Brasileira na Argentina relata ameaças após celebrar derrota
Uma estudante brasileira que mora na Argentina afirma ter recebido ameaças de morte após comemorar nas redes sociais a derrota da seleção argentina para a Espanha na final da Copa do Mundo, disputada no último domingo (19). A jovem diz que passou a ser alvo de ataques depois de ter sua imagem exibida por um programa da emissora argentina Crónica TV.
Segundo o relato, durante a partida ela publicou vídeos e mensagens em suas redes sociais. Em uma das postagens, apareceu usando a camisa da Argentina e brincou que estava “de mufa”, que é uma expressão utilizada no país para se referir a alguém que dá azar. Em outras publicações, comemorou a vitória da seleção espanhola por 1 a 0, na prorrogação.
De acordo com a estudante, as ameaças se intensificaram nesta segunda-feira (20), após a Crónica TV exibir imagens de brasileiros comemorando a derrota argentina. A emissora também mostrou nomes de usuários e afirmou que estudantes brasileiros da Universidade de Buenos Aires (UBA) haviam torcido pela Espanha.
A jovem, no entanto, afirma que estuda em uma universidade privada e não na UBA, como foi informado durante a transmissão. Após a exibição, ela relata que teve as redes sociais derrubadas e começou a receber mensagens com ameaças de morte, ofensas racistas e intimidações.
– Recebi ameaças de morte, linchamento, dizendo que vão me encontrar na rua e me matar. Acharam o meu documento argentino com o endereço. Até foto de arma recebi. Minha família e eu estamos com medo até de sair de casa – afirmou.
Entre as mensagens recebidas, há ameaças como “vou bater na sua cabeça com um martelo quando você chegar em casa”, “volte para o seu país para estudar; você vai acabar dentro de um saco de cadáver” e “na Argentina, a gente não está de brincadeira”, esta última acompanhada por um imagem de uma arma de fogo.
A estudante também afirmou ter recebido mensagens chamando brasileiros de “macacos”, dizendo que ela deveria voltar ao Brasil e ameaçando denunciá-la ao governo argentino para que fosse deportada. Apesar da situação, a brasileira disse que não pretende deixar o país.
– Estou no quarto ano de Medicina. Só volto para o Brasil com o meu diploma – declarou.
Ela informou ainda que pretende registrar as ameaças na polícia, buscar a Embaixada do Brasil em Buenos Aires e avalia adotar medidas judiciais contra a Crónica TV. A emissora argentina não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

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