16/01/2026

JÁ NÃO SE FAZ ALVES COMO ANTIGAMENTE - POR RICARDO SOBRAL

JÁ NÃO SE FAZ ALVES COMO ANTIGAMENTE

* Por Ricardo Sobral, advogado.

Há um fenômeno que caracteriza os da família Alves de Angicos: a capacidade de enfrentar adversidades. São, em essência, sobreviventes, na vida pessoal e no teatro da guerra política.

Não tenho notícia de outros, na vida pública do Rio Grande - que não é grande nem do Norte -, que tenham superados tantos desafios, alguns aparentemente intransponíveis.

Sobreviveram às perseguições de duas ditaduras: 30 e 64 e ao espectro lúgubre de patologia então incurável, tida como o mal do século.

Em 1932, Seu Nezinho, o patriarca, era o Prefeito de Angicos. Foi apeado do poder. Pegou o trem com a mulher em dias de dar à luz, desceu em Ceará-Mirim, onde nasceu Agnelo, o mais inteligente, astucioso e estrategista dos Alves.

Em 1960, o Deputado Aluízio abriu dissidência na UDN, atraiu o PSD, o que era impensável, criou a cruzada da esperança e venceu a eleição para o candidato chapa branca, na mais renhida e memorável campanha política na terra de Poti.

Foi impedido de se candidatar a Senador. Teve seus direitos políticos cassados por longos 10 anos. Certa vez, vendeu a geladeira de casa para completar a folha de pagamento do seu Jornal Tribuna do Norte.

Em 1982, foi candidato a governador contra o candidato da ditadura. Missão impossível, mas precisava manter acesa a chama. Perdeu para voto vinculado e eleitor itinerante.

Quando todos pensavam que estava morto politicamente, disse a famosa frase "a luta continua".

Continuou com ele próprio ministro por duas vezes e mais uma vez deputado federal.

Seu partido elegeu o Prefeito de Natal em 1985 e no ano seguinte o governador do estado.

Agnelo teve cassado seu mandato de prefeito de Natal. Também teve suspensos seus direitos politico. Depois, como na música de Paulo Vanzolini, sacudiu a poeira e deu a volta por cima: elegeu-se duas vezes Prefeito de Parnamirim. Foi Senador da República. Durante toda sua vida enfrentou problemas de saúde.

Garibaldi, pai, foi deputado e vice-governador. Filho, foi deputado, Prefeito de Natal, Governador, Senador, Presidente do Senado, Ministro.

Henrique Eduardo, com apenas 21 anos, foi convocado para segurar a bandeira. Teve 10 mandatos de deputado federal, Presidente da Câmara dos Deputados, Ministro, e até chegou a assumir temporariamente a Presidência da República, onde até então, de nós, lá só havia chegado Café Filho.

Carlos Eduardo, deputado, reconquistou o mandato de Prefeito de Natal que fora

arrancado de seu pai.

Outros da família foram cassados. O único que não foi alvo de perseguição, teve morte violenta.

Quem desconhece a coragem e os desafios enfrentados por José da Penha Alves de Souza?

Quando olho o passado, em viagem proutiana, vejo que Alves só cresce na adversidade, na luta, enfrentando desafios.

Quando olho a atual conjuntura política, sou forçado a concluir que os desafios de hoje não insignificantes diante dos de outrora, e que não se faz mais Alves como antigamente.

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