Investigação na Receita amplia desconfiança entre STF e setores do governo Lula
As investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre acessos ilegais a dados da Receita Federal ampliaram o clima de desconfiança entre ministros da Corte e setores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Após determinação do ministro Alexandre de Moraes para rastrear acessos a informações fiscais de cerca de 140 pessoas, incluindo parentes de magistrados, ministros do STF passaram a questionar se dados obtidos ilegalmente foram usados em investigações da Polícia Federal.
Segundo nota do STF, foram identificados “diversos e múltiplos acessos ilícitos” aos sistemas da Receita, seguidos de vazamento de informações sigilosas. Na última semana, quatro servidores do Fisco foram alvo de operação da PF por suspeita de quebra de sigilo e repasse de dados a terceiros.
Entre ministros, a suspeita não recai sobre a cúpula do governo, mas sobre auditores da Receita. Já no Planalto, auxiliares de Lula avaliam que a Receita e a PF correm o risco de virar bodes expiatórios no escândalo envolvendo o Banco Master.
O governo acompanha o caso com cautela e busca evitar que a crise respingue no Planalto. Auxiliares têm reiterado aos ministros que não houve ingerência política e que acessos indevidos são rastreáveis, sem envolvimento da direção da Receita.
O caso Master, que envolve o empresário Daniel Vorcaro, é apontado por aliados do governo como o foco central das investigações. Segundo avaliações internas, as irregularidades podem gerar prejuízo superior a R$ 55 bilhões ao sistema financeiro, além de rombo no Banco de Brasília (BRB).
A troca da relatoria do caso no STF — de Dias Toffoli para André Mendonça — é vista como tentativa de reduzir a pressão sobre o governo. Mesmo assim, o ambiente segue tenso.
A desconfiança se intensificou após a PF entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório com dados extraídos do celular de Vorcaro, mencionando ministros da Corte. Parte do STF questiona a legalidade dessa apuração.
Apesar da mudança de relatoria, o clima permanece delicado. Uma das primeiras decisões de Mendonça foi restringir o acesso a documentos do caso apenas aos investigadores diretos, reforçando o sinal de cautela dentro do tribunal.

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