29/10/2026

JATINHO QUE LEVOU FLÁVIO PARA OS EUA FOI PROVIDENCIADO POR HOMEM DE CONFIANÇA DE TRUMP

Homem de confiança de Trump confirma haver providenciado jato que levou Flávio aos EUA

Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, confirmou nesta quinta-feira (29) que organizou o jato particular usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família na viagem da Argentina para o exílio nos Estados Unidos. A informação sobre o envolvimento da Casa Branca havia sido publicada inicialmente pelo The New York Times. Miller afirmou ter participado do plano para levar o candidato derrotado na eleição presidencial brasileira ao território americano.

Donald Trump autorizou a entrada temporária de Flávio e de seus familiares por meio do mecanismo de “parole”, usado em casos de razões humanitárias urgentes ou de benefício público significativo. Segundo o NYT, o senador “provavelmente terá uma residência permanente assegurada posteriormente”. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos confirmou que a família passou por inspeção do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras e foi liberada. Na quarta-feira, Trump declarou publicamente que Flávio havia recebido permissão para entrar no país.

O jato utilizado é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly. A aeronave comporta até 13 passageiros em poltronas que podem ser convertidas em seis camas. Atinge velocidade de 935 km/h.

Uma autoridade americana ouvida pelo New York Times afirmou que Flávio deve solicitar o green card (residência permanente) e que o processo pode ser acelerado, como ocorreu com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, que obteve o documento em julho deste ano. O jornal também apontou indícios, com base em registros públicos, de que Flávio apresentou um passaporte diplomático brasileiro já cancelado na chegada aos EUA.

Na segunda-feira (26), a Polícia Federal solicitou que o senador entregasse seus passaportes em até 24 horas. A medida ocorreu em meio a investigações sobre vínculos com o advogado Willer Tomaz (acusado de lavagem de dinheiro em esquema de jogos de azar online) e sobre a arrecadação de recursos para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, com dinheiro atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro. Como Flávio não entregou os documentos até a manhã de terça-feira, as autoridades brasileiras os cancelaram e emitiram alerta migratório para impedir sua saída do país. A PF informou que não tem registro oficial da saída do senador e investiga as circunstâncias da viagem e possível descumprimento de determinações judiciais. Ressaltou, porém, que restrições de circulação e o cancelamento de documentos não tornam automaticamente alguém foragido nem justificam prisão por si só.

Segundo autoridades migratórias argentinas citadas pelo NYT, Flávio, a esposa e as duas filhas entraram na Argentina às 22h50 de terça-feira pela Ponte da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú. Cerca de 40 minutos depois, embarcaram no jato da Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador, de onde seguiram para Miami, chegando na manhã de quarta-feira. A polícia federal argentina, em um momento, afirmou não ter registro da entrada da família.

Uma pessoa familiarizada com a logística disse ao jornal que o plano começou a ser organizado na segunda-feira, após a ordem para entrega dos passaportes. O presidente argentino Javier Milei não comentou o caso. A Casa Branca remeteu às declarações públicas de Trump.

Após chegar a Miami, Flávio divulgou uma carta em que se diz alvo de perseguição política e agradeceu a Trump e a Milei. Inicialmente se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas depois alterou o trecho para “líder do Brasil”. No final do documento, manteve a afirmação de que seria o presidente eleito e alegou fraude na eleição, sem apresentar provas.

DP

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