Excesso de endividamento dos brasileiros pode dificultar a reeleição de Lula
Em 2023, o governo lançou o Desenrola, uma promessa feita na campanha que previa a renegociação de dívidas de pessoas físicas inadimplentes. Na arrancada inicial, o programa permitiu renegociação de débitos de 15 milhões de pessoas, no valor total de 53,2 bilhões de reais — resultado celebrado pelo marketing do Planalto. Mas o problema não acabou — pelo contrário.
O Mapa de Inadimplência do Serasa, divulgado recentemente, mostrou que, em dezembro, 81,2 milhões de brasileiros estavam endividados, um recorde da série histórica. Quando o presidente tomou posse, em 2023, eram 70 milhões.
Inadimplente é todo cidadão que não consegue pagar dívidas já vencidas, grande parte em função dos juros altos, que são pressionados por um governo que gasta mais do que arrecada.
Especialistas ouvidos por VEJA dizem que o excessivo número de pessoas endividadas pode atrapalhar os planos reeleitorais de Lula. Por mais que indicadores como inflação, desemprego e taxa do PIB sejam positivos, dizem eles, é bom o governo prestar atenção na inadimplência.
“Os dados revelados indicam uma questão relevante que tende a impactar o voto na eleição presidencial de 2026”, ressalta o advogado Donne Pisco, especialista em direito do consumidor. “O endividamento tem o potencial de gerar uma sensação descolada da realidade dos números da macroeconomia e repercutir negativamente na intenção de voto, o que também pode estar por trás do alto percentual de reprovação do presidente Lula”.
O CEO da Quaest, Felipe Nunes, também chama a atenção para o problema da inadimplência. Ele afirma que se a economia estiver bem no ano eleitoral “não necessariamente” vai ajudar Lula. Mas se a economia estiver mal, isso certamente vai “atrapalhar bem os planos do governo”, diz.
A última pesquisa da Quaest mostra que a situação do presidente não é confortável. Indagados se Lula merece continuar mais quatro anos à frente do governo, 57% dos entrevistados disseram não e 39% responderam que sim. Quando questionados se o Brasil está indo na direção certa ou na direção errada, 55% disseram que está na direção errada e 36% na certa.
Veja

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