Após UE, carnes brasileiras podem ser vetadas no Reino Unido
Após o veto da União Europeia às carnes brasileiras, confirmada em um documento divulgado pela Comissão Europeia na última quinta-feira (4), o Reino Unido avalia também aplicar restrições contra as carnes brasileiras. E o motivo é o mesmo: a falta de comprovação em relação ao uso de antimicrobianos, por parte do governo brasileiro, pela pecuária brasileira.
O Reino Unido não faz mais parte da União Europeia desde 2020, mas o governo britânico mantém suas diretrizes alinhadas ao bloco e as regras sanitárias são praticamente as mesmas, e já solicitou aos frigoríficos habilitados e ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), explicações técnicas sobre a cadeia produtiva.
Caso o Ministério da Agricultura não apresente sistemas rígidos de rastreabilidade (mecanismo que monitora o histórico do animal desde o nascimento), as certificações para venda serão suspensas pelos britânicos. Na semana passada, o Mapa aprovou um protocolo de adesão voluntária para a exportação de bovinos e búfalos criados sem o uso de antimicrobianos.
Produtos afetados e exigências internacionais
A restrição do mercado europeu removeu o Brasil da lista de países autorizados a fornecer uma ampla gama de alimentos de origem animal. O veto inclui os embarques de carne bovina, aves, equinos, envoltórios (tripas e membranas para embutidos), além de pescados, ovos e mel.
A medida decorre da falta de comprovação de conformidade (atendimento aos padrões exigidos pelas leis internacionais) contra a resistência antimicrobiana. A União Europeia exige auditorias rigorosas para garantir que bactérias perigosas não desenvolvam imunidade aos remédios usados no rebanho.
Relatórios do setor apontam que o Brasil foi o único grande exportador do Mercosul (bloco econômico formado por nações sul-americanas) a sofrer a sanção. Vizinhos e concorrentes diretos no mercado de proteínas, como Argentina, Uruguai e Paraguai, mantiveram as autorizações de venda sem restrições.
A exclusão brasileira ocorreu por causa de falhas documentais e na fiscalização do ciclo de vida dos animais de corte. Inspetores internacionais identificaram deficiências no monitoramento de substâncias proibidas administradas da porteira para dentro.
Silêncio diplomático
Até o momento, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores não se manifestaram oficialmente em relação às restrições da União Europeia. Os órgãos do governo federal não apresentaram uma contraproposta técnica direcionada especificamente para conter a ameaça que agora vem de Londres.
As atenções do governo e das entidades representativas, como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, seguem de forma exclusiva centralizadas no mercado continental. A prioridade máxima do setor privado é tentar reverter o painel técnico da União Europeia antes do prazo final de setembro.
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