Mauro Vieira diz que EUA 'ignoraram' argumentos do Brasil
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo dos Estados Unidos “ignorou” os argumentos apresentados pelo Brasil nas investigações comerciais que resultaram na recomendação de novas tarifas contra produtos brasileiros.
Segundo o chanceler, a decisão foi tomada antes do fim do prazo de negociação acordado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
A declaração foi dada ao Estadão depois de um encontro entre Vieira e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, durante reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris.
Segundo Vieira, o anúncio das recomendações ocorreu dentro do período de 30 dias estabelecido pelos dois presidentes para buscar uma solução negociada para as disputas comerciais.
O chanceler disse ter lembrado esse compromisso ao representante americano e afirmou que a medida exige a intensificação das negociações para evitar novos atritos comerciais. Apesar das recomendações, Greer teria sinalizado que ainda existe espaço para diálogo.
EUA citam Pix, desmatamento e etanol
As recomendações foram feitas com base em duas investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
Os americanos acusam o Brasil de práticas desleais em áreas como comércio digital, Pix, combate à corrupção, propriedade intelectual, desmatamento ilegal e acesso ao mercado de etanol.
Outra investigação aponta falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão na cadeia pecuária brasileira, que, segundo Washington, gerariam vantagens competitivas ao país.
Com base nas conclusões, o USTR recomendou tarifas de 25% por práticas comerciais consideradas desleais e de 12,5% relacionadas às questões trabalhistas.
Itamaraty rebate críticas
Vieira argumentou que as recomendações desconsideram avanços recentes do Brasil, especialmente na redução do desmatamento.
Segundo o ministro, a área desmatada na Amazônia Legal caiu pela metade em comparação com 2022 e o país segue rumo à meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030.
O chanceler também criticou as referências ao Pix, que classificou como um patrimônio dos brasileiros. Os Estados Unidos indagam a tarifa de 18% aplicada pelo Brasil ao etanol americano, enquanto cobram 2,5% sobre o produto brasileiro.
O governo Lula, porém, vincula a discussão às barreiras impostas pelos EUA ao açúcar brasileiro. Segundo Vieira, Washington aplica uma tarifa quatro vezes maior para importar o produto nacional.
revistaoeste


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