A Justiça absolveu, por unanimidade, um lavrador acusado de tentar matar o próprio genro após descobrir que a filha era vítima de violência doméstica. A decisão encerrou um processo que se arrastava há dez anos e teve como base o entendimento de que o pai agiu para proteger a filha, que estava grávida na época dos fatos.
O vídeo mostra trecho do depoimento do Sr. Luiz, no qual ele narra com detalhes os questionamentos feitos ao genro e a confissão de que ele agredia a filha do lavrador. “Enquanto eu viver e souber que tu tá batendo na minha filha, nela você não bate mais”, contou Sr. Luiz ao explicar no Tribunal o que fez com o genro após descobrir as agressões praticadas pelo homem.
O caso ocorreu em 2015, no município de Irecê, no interior da Bahia, e envolveu agressões cometidas contra o genro após a revelação das violências sofridas pela mulher. O julgamento foi concluído no fim de 2025, com a absolvição do réu pelo Tribunal do Júri.
Em depoimento à Justiça, L.C.S. contou que, logo após o Natal de 2015, recebeu bem cedo uma ligação informando que o genro havia agredido sua filha durante a madrugada. Ao chegar à casa dela, soube da própria filha que o agressor também havia quebrado seu celular e que não era a primeira vez que praticava violência física.
Ele então levou a filha e as netas para sua residência e chamou o genro para “olhar uns tomates” em uma roça. No local, amarrou o homem e bateu com uma corda, na presença de outras pessoas, afirmando não ter tido intenção de matar, apenas “aplicar um corretivo”. O genro, que ficou com vários hematomas, registrou a denúncia na delegacia três dias depois. O caso foi denunciado como sequestro, cárcere privado e tentativa de homicídio.
“A absolvição de seu Luiz não é apenas a vitória de um homem; é a vitória da justiça, da dignidade e do direito de defesa”, concluiu a Defensoria Pública da Bahia, que atuou a favor do Sr. Luiz no julgamento. Segundo o defensor, a sessão foi marcada por forte emoção, pois o réu, visivelmente abalado, chorou diversas vezes diante da possibilidade de ser punido por ter agido para defender a própria família.

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