Gilmar Mendes diz que crise do Master 'está na Faria Lima', não no STF
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que a crise que envolve o Banco Master não pode ser atribuída ao Judiciário, em virtude de ser um problema “sistêmico”.
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o decano do STF observou que a origem do episódio está no mercado financeiro e apontou falhas de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central.
O caso do Master passou a atingir o Supremo depois da revelação de ligações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ministros da Corte, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Gilmar, porém, rejeitou a ideia de que o centro da crise esteja no tribunal.
“A crise do Master não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima”, declarou. “Quem vendeu títulos foram os bancos. Não quero isentar de responsabilidade quem tem.”
Gilmar também criticou o que chamou de transferência indevida de responsabilidades ao STF e citou problemas estruturais em órgãos de fiscalização. Segundo ele, a CVM operou por mais de um ano com três diretores a menos.
Questionado sobre as apurações envolvendo contatos entre ministros do Supremo e Daniel Vorcaro, Gilmar afirmou que os fatos devem seguir sob análise das autoridades responsáveis.
“Isso certamente está sendo investigado e as autoridades competentes devem fazê-lo, estão fazendo”, disse.
A Polícia Federal apura, entre outros pontos, negócios ligados ao Banco Master envolvendo pessoas próximas a integrantes do STF, além de relações comerciais e contatos entre Vorcaro e autoridades.
Durante a entrevista, Gilmar afirmou que “não tem controle nenhum sobre” as críticas ao Fórum de Lisboa, conhecido informalmente como “Gilmarpalooza”, evento acadêmico organizado em Portugal e alvo de questionamentos por reunir autoridades e empresários que, em alguns casos, se tornaram investigados posteriormente.
O ministro também comentou o cenário político nacional e avaliou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades de articulação no Congresso.“O governo Lula é um governo de minoria. Há várias falhas, inclusive uma grave falha de articulação política”, declarou.
Gilmar ainda defendeu mudanças na estrutura de pagamentos do Judiciário para ampliar transparência e fiscalização sobre benefícios pagos a magistrados. “Temos que chegar a um modelo de federalização da folha de salários, com uma plataforma única em que qualquer rubrica precise ser autorizada”, afirmou.
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