Por falta de efetivo, presos fazem papel de carcereiros em Alcaçuz, aponta relatório da Seap
Um relatório produzido pela direção da Penitenciária de Alcaçuz aponta um cenário grave na unidade prisional: por falta de efetivo, a gestão da unidade tem entregado as chaves decelas para presos que trabalham no presídio, identificados como “presos pagadores”. O documento é referente ao mês de agosto, mas trata a situação como frequente. Além disso, são relatados efetivos muito abaixo do considerado mínimo, guaritas desativadas e praticamente sem vigilância externa e indícios concretos de preparação e tentativas de fuga.
O “RELATÓRIO SITUACIONAL ALCAÇUZ - Agosto 2026” é assinado pela direção, vice-direção e chefias de Segurança e Disciplina da Penitenciária Estadual de Alcaçuz. O documento, ao qual a TRIBUNA DO NORTE teve acesso com exclusividade, integra relatórios sobre as condições de funcionamento da unidade e registra ocorrências, falhas de segurança e dificuldades operacionais. Os documentos vêm sendo produzidos pela administração de Alcaçuz para subsidiar pedidos de providências à cúpula da Polícia Penal diante das fragilidades identificadas na penitenciária.
A entrega das chaves das celas para detentos é tratada como “alarmante”. “O diagnóstico mais alarmante deste parecer é a “transferência indevida do poder de polícia” (...). Devido à desvantagem numérica, a gestão da unidade admite a entrega de chaves de celas a presos “pagadores” para o trancamento de outros internos. Tal prática aniquila a hierarquia e a disciplina, delegando a autoridade do Estado a quem deveria estar sob sua custódia, e essa realidade só é vivenciada em face das inúmeras demandas de cunho social previstas na legislação que não acompanham a adequação estrutural e de segurança necessárias a sua realização”, diz o documento.
O relatório não chega a detalhar de forma concreta como a situação será resolvida, mas aponta como prioridade “a recomposição do efetivo para a imediata proibição absoluta da entrega de chaves a internos ou a redução de demandas ao efetivo real presente na Unidade, retomando a exclusividade do poder de polícia aos Policiais Penais”.
O documento também descreve situações em que a falta de policiais penais comprometeu de forma severa a segurança dos pavilhões. Em um dos episódios registrados em agosto, um dos setores da penitenciária chegou a iniciar o plantão com apenas um policial penal, passando posteriormente a contar com dois. No mesmo período, uma queda de energia deixou o sistema de videomonitoramento inoperante por várias horas. Na avaliação da administração de Alcaçuz, a combinação entre efetivo reduzido e indisponibilidade das câmeras elevou os riscos de perda de controle do pavilhão, rebeliões e fugas.
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