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15/07/2026

CHUPA: OS MENINOS QUE LULA DISSE SEREM VÍTIMAS DOS USUÁRIOS TEM NEGÓCIOS COM A AL-QAEDA

Polícia Civil e MPRJ miram esquema que lavou mais de R$ 100 milhões do tráfico e apuram conexão com operador da Al-Qaeda

A Polícia Civil do RJ e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciaram, na manhã desta quarta-feira (15), a Operação Hawala, contra um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou pelo menos R$ 100 milhões do tráfico de drogas. Até a última atualização desta reportagem, 10 pessoas haviam sido presas.

“Durante as apurações, os agentes identificaram uma possível conexão com um integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda”, afirmou a Polícia Civil.

Segundo as investigações, o esquema prestava serviços ao Terceiro Comando Puro (TCP) e ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) saíram para cumprir, no total, 10 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu.

A 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do RJ também impôs medidas cautelares de bloqueio de ativos financeiros e indisponibilidade de bens e de participações societárias.

O Gaeco denunciou 22 pessoas no total. O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira aceitou integralmente a denúncia, tornando todos réus.

Os presos

01- Ali Alfakih
02- Barbara de Oliveira Rosa
03- Bárbara Luzia Souza de Carvalho
04- Kassem Zayoun
05- Lucas Gabriel Vidal
06- Reda Zayoun
07- Samuel Morais da Hora
08- Thierry Martins Lourenço Ribeiro
09- Yago Jorge de Souza Daniel
10- Yasser Zayoun

Como foi a investigação

A investigação começou na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que descobriu uma “multimarcas” sediada no Complexo do São Carlos e vinculada à cúpula do facção Terceiro Comando Puro (TCP) que vendia itens falsificados e recebia eletrônicos roubados.

A especializada rastreou os donos dessa firma e encontrou uma rede de dezenas de empresas de fachada distribuídas em diferentes estados e criadas para escoar o dinheiro do tráfico. O grupo também utilizava o smurfing, depósitos fracionados em espécie para burlar mecanismos de controle.

Durante as diligências, os agentes identificaram ainda um núcleo de empresários de origem libanesa apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos.

“As investigações também identificaram elementos que indicam a atuação de integrantes desse núcleo na região conhecida como Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina), área que, segundo organismos nacionais e internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, é historicamente monitorada como um importante polo de operações financeiras e logísticas de grupos terroristas”, disse a polícia.

Suspeita de ligação com operador da Al-Qaeda

Os agentes também identificaram uma relação comercial entre uma empresa vinculada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control, órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de punições econômicas.

“De acordo com as informações levantadas, esse indivíduo integra uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Esse vínculo será aprofundado a partir da análise das provas apreendidas durante a operação”, declarou a Polícia Civil.

g1

31/05/2026

PASMÉM OS SENHORES: NO QUESITO 'PREJUÍZOS AO BRASIL' LULA TEM UM GRANDE CONCORRENTE

Infiltração de facções criminosas em setores formais da economia tira R$ 39 bilhões por ano da indústria brasileira e eleva risco de sanção dos EUA

A infiltração de facções criminosas na economia formal já causa prejuízos estimados em R$ 39 bilhões por ano à indústria brasileira, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A pesquisa, realizada com 1.398 empresas de 32 segmentos industriais, aponta que 31% das companhias sofreram impactos de atividades ilícitas nos últimos dois anos, como roubo de cargas, contrabando, falsificação e sonegação fiscal.

Investigações recentes revelaram a atuação de organizações criminosas em setores como combustíveis, mercado financeiro, construção civil, transporte, apostas online, hotelaria, varejo, mineração, agronegócio e operações portuárias.

O Ministério Público de São Paulo estima que apenas o PCC movimente até R$ 12 bilhões por ano em atividades econômicas. O alerta ganhou força após os Estados Unidos classificarem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

Especialistas ouvidos pela reportagem do jornal O Globo avaliam que a medida pode aumentar exigências de compliance, elevar custos para empresas brasileiras e ampliar o risco de sanções para negócios com exposição ao mercado americano.

Para representantes do setor produtivo, o avanço do crime organizado gera concorrência desleal, reduz a arrecadação de impostos, afasta investimentos e aumenta os custos de operação para empresas que atuam dentro da legalidade.

Segundo investigadores, as facções utilizam empresas, fintechs, fundos de investimento e empreendimentos formais para lavar dinheiro e ampliar receitas, diversificando suas fontes de lucro além do tráfico de drogas.

30/05/2026

QUEM SÃO E COMO ATUAM OS CHEFES DAS FACÇÕES NO BRASIL

Mapa do PCC e CV no Brasil: quem são e como atuam os chefes das facções

O PCC deixou há muito tempo de ser apenas uma facção ligada aos presídios paulistas. Hoje, investigações da Polícia Civil de São Paulo, do Ministério Público e da Polícia Federal apontam que a organização criminosa opera como uma rede nacional dividida em setores estratégicos, com líderes responsáveis por finanças, comunicação, tráfico internacional e expansão regional.

Nesta quinta-feira (28/5), os Estados Unidos classificaram o PCC como organização terrorista estrangeira. Em paralelo, um novo organograma elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil paulista aponta cerca de 100 nomes ligados à facção, incluindo chefes regionais, operadores financeiros, integrantes da cúpula e ex-líderes expulsos após um racha interno. A lista também inclui o Comando Vermelho (CV).

