14/02/2026

AGÊNCIA REUTERS DIZ QUE FORÇAS ARMADAS DOS EUA SE PREPARA PARA OPERAÇÃO PROLONGADA CONTRA IRÃ

Forças Armadas dos EUA se preparam para operação prolongada contra o Irã, diz agência

Dois oficiais americanos revelaram à agência Reuters que as Forças Armadas dos Estados Unidos estão se preparando para a possibilidade de terem que realizar operações prolongadas contra o Irã, que podem durar semanas, caso o presidente Donald Trump ordene um ataque contra o país persa. Segundo a informação publicada nesta sexta-feira, essa possibilidade poderia resultar num conflito muito mais grave do que os anteriores entre os dois países. A revelação feita pelos oficiais, que falaram sob condição de anonimato, aumenta a tensão nas negociações diplomáticas de um novo acordo nuclear em curso entre Washington e Teerã.

Nesta sexta-feira, o presidente americano confirmou que o porta-aviões USS Gerald R. Ford, o mais poderoso navio do tipo na Marinha americana, já está a caminho do Oriente Médio. A tripulação recebeu ordens de deslocamento saídas do Pentágono na quinta-feira, segundo fontes ouvidas em anonimato pelo jornal New York Times. A estimativa é de que o meio militar chegue à região entre o final de abril e o começo de maio. A chegada do porta-aviões ao Golfo Pérsico é uma adição de peso ao arsenal dos EUA posicionado na região.

Horas após o anúncio, em discurso às tropas americanas nesta sexta-feira em uma base na Carolina do Norte, Trump disse que "tinha sido difícil chegar a um acordo" com o Irã.

— Às vezes você precisa ter medo. Essa é a única coisa que realmente resolverá a situação — afirmou o presidente americano.

Os oficiais relataram à agência que o planejamento em andamento é mais complexo que a operação "Martelo da Meia-Noite", de junho do ano passado, em que os EUA bombardearam instalações nucleares iranianas. Em uma campanha militar prolongada, as forças americanas poderiam atingir instalações estatais e de segurança iranianas, não apenas a infraestrutura nuclear, disse uma das fontes à Reuters.

Especialistas avaliam que em caso de um novo ataque americano de maior escala ou de uma operação militar mais agressiva, as chances de retaliação iraniana representam um grande risco para tropas e bases dos EUA nas proximidades do país persa, assim como para aliados na região. Um dos oficiais disse que os Estados Unidos esperam que o Irã retalie, levando a ataques e represálias recíprocas ao longo de um período de tempo, podendo provocar um conflito regional. A Casa Branca e o Pentágono não responderam a perguntas sobre os riscos de retaliação ou conflito regional.

Nas últimas semanas, Trump ameaçou repetidamente bombardear o Irã por causa de seus programas nucleares e de mísseis balísticos, além da violenta repressão do regime iraniano contra os protestos que tomaram conta do país desde o fim do ano passado. Na quinta-feira, o presidente americano chegou a alertar que caso uma solução diplomática não seja alcançada, a alternativa seria "muito traumática, muito traumática" para Teerã.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, encontrou com Trump na quarta-feira, em sua sexta visita à Casa Branca desde que o republicano reassumiu a Presidência americana. Netanyahu queria convencer o republicano a incluir em suas exigências um controle do programa de mísseis iraniano, mas deixou a capital americana sem promessas.

Após a reunião a portas fechadas, que durou cerca de três horas, Trump classificou o encontro como "muito bom" e revelou ter dito a Netanyahu que continuará buscando um acordo diplomático com o Irã, apesar do ceticismo dentro do governo israelense em relação aos esforços da Casa Branca para negociar com os iranianos. Segundo o presidente americano, os dois também discutiram o que ele avalia como "progresso tremendo" que vem sendo feito em Gaza e na região do Oriente Médio.

O Globo

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