Craque das décadas de 1970 e 1980, Noé Soares relembra jogos do ABC contra o Uberlândia
ABC e Uberlândia voltaram a se reencontrar após quase cinco décadas no último sábado (22). As duas equipes até então só haviam se enfrentado duas vezes na história pelo Campeonato Brasileiro de 1978 — com duas vitórias do alvinegro por 1 a 0. O elenco naquela época contava com grandes nomes da história centenária do ABC, como o goleiro Hélio Show, o zagueiro Pradera, o volante Baltazar, os meias Danilo Menezes e Noé Soares e o atacante Noé Silva, que marcou nos dois jogos.
Um dos personagens daquela temporada, Noé Soares, também conhecido por Macunaíma, guarda na memória o período em que enfrentou o Uberlândia. O primeiro confronto aconteceu em Minas Gerais e o segundo em Natal. Ao relembrar dos duelos, o ex-meia destacou que foram partidas importantes e afirmou que a relação entre os jogadores daquela geração ia além do campo.
“Foram dois bons jogos, nós tínhamos uma equipe muito boa também. Encarava de igual para igual times de Série B, quanto de Série A. Nosso time tinha uns caras muito bons. O torcedor ia para os jogos sabendo o time que iria entrar em campo contando com a vitória. Foi muito ótimo”, relembra o ex-jogador e ídolo do ABC em entrevista à TRIBUNA DO NORTE.
A primeira partida entre ABC e Uberlândia aconteceu em 11 de maio daquele ano, no antigo estádio Juca Ribeiro, que deu lugar ao Parque do Sabiá em 1982. O gol da vitória alvinegra saiu aos 44 minutos do primeiro tempo nos pés de Noé Silva, que contou com passe do uruguaio Danilo Menezes. Já o segundo duelo, em 17 de junho no antigo Estádio Castelão, repetiu o placar novamente com gol de Silva.
“É sempre complicado quando você joga na casa do adversário, mas nós tínhamos consciência de que a nossa equipe podia chegar lá e fazer um bom jogo, e na volta aqui em Natal, melhor ainda. E foi o que aconteceu”, disse Noé Soares. “Atmosfera muito boa (em Natal). A torcida acreditava muito na equipe. Sabiam que nós não íamos perder. Então a torcida foi em peso. Não me lembro quantos torcedores pagaram para assistir ao jogo, mas lembro que tinha bastante gente”, descreveu.
Durante o período que vestiram a camisa abecedista nas décadas de 70 e 80, Soares e Silva ficaram eternizados no futebol potiguar por protagonizar uma das duplas de ataque mais eficientes do país naquela época. “Noé Silva gostava de fazer gol”, brinca Soares. A parceria entre os dois se estendeu para além das quatros linhas, rendendo uma amizade que dura até hoje.
“Nós nos dávamos muito bem, tanto dentro de campo, quanto fora de campo. Somos amigos até hoje. Nossa amizade permanece até hoje”, detalha o ex-meia ao falar da amizade que construiu com Noé Silva no futebol.
Quatro vezes campeão Potiguar com o ABC, Noé conta que segue acompanhando o ABC. O ex-jogador afirmou que não perde os jogos do clube e também acompanhou a campanha que terminou com o acesso alvinegro à Série C de 2027. “Eu assisti de casa (ao jogo do acesso). Quando a minha filha, Amanda, tentou comprar os ingressos e já tinha esgotado tudo, não tinha mais nenhum, e eu assisti de casa. Mas foi muito bom, mais um acesso e está brigando para ser campeão da Série D, e eu acho que tem condição para isso”, contou.
Apesar da derrota no jogo de ida por 1 a 0 para o Uberlândia, Noé se mantém confiante na vitória do ABC na partida deste domingo (30), em Natal, e consequentemente, na classificação para a final. “Acho que dá para tirar esse prejuízo em Natal, na Arena das Dunas, onde o ABC está fazendo bons jogos. Eu creio que o ABC deve ganhar de uns 2 a 0 ou 3 a 0, porque voltam Wallyson e Edson, que vão fazer de tudo para ser campeão no ABC”, afirmou.
Natural de Maricá, no Rio de Janeiro, Noé Soares começou sua trajetória no futebol carioca defendendo as cores da Portuguesa. Em 1975, chegou ao ABC, onde se tornaria um dos grandes nomes e ídolo da história do clube. Apelidado por Macunaíma, ele defendeu o alvinegro por 11 temporadas consecutivas (1975–1985) e conquistou quatro vezes o Campeonato Potiguar – 1976, 1978, 1983 e 1984.
Ao todo, conforme consta no site oficial do ABC, Noé disputou 438 jogos com a camisa abecedista e anotou 71 gols durante este período, marca que o coloca na lista seleta dos maiores artilheiros de todos os tempos do clube. O ex-meia se despediu dos gramados vestindo a camisa alvinegra em 1985.
TN