Veja as mulheres cotadas para vice de Flávio Bolsonaro
Com o início do calendário das convenções partidárias, que poderão ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, os pré-candidatos à Presidência começam a afunilar uma das principais definições para a disputa de 2026: a escolha do vice.
No caso do senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a composição da chapa deve permanecer em aberto ao menos até a convenção nacional do partido, marcada para 25 de julho, enquanto dirigentes e aliados avaliam diferentes nomes femininos para ocupar a vaga. A decisão final, porém, poderá ser oficializada até o encerramento do período das convenções.
Nos bastidores, aliados do partido avaliam que a definição da vice pode contribuir para ampliar o alcance eleitoral da candidatura, sobretudo entre o eleitorado feminino, segmento em que o senador aparece atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Pesquisa Genial/Quaest (BR-07661/2026) divulgada em 10 de junho aponta Lula com 41% das intenções de voto entre as mulheres, contra 24% de Flávio, enquanto 13% das entrevistadas se declaram indecisas. A avaliação de integrantes da pré-campanha é que esse grupo representa uma das principais possibilidades de crescimento da candidatura.
Nesse contexto, diferentes perfis passaram a ser considerados nas conversas internas do partido. A lista reúne parlamentares, ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro, representantes do agronegócio e lideranças ligadas aos eleitorados conservador, evangélico e católico, além de nomes que poderiam facilitar negociações com partidos aliados.
Daniella Marques
Entre as alternativas está a economista Daniella Marques, filiada ao Republicanos, que assumiu a coordenação da elaboração do programa econômico da pré-campanha.
Ex-secretária especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, ela trabalhou diretamente com o ex-ministro Paulo Guedes e chegou a ser elogiada por Flávio Bolsonaro como "a melhor pessoa do time de Paulo Guedes".
Embora seja vista como um nome capaz de reforçar a pauta econômica e aproximar o PL do Republicanos, sua falta de experiência eleitoral é apontada como um obstáculo. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, minimizou essa possibilidade ao afirmar, em entrevista ao jornal O Globo, em 17 de julho, que Daniella "não tem voto" para ocupar a vice-presidência.
"Ela tem muito prestígio junto aos empresários e ela é muito competente. Agora, na minha opinião tem que ser alguém que tenha voto. O Bolsonaro [ex-presidente] vai decidir. Ele e o Flávio", declarou.
Pouco depois da entrevista, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, entre outras medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro, a proibição de visitas com finalidade político-eleitoral e da divulgação de manifestações dessa natureza até o fim das eleições de 2026, o que, na prática, restringe sua participação formal nas articulações da campanha.
Para Valdemar, a principal opção continua sendo a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura. "A candidata ideal seria a Tereza Cristina. Ela tem carisma e isso é muito importante em uma eleição presidencial, isso puxa voto", afirmou.
Apesar do entusiasmo do dirigente, a senadora tem sinalizado que pretende disputar a presidência do Senado em 2027, enquanto a federação União Brasil-PP, da qual faz parte, ainda não demonstra disposição para apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
Tereza Cristina
Entre as mulheres avaliadas pelo PL, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) é considerada o nome de maior peso político para compor a chapa de Flávio Bolsonaro.
Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro e atual líder da bancada do Progressistas no Senado, ela é vista por aliados como uma candidatura capaz de ampliar o diálogo com o agronegócio, fortalecer a interlocução com partidos do Centrão e conferir um perfil mais moderado à chapa presidencial.
A parlamentar também é a preferida do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que a classificou como a "candidata ideal" para a vice-presidência.
Apesar do entusiasmo de dirigentes do PL, a indicação enfrenta obstáculos. Tereza Cristina tem sinalizado que sua prioridade é disputar a presidência do Senado em 2027, o que reduz as chances de aceitar o convite. Além disso, sua eventual escolha exigiria uma negociação mais ampla com a federação União Brasil-PP, que, até o momento, não demonstra disposição para apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
Mesmo assim, aliados do senador continuam tratando a ex-ministra como o principal objetivo nas negociações para a composição da chapa, enquanto o partido mantém conversas com outras possíveis candidatas e aguarda o avanço das articulações com legendas de centro.
Júlia Zanatta
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) passou a ser defendida por integrantes da ala mais ideológica do bolsonarismo, com apoio de Eduardo Bolsonaro. À CNN Brasil, ela afirmou estar "pronta para o combate" e disse que aceitará a decisão de Flávio Bolsonaro sobre a composição da chapa.
Aliados avaliam que sua indicação fortaleceria a mobilização da base conservadora e atenderia ao objetivo de lançar uma mulher como vice. Por outro lado, reconhecem que seu perfil pode ter alcance limitado para conquistar eleitores de centro e ampliar a votação em outras regiões do país.
Bia Kicis
Outra parlamentar que ganhou espaço nas discussões é a deputada federal Bia Kicis (PL-DF). Em vídeo gravado após um encontro na sede nacional do partido, em Brasília, Flávio voltou a defender a escolha de uma mulher para compor a chapa e citou a correligionária como exemplo.
"Não estou falando que ela vai ser a vice não, tá, gente, mas é uma pessoa que topa alguns desafios, que está disposta a dar o seu melhor pelo Brasil", afirmou. Em resposta, a deputada declarou: "Você está pronto. O desafio eu sei que é gigante, mas eu tenho muita confiança em você".
Apesar da sinalização pública, dirigentes do PL afirmam que a manifestação foi espontânea e que o cenário mais provável para Bia continua sendo uma candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.
Priscila Costa
A vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL) também entrou no radar da pré-campanha. Conhecida pela defesa de pautas conservadoras, ela é vista como um nome capaz de reforçar o diálogo com o eleitorado evangélico e ampliar a presença da campanha no Nordeste.
Em contrapartida, pesa contra sua indicação o fato de nunca ter disputado cargos estaduais ou nacionais e de ainda ter baixa projeção política fora do Ceará.
Demais nomes
Segundo integrantes do partido, a definição ainda depende de pesquisas internas e do andamento das negociações com legendas de centro, como PP, União Brasil e Republicanos.
Além dos nomes já mencionados, também circulam nas conversas preliminares as deputadas federais Simone Marquetto (MDB) e Clarissa Tércio (PP-PE), citadas por Flávio durante o lançamento do programa "Brasil Por Elas", voltado ao público feminino.
Até o momento, porém, o entendimento dentro do PL é que a escolha da companheira de chapa seguirá em aberto enquanto o partido busca equilibrar potencial eleitoral, capacidade de atrair alianças e identificação com a base bolsonarista.
Dados pesquisa
A pesquisa Genial/Quaest mencionada ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais realizadas entre 5 e 8 de junho.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.
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