Crise do caso Master e 'código de ética' esvaziam o ‘Gilmarpalooza’
Com a aproximação do 14º Fórum de Lisboa, evento liderado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, o número de autoridades confirmadas está consideravelmente menor do que em anos anteriores. Entre os fatores para a diminuição do ‘Gilmarpalooza’, destacam-se o recente escândalo do Banco Master, a defesa de um novo código de ética pelo presidente do STF, Edson Fachin, e a coincidência de datas com sessões importantes do Judiciário. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada por Oeste.
Diante dessa redução, Gilmar Mendes intensificou os convites, especialmente no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao buscar ampliar a lista de participantes. Mesmo assim, a quantidade de ministros do STJ confirmados caiu para metade do registrado em 2025. Colaboradores do IDP e da FGV, ambos organizadores do evento, também reforçaram os contatos com potenciais palestrantes e convidados.
Ausência de autoridades e impactos do calendário
Para a edição deste ano, não há expectativa de presença dos presidentes do Congresso Nacional, nem de ministros do governo Lula (PT). Entre os ministros do STF, apenas Flávio Dino confirmou participação. O ex-presidente da corte, Luís Roberto Barroso, agora aposentado, também deve comparecer. A programação do fórum, prevista entre 1º e 3 de junho, ainda não foi totalmente divulgada.
A data escolhida para o fórum foi um dos pontos citados por autoridades convidadas como obstáculo, pois coincide com sessões de julgamento do STJ. Isso obrigaria ministros a faltar, comparecer remotamente ou tentar alterar o cronograma das sessões. Tradicionalmente, o encontro ocorre em datas posteriores, no final de junho ou início de julho.
Contexto político e preocupações éticas no ‘Gilmarpalooza’
O contexto político e a proximidade das eleições também contribuíram para o esvaziamento. Um ministro do STJ relatou ao jornal Folha de S.Paulo que o ambiente não é favorável para eventos desse tipo, opinião compartilhada por outros colegas. Entre as preocupações, está o receio de confraternizar com pessoas que possam ser implicadas no caso Master.
Advogados convidados relataram terem recebido insistentes convites de organizadores, mesmo sem intenção inicial de participar. Um deles afirmou ter ouvido que colegas evitam o evento por medo de exposição na imprensa neste momento. O fórum já foi alvo de questionamentos sobre o custeio das despesas de viagem e hospedagem de palestrantes e autoridades na Europa.
Além disso, a presença de autoridades do Judiciário, empresários e políticos no mesmo ambiente é criticada, pois pode gerar situações de conflito de interesse. Essas preocupações motivaram a proposta de um código de conduta defendido por Fachin, que busca detalhar regras de transparência na participação de ministros em eventos públicos.
Queda no número de participantes e histórico do evento
Na lista de confirmados deste ano estão, além de Dino, nove ministros do STJ, o procurador-geral da República (PGR) Paulo Gonet, dois secretários do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Floriano de Azevedo Marques, o ministro do TCU Antonio Anastasia e o presidente da OAB, Beto Simonetti. O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), conselheiros, desembargadores, advogados e empresários também foram confirmados.
Comparando com edições anteriores, a previsão é de público reduzido. Em 2025, foram cinco ministros do STF, 18 do STJ, cinco do TCU e até 50 parlamentares, incluindo o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). No ano passado, cerca de 150 autoridades estiveram presentes, além de 2,5 mil inscritos. Para 2026, o número de inscrições está em 1,5 mil, com duas semanas restantes para o evento.
Em 2024, o fórum reuniu ao menos 160 autoridades de diversos órgãos públicos, incluindo ministros como Anielle Franco, Luciana Santos, Jorge Messias, Vinicius Marques e Alexandre Silveira, além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A Câmara dos Deputados enviou 18 representantes, e participaram nomes como Roberto Campos Neto, Cláudio Castro, Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado.
Origem do termo “Gilmarpalooza” e organização
A edição de 2023 marcou o surgimento do termo “Gilmarpalooza”, adotado pelo próprio Gilmar Mendes, ao reunir figuras do Executivo, Judiciário e empresariado, com destaque para o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como palestrante. Gilmar Mendes afirma que encara o apelido com bom humor e defende o fórum como espaço de diálogo entre Brasil e Europa sobre temas relevantes.
O ministro é sócio do IDP, instituição organizadora do evento, administrada também por seu filho, Francisco Mendes. A FGV e a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa também estão entre as responsáveis pela realização do encontro.
revista oeste

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