Mapa de poder

No topo da organização do PCC continua Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Preso na Penitenciária Federal de Brasília desde 2019 e condenado a mais de 300 anos de prisão, ele ainda é apontado como o principal nome da facção. Mesmo isolado em presídios de segurança máxima, investigadores afirmam que Marcola continua influenciando decisões sobre rotas internacionais de cocaína, reorganização interna e articulações do grupo em diferentes estados.

Abaixo da chamada Sintonia Final, considerada o núcleo máximo de comando da facção, aparecem lideranças distribuídas em diferentes áreas.

Uma delas é Gratuliano de Souza Lira, conhecido como Quadrado. Segundo os investigadores, ele chefia a Sintonia do Raio-X, setor encarregado de monitorar as finanças do PCC, investigar desvios de dinheiro e acompanhar esquemas de lavagem financeira.

Outro núcleo que ganhou força nos últimos anos foi o da comunicação digital. André Luiz de Souza e Eduardo Fernandes Dias, conhecidos como Andrezinho e Destino, são apontados como integrantes da Sintonia da Internet e Redes Sociais. Segundo os relatórios policiais, a divisão atua na proteção das comunicações internas da facção, monitoramento de integrantes e uso de aplicativos criptografados.

Baixada Santista

Na Baixada Santista, considerada estratégica por causa do Porto de Santos, o PCC mantém um dos seus principais corredores internacionais. Investigações apontam que a facção utiliza a região como rota para envio de cocaína à Europa, principalmente por meio de contêineres contaminados. Entre os nomes identificados está Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão, apontado como liderança da chamada 'Sintonia Final da Baixada'. Também figuram Mohamad Hussein Murad, o Primo, e José Carlos Gonçalves, o Alemão, investigados por participação em esquemas de lavagem de dinheiro e articulações financeiras da facção

Fronteiras Sul

Já em estados de fronteira como Paraná e Mato Grosso do Sul, a polícia identifica lideranças ligadas ao tráfico internacional de armas e drogas. Entre elas está Gerson Palermo, considerado um dos maiores traficantes da América do Sul, que foi preso na Bolívia após permanecer seis anos foragido. A proximidade com Paraguai e Bolívia transformou essas regiões em áreas fundamentais para o abastecimento da facção.

Norte em disputa

No Norte do país, especialmente em Amazonas e Rondônia, o PCC ampliou sua atuação em disputas violentas contra grupos rivais pelo controle de rotas fluviais e fronteiras internacionais. Relatórios citam a presença de chefes regionais da facção e mencionam figuras como Gelson Carnaúba, o Mano G, e João Pinto Carioca, o João Branco, ligados à Família do Norte, que se tornaram alvos principais na guerra por território e fortaleceram a expansão da organização fora do eixo paulista.

Nordeste em expansão

No Nordeste, a facção avançou por meio de alianças com grupos locais em estados como Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte. Entre os nomes identificados estão Francisco José de Souza, o Chiquinho, e Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue (morto em 2018 em uma emboscada no Ceará), no Ceará; Valdemir Pereira da Silva, o Colorido, na Bahia; e José Carlos da Silva, o Zé Carlos, no Rio Grande do Norte. Em algumas regiões, os acordos terminaram em confrontos internos e disputas por pontos de tráfico.

Antiga cúpula

Entre os nomes históricos ligados à facção aparece Roberto Soriano, o Tiriça, que cumpre pena na Penitenciária Federal de Mossoró (RN). Condenado a mais de 70 anos de prisão, tornou-se um dos principais rivais internos de Marcola após o racha no PCC.

Ao lado de Tiriça aparecem Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, e Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho. Os dois já fizeram parte da elite da facção e hoje são tratados em investigações como integrantes rompidos com a atual liderança. Segundo relatórios policiais, eles foram expulsos do PCC e passaram a integrar a lista de “decretados”, nome dado pela facção a integrantes jurados de morte. Daniel Vinicius Canônico, o Cego, completa a lista de lideranças expulsas identificadas no novo organograma da facção.

Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, segue apontado como um dos principais aliados internacionais de Marcola. Ele é tratado pelas autoridades como peça importante no tráfico global de cocaína e nas conexões da facção fora do Brasil.

Os relatórios mais recentes mostram que o PCC mantém divisões chamadas de sintonias, como a Restrita, dos Gravatas, do Progresso, Final dos Estados e Países e Final da Baixada. Cada uma funciona como uma diretoria, cuidando de áreas específicas da facção.

Hoje, o PCC atua como uma organização nacional, presente em praticamente todo o Brasil. Parte das lideranças está presa em penitenciárias federais de Rondônia, Paraná, Mato Grosso do Sul e Brasília, enquanto outros seguem foragidos ou atuando fora do sistema prisional.

Comando Vermelho

Assim como o PCC, o Comando Vermelho também foi classificado pelos Estados Unidos como organização terrorista estrangeira. Fundado no Rio de Janeiro nos anos 1970, o CV mantém forte presença nas comunidades cariocas e em rotas internacionais de tráfico de drogas. A facção atua principalmente no controle de favelas e na articulação com cartéis estrangeiros, disputando espaço com o PCC em estados do Norte e Nordeste.

Entre as principais lideranças identificadas estão Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, considerado um dos nomes históricos da facção e preso em regime federal desde 2002, além de Marcinho VP (Márcio dos Santos Nepomuceno), que também cumpre pena em presídio federal. Ambos seguem apontados como referências simbólicas do grupo, mesmo atrás das grades, enquanto outros líderes regionais mantêm a operação ativa em diferentes estados.

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