07/02/2026

NO BRASIL INADIMPLÊNCIA RECUA MAS ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS BATE RECORDE

Endividamento das famílias bate recorde no Brasil; inadimplência recua

O percentual de famílias brasileiras com dívidas alcançou 79,5% em janeiro, o nível mais alto já registrado pela série histórica, igualando o recorde observado em outubro do ano passado. Apesar disso, a inadimplência caiu pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados divulgados nesta semana.

As informações fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que acompanha mensalmente a situação financeira das famílias no país.

Em dezembro, o nível de endividamento estava em 78,9%. Em janeiro de 2025, o indicador atingia 76,1% das famílias.

Famílias de baixa renda concentram maior endividamento

A pesquisa mostra que o endividamento é mais frequente entre famílias com renda de até três salários mínimos, grupo em que 82,5% relataram ter algum tipo de dívida em janeiro de 2026.

Entre os domicílios com renda superior a dez salários mínimos, o percentual recua para 68,3%. Desde janeiro, o salário mínimo está fixado em R$ 1.621.

Cartão de crédito lidera formas de dívida

O levantamento indica que o cartão de crédito segue como a principal modalidade de endividamento das famílias brasileiras, presente em 85,4% dos casos. Em seguida aparecem:
  • Carnês: 15,9%
  • Crédito pessoal: 12,2%
  • Financiamento de imóvel: 9,6%
  • Financiamento de veículo: 8,7%
  • Crédito consignado: 6%
  • Cheque especial: 3,4%
  • Outras dívidas: 2,5%
  • Cheque pré-datado: 0,3%
Segundo a Peic, o comprometimento médio das dívidas é de 7,2 meses, o que representa o tempo restante para quitação dos débitos.

Já a parcela da renda comprometida com dívidas corresponde, em média, a 29,7% do orçamento familiar. Uma em cada cinco famílias (19,5%) informou ter mais da metade da renda comprometida com pagamentos.

O levantamento é realizado com 18 mil famílias em todas as regiões do país e considera dívidas com cartão de crédito, cheque especial, carnês, crédito consignado, empréstimos pessoais, cheque pré-datado e financiamentos de veículos e imóveis.

A CNC ressalta que o endividamento, por si só, não é necessariamente negativo, pois pode estimular o consumo e aquecer a economia. O alerta surge quando há perda da capacidade de pagamento, caracterizando a inadimplência.

Inadimplência segue em queda

Em janeiro, a inadimplência ficou em 29,3%, recuando pelo terceiro mês seguido. Em outubro, o indicador era de 30,5%.

O percentual de famílias com contas em atraso cresce conforme diminui a renda. Entre aquelas que ganham até três salários mínimos, a taxa chega a 38,9%. Já nos domicílios com renda superior a dez salários mínimos, o índice é de 14,9%.

O tempo médio de atraso nos pagamentos foi de 64,8 dias em janeiro. Além disso, 12,7% das famílias afirmaram que não terão condições de quitar dívidas em atraso.

Juros altos pressionam orçamento

De acordo com a CNC, os juros elevados dificultam a amortização das dívidas e tornam o orçamento familiar mais apertado.

A taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006, quando chegou a 15,25%. O índice é definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, e influencia as demais taxas cobradas no mercado.

A Selic permanece elevada como instrumento de combate à inflação. O IPCA ficou 13 meses acima do teto da meta do governo, de 4,5% ao ano, retornando ao intervalo de tolerância apenas em novembro de 2025.

Juros altos encarecem o crédito, desestimulam consumo e investimentos e tendem a desacelerar a economia, com impacto negativo sobre a geração de empregos.

Projeções para o primeiro semestre

A CNC projeta que o endividamento das famílias deve continuar avançando no primeiro semestre, alcançando 80,4% em junho.

Para a inadimplência, a estimativa é de queda gradual, chegando a 28,9% no mesmo período. Segundo o economista-chefe da entidade, a redução está ligada à expectativa de queda da Selic, já sinalizada pelo Banco Central a partir de março.

“A gente vem em um patamar [de juros] muito elevado, então vai levar um certo tempo para que esse desaperto monetário seja sentido também no mercado de crédito”, avalia. “Começando em março, provavelmente no início do terceiro trimestre, final do segundo trimestre, as famílias já devem se deparar com uma taxa de juros significativamente menor”, completa.

Com informações da Agência Brasil.

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