Abraão Linconl, um velho conhecido do noticiário da corrupção
Manchete dos jornais no dia 20 de outubro de 2015: “Abraão Lincoln se entrega à Polícia Federal”.
Manchete dos jornais no dia 27 de agosto de 2025: “Abraão Lincoln é um dos investigados na fraude milionária do INSS”.
Entre uma manchete e outra, passaram-se 10 anos, mas o político potiguar Abraão Lincoln segue visitando o noticiário da corrupção, sem ser incomodado pelas autoridades fiscalizadoras do país.
Na prisão de 2015, pela Polícia Federal do Rio Grande do Sul, Lincoln era investigado na “Operação Enredados”, acusado de participar de vendas ilegais de permissões para a pesca industrial. Na época, ele era presidente da Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA) e filiado ao Partido Republicano Brasileiro (PRB).
Agora, Abraão Lincoln, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), é investigado por suposta participação do esquema criminoso milionário que subtraiu dinheiro dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social. Inclusive, ele teve o seu nome na lista de convocados para depor na CPMI do INSS, além de pedido de quebra de seus sigilos bancários e fiscais. (LEIA MATÉRIA ABAIXO).
O que chama atenção, além do histórico suspeito do político, é a facilidade que ele encontra para continuar atuando na vida pública, inclusive, circulando bem próximo de autoridades políticas do país. No mês passado, Lincoln apareceu em foto com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele, inclusive, registrou a foto nas redes sociais destacando Motta como um “amigo”.
Na época da Operação Enredados, Abraão Linconl, que é um dos vice-presidentes da Força Sindical, destacava a sua influência com políticos de Brasília, como o presidente do Solidariedade, ex-deputado Paulinho da Força, e o presidente do PRB, deputado federal Marcos Pereira. A partir daí, ele sustentava estrutura política no Rio Grande do Norte, presidindo o PRB, além das atividades sindicais no setor da pesca.
Abraão Lincoln tentou se eleger deputado federal em 2018, sem sucesso. Quatro anos depois, em 2022, lançou o filho Victor Hugo à Câmara dos Deputados, mas também sem sucesso. Não se deu por vencido. Recentemente, Lincoln abriu negociação com um grupo de políticos do Rio Grande do Norte para ser candidato nas eleições 2026.
Aos mais próximos, Abraão Lincoln não nega a necessidade de ter um mandato eletivo para “blindar” o seu nome de possíveis sanções. No entanto, com a instalação da CPMI do INSS e o avanço das investigações pela Polícia Federal, é provável que o projeto eleitoral seja inviabilizado. Pelo menos, os políticos que negociavam a formação de uma nominata federal com Lincoln, já mandaram riscar o nome do político investigado.
Entidade de Abraão movimentou R$ 57,8 milhões
A Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), presidida por Abraão Lincoln, está no centro das investigações da Operação Sem Desconto, detonada pela Polícia Federal para desmantelar um esquema de corrupção milionária que enganou aposentados e pensionistas do INSS. A polícia estima que o impacto financeiro superou os R$ 221 milhões.
A CPMI do INSS protocolou requerimentos convocando suspeitos, dentre eles, na condição de investigado, aparece Abraão Lincoln.
“Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), peça basilar da investigação, é demolidor ao descrever a sede da CBPA como uma ‘pequena sala comercial’, com apenas ‘uma secretária para atendimento’, e concluir que a Confederação ‘não possui infraestrutura para localização, captação, cadastramento e muito menos fornecimento de serviços’ compatíveis com seu universo de 360.632 associados, espalhados por mais de 3.600 municípios”, crava o requerimento.
Abraão Lincoln é apontado ao lado do tesoureiro da CBPA, Gabriel Negreiros, como articulador de um esquema de falsificação de filiações em massa para obter ganhos ilegais com descontos em benefícios previdenciários. Gabriel, que já disputou eleição para vereador em Natal em 2020, aparece no inquérito da Polícia Federal como o braço financeiro da operação.
Outro requerimento da CPMI do INSS pede a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Abraão Lincoln, abrangendo o período entre janeiro de 2019 e julho de 2025. O pedido inclui detalhamento de movimentações financeiras, operações de crédito, notas fiscais, declarações de imposto de renda e análises comparativas com anos anteriores, entre outros quase 20 itens relacionados às movimentações.
A Polícia Federal afirma que embora não tivesse filiados em 2022, a CBPA firmou um acordo com o INSS e, já em 2023, contabilizava mais de 340 mil associados, movimentando R$ 57,8 milhões. Apenas nos três primeiros meses de 2024, o número chegou a 445 mil filiados, com faturamento de R$ 41,2 milhões.
DeFato
Nenhum comentário:
Postar um comentário