio Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, destacando como exemplo, o Barracão da Usina São Francisco, que articulava venda a crédito, endividamento perene e subordinação do trabalhador rural aos proprietários de engenhos e usinas que tinham a mesma prática em seus territórios. No Nordeste brasileiro, a expansão da indústria açucareira consolidou, ao longo do século XX, um conjunto de práticas comerciais que extrapolavam a simples relação de compra e venda entre proprietários e trabalhadores. Entre elas, destacou-se o barracão: estabelecimento situado nas proximidades de engenhos e usinas, destinado ao abastecimento dos trabalhadores da lavoura canavieira e de suas famílias. Ainda que se apresentasse como serviço de conveniência, o barracão funcionava, na prática, como instrumento de sujeição econômica, na medida em que submetia o trabalhador a um regime de endividamento praticamente ininterrupto, daquele que, segundo a memória popular, "jamais têm fim". O Barracão da Usina São Francisco, situado às margens do rio Ceará-Mirim, utilizava a mesma prática de comercializar, exemplificando dois outros estabelecimentos da mesma ribeira: os barracões do Engenho Umburanas e do Engenho São Leopoldo, de modo a evidenciar tanto a regularidade do fenômeno na região quanto as singularidades de cada caso.

O barracão inseria-se em uma lógica de controle do trabalho que ultrapassava a simples oferta de mantimentos. Ao conceder crédito facilitado, o chamado "fiado", e registrar as compras em cadernetas ou folhas de papel de embrulho, os responsáveis pelo barracão criavam um vínculo de dependência que dificilmente se rompia. O trabalhador do eito, cuja atividade se concentrava no cultivo e no corte da cana, não dispunha de alternativa: dependia do barracão para sua subsistência e a de sua família, ao passo que trabalhadores de outras funções, como cambiteiros e fornalheiros, eram deliberadamente cortejados pelos donos dos barracões, que lhes ampliavam o crédito como forma de assegurar sua fidelidade. Esse mecanismo aproxima-se do que a historiografia do trabalho denomina truck system: regime no qual o pagamento do trabalhador, total ou parcialmente convertido em vale ou mercadoria, o mantém preso a um único ponto de fornecimento, controlado pelo próprio empregador ou por pessoa de sua confiança. O relato de Francisco Martins Alves Neto sobre o pequeno barracão de sua família ilustra a difusão dessa prática para além dos limites da indústria açucareira, alcançando também propriedades algodoeiras e de outros gêneros:

"Papai tinha um barracão. [...] Barracão neste caso não faz referência a um barraco grande, ele era um pequeno comércio, que funcionava dentro da nossa casa. Havia duas portas abertas ao público, um balcão de madeira que ia de uma extremidade a outra da parede. [...] Papai procurava vender o básico e indispensável à sua clientela; assim sendo, não faltava: rapadura, farinha, feijão, carne de charque, bacalhau, fumo em rolo [...]" (ALVES NETO, [2021]).

O depoimento de Arnaldo Moreira, responsável pelo barracão do Engenho São Leopoldo, evidencia ainda um problema estrutural desse sistema: a entressafra. Durante o período em que os engenhos interrompiam a moagem, os moradores continuavam a comprar fiado, acumulando dívidas que só poderiam ser quitadas quando o trabalho e, consequentemente, o pagamento, fosse retomado. Poucos dispunham de fontes alternativas de renda, como a venda de hortaliças, frutas ou pequenos animais domésticos, ou ainda o trabalho de lavadeiras, que permitiam abater parte do débito antes do reinício da safra (MOREIRA, 2020). Entre os barracões mais conhecidos da ribeira do velho rio Ceará-Mirim, destacavam-se os do Engenho Umburanas, do Engenho São Leopoldo e da Usina São Francisco, cujo alcance ultrapassava os limites das propriedades a que estavam vinculados, atendendo também trabalhadores de propriedades circunvizinhas.

