Condenado por estupro e morte de Zaira Cruz é expulso da Polícia Militar
O sargento da Polícia Militar Pedro Inácio Araújo de Maria, condenado a 20 anos de prisão pelos crimes de estupro e homicídio da estudante Zaira Dantas Silveira Cruz, de 21 anos, foi excluído da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. A decisão foi oficializada na sexta-feira 17, por meio de portaria publicada no Boletim Geral da corporação, encerrando o vínculo do militar com a instituição após a condenação pelo Tribunal do Júri.
A decisão foi assinada pelo comandante-geral da PM, coronel Alarico Azevedo, que determinou a exclusão “a bem da disciplina”. No documento, o comandante afirma que a condenação criminal tornou Pedro Inácio incompatível com a permanência na ativa e cita a existência de “manifesta incapacidade moral superveniente”. A portaria também registra que a condenação representa “infração aos deveres do policial militar, atingindo o sentimento do dever, o pundonor policial-militar e o decoro da classe”.
O desligamento foi determinado após recomendação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e revisa uma decisão administrativa tomada em 2024, quando o então sargento havia recebido apenas uma punição disciplinar de 30 dias de prisão. Segundo o Ministério Público, a manutenção do militar nos quadros da corporação e as promoções concedidas durante o período em que permaneceu preso eram incompatíveis com a legislação militar.
Pedro Inácio estava preso preventivamente desde março de 2019. Conforme a investigação, os crimes ocorreram dentro de um carro durante o Carnaval de Caicó, em março daquele ano. Após o julgamento, ele foi condenado por homicídio qualificado e estupro contra Zaira Cruz.
Enquanto aguardava o julgamento sob custódia da própria Polícia Militar, o militar foi promovido duas vezes. Quando foi preso, ocupava o posto de cabo, mas recebeu promoção para terceiro-sargento, em 2020, e para segundo-sargento, em 2023. Em março deste ano, voltou a ser promovido. Durante aproximadamente sete anos de prisão, continuou recebendo remuneração normalmente.
Dados do Portal da Transparência apontam que o salário do policial passou de pouco mais de R$ 4 mil, em março de 2019, para mais de R$ 10,6 mil em fevereiro deste ano. No período em que permaneceu preso, o servidor recebeu quase R$ 600 mil em salários brutos, sem considerar os descontos previdenciários.
Após a condenação definitiva pelo Tribunal do Júri da 3ª Vara da Comarca de Caicó, a Polícia Militar anulou a decisão administrativa anterior e reconheceu que a permanência do então sargento nos quadros da instituição era incompatível com a condenação criminal.
Além da exclusão da corporação, o Ministério Público mantém uma apuração para verificar possíveis prejuízos aos cofres públicos decorrentes das promoções consideradas indevidas e dos valores eventualmente pagos de forma irregular ao militar durante o período em que esteve preso.
Agora RN

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