Os jornalistas conseguiram recuperar o conteúdo das mensagens, apagado por meio de uma funcionalidade do WhatsApp, a partir da análise de dados secundários presentes no celular do banqueiro do Master.
Um dos diálogos recuperados mostra que Moraes teria ido ao encontro de Vorcaro na tarde de 14 de novembro de 2025, três dias antes de o banqueiro entrar em cana:
Moraes: “Me avise quando pousar”.
Vorcaro: “Ok”.
Vorcaro: “Em voo”.
Moraes: “Chegou?”.
Vorcaro: “Agora pousei”.
Moraes: “A caminho então”.
O encontro começou a ser combinado dias antes. Em 12 de novembro, Moraes estava em Brasília e Vorcaro, em São Paulo. Na noite do dia anterior, o banqueiro escreveu que queria encontrar o ministro: “Opa tudo bem? Amanha a noite como esta?”. Não se sabe a resposta de Moraes, mas Vorcaro voltou à carga na manhã seguinte: “Não quero atrapalhar programa família! Podemos falar outro dia!”. Eles teriam se visto, então, no dia 14.
Nos dias seguintes, a aflição de Vorcaro foi aumentando, como mostram as mensagens já conhecidas enviadas ao ministro, inclusive aquela em que ele pergunta a Moraes se ele “acha que segunda ja tenho que estar fora”.
É escandaloso que o ministro continue a negar a relação promíscua que mantinha com o banqueiro.
Em qualquer lugar do mundo, as mensagens secretas trocadas entre ambos, o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o banqueiro e a mulher de Moraes, as evidências de que o ministro viajava no Legacy de Vorcaro como se fosse sócio na propriedade do avião e a parceria na organização de eventos do Master seriam provas suficientes para que, no mínimo, o ministro perdesse o seu cargo no STF por iniciativa dos seus pares.
Estamos, contudo, em um país alicerçado sobre o patrimonialismo, erguido na corrupção, rebocado com a impunidade, e fica cada vez mais claro que a maioria dos brasileiros se mostra entre resignada e satisfeita com essa construção grotesca vista como destino inexorável.
Metrópoles

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