Fundado pelo Padre Antunes e posteriormente adquirido por Paulo Varela, sócio e irmão do senador Luiz Lopes Varela, o Engenho Umburanas teve como administrador João Francisco de Azevedo, a quem também coube gerenciar o barracão. Caso digno de nota é o de sua filha, Maria Soledade de Azevedo Silva, que assumiu a responsabilidade direta pelo estabelecimento, situação incomum em um universo de trabalho marcadamente masculino. Em seu depoimento, Dona Soledade relata que essa foi sua primeira experiência de trabalho, incumbindo-se de vender, anotar os fiados, realizar pagamentos e reabastecer o comércio (SILVA, 2020).

No Engenho São Leopoldo, de propriedade de Joaquim Câmara, o barracão foi administrado por Arnaldo Moreira, encaminhado à função pelo funcionário Napoleão Moreira. Durante os quatro anos em que ali permaneceu, Arnaldo Moreira deslocava-se periodicamente até Ceará-Mirim para adquirir mercadorias no armazém de Manoel Luiz de Lima, na Quadra do Mercado, de modo a manter o abastecimento do barracão: carne seca, farinha, feijão, café em grão, utensílios domésticos, bolachas e a "famosa cachacinha" figuravam entre os produtos oferecidos aos trabalhadores, que recebiam seu pagamento em vale e compravam fiado ao longo da semana (MOREIRA, 2020).

A Usina São Francisco, de propriedade de Luiz Lopes Varela, coexistia, no cenário açucareiro local, com a Usina Santa Tereza, de Ubaldo Bezerra de Melo, e a Usina Ilha Bela, dos Úrsulo. Seu barracão teve como um de seus proprietários Isídio Félix da Silva, para quem trabalhou como ajudante o senhor conhecido como “Seu Lucas”, esposo de Terezinha de Araújo Silva, hoje reconhecida no bairro Carrasco como "Terezinha do finado Lucas". Segundo o depoimento de Dona Terezinha, seu esposo despachava mercadorias e anotava em caderneta os vales a serem descontados no pagamento dos trabalhadores, tendo também atuado como apontador na Companhia Açucareira Vale do Ceará-Mirim (SILVA, 2021). Dona Terezinha contribuía para a renda familiar assando bolos em forno a lenha construído no quintal de sua própria casa, os quais eram posteriormente comercializados por seu esposo no barracão, um pequeno diferencial em meio a produtos que, segundo seu relato, nem sempre eram de boa qualidade, mas que os trabalhadores se viam obrigados a consumir, dado que os vales recebidos como pagamento mal cobriam o valor das compras.

O depoimento de Antonio Galdino Pereira, conhecido como Citonho, ex-morador da Usina São Francisco e filho de Miguel Vital Pereira que era turbineiro da indústria, acrescenta outra camada a essa história: a da sucessão dos proprietários do barracão, de Euzébio a Luís de França (conhecido como "seu Loló"), e da posterior incorporação da usina, de seus engenhos e fazendas à Companhia Açucareira Vale do Ceará-Mirim (PEREIRA, 2020).

A reconstituição do funcionamento cotidiano dos barracões, depende quase integralmente de depoimentos orais, o que não constitui limitação incidental, mas condição estrutural do objeto: instituições informais como o barracão raramente deixaram registro documental sistemático, sobrevivendo sobretudo na memória de trabalhadores, familiares e moradores das antigas propriedades açucareiras. Essa circunstância nos aproxima de uma perspectiva de história vista de baixo, na qual sujeitos historicamente relegados a papel secundário na narrativa histórica como os trabalhadores rurais, as mulheres responsáveis por pequenos comércios e os filhos de operários, tornam-se protagonistas do relato. Os depoimentos da Professora Maria Soledade, de seu Arnaldo Moreira, de dona Terezinha de Araújo Silva e de Citonho, não apenas descrevem o funcionamento do barracão, mas revelam também as relações de trabalho, parentesco e vizinhança que estruturavam a vida social em torno da indústria açucareira. Nesse sentido, a memória funciona simultaneamente como fonte de informação factual e como testemunho da experiência subjetiva de sujeição e de resistência cotidiana ao regime de endividamento imposto pelo barracão.

O fim do Barracão da Usina São Francisco esteve diretamente associado à chegada de um novo proprietário da usina, Geraldo José da Câmara Ferreira de Melo. Segundo o depoimento de Citonho, o novo usineiro reuniu os funcionários e anunciou que quitaria todas as contas registradas no barracão, doravante pagando os trabalhadores em dinheiro, de modo que pudessem comprar onde melhor lhes conviesse, no comércio de Ceará-Mirim, ou em qualquer outro local. Essa medida, ainda que representasse um ganho de liberdade econômica para os trabalhadores, teve como efeito imediato o esvaziamento da clientela do barracão, que fechou suas portas em definitivo (PEREIRA, 2020). Após o fechamento, o prédio permaneceu desocupado. Um grupo de desportistas ligados à Usina São Francisco chegou a tentar utilizá-lo como sede própria do Botafogo, iniciativa que esbarrou repetidamente em entraves burocráticos. Hoje, a edificação encontra-se à mercê de vândalos, configurando-se como mais um exemplo, entre tantos, da arquitetura industrial do século XX fadada ao desaparecimento na paisagem urbana e rural de Ceará-Mirim. Esse desfecho situa o Barracão da Usina São Francisco em um quadro mais amplo de precariedade na preservação do patrimônio industrial nordestino. Diferentemente das grandes casas-grandes e capelas, frequentemente contempladas por políticas de tombamento, estruturas ligadas diretamente ao trabalho, barracões, senzalas, antigas moendas, tendem a permanecer à margem das iniciativas de preservação, apesar de constituírem testemunho material insubstituível das relações de trabalho que sustentaram a economia açucareira regional.

O Barracão da Usina São Francisco, bem como os barracões dos engenhos Umburanas e São Leopoldo, nos permite compreender esse tipo de estabelecimento como peça central de um sistema mais amplo de controle do trabalho na indústria açucareira da ribeira do Ceará-Mirim. Por meio do crédito facilitado e do endividamento contínuo, o barracão articulava-se ao regime de trabalho da lavoura canavieira, mantendo o trabalhador rural em condição de dependência que persistia mesmo durante os períodos de entressafra. A extinção do barracão, decidida unilateralmente pelo novo proprietário da usina, não decorreu de reivindicação organizada dos trabalhadores, mas de decisão administrativa, o que não diminui, contudo, seu significado histórico como marco de transição para relações de trabalho monetizadas. Já o abandono físico do prédio que abrigou o barracão sinaliza um problema mais amplo: a fragilidade das políticas de memória e preservação voltadas ao patrimônio industrial e do trabalho na região, cuja materialidade corre o risco de desaparecer antes mesmo que sua história seja integralmente registrada.

REFERÊNCIAS

ALVES NETO, Francisco Martins (Mané Beradeiro). Relato sobre o barracão familiar. [2021]. Depoimento.

MOREIRA, Arnaldo. Depoimento sobre o barracão do Engenho São Leopoldo. Ceará-Mirim Vale de Cultura, Facebook, 2020.

PEREIRA, Antonio Galdino (Citonho). Depoimento sobre a Usina São Francisco e o encerramento do barracão. Relato oral coletado pelo autor. 2020]
SILVA, Maria Soledade de Azevedo. Depoimento sobre o barracão do Engenho Umburanas. Ceará-Mirim Vale de Cultura, Facebook, 12 set. 2020.

SILVA, Terezinha de Araújo. Depoimento sobre o barracão da Usina São Francisco. Ceará-Mirim Vale de Cultura, Facebook, 21 jun. 2021.

Professor de História, escritor e memorialista de Ceará-Mirim/RN. Membro da Academia Ceará-Mirinense de Letras e Artes "Pedro Simões Neto

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