AVC atinge pessoas cada vez mais jovens
Pessoas não idosas, em geral, costumam se dizer “jovens demais” para sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Mas não é o que dizem os últimos números: segundo o Ministério da Saúde, as internações em decorrência de derrames aumentaram 16,9% no Brasil, entre pessoas de 15 a 49 anos, de 2020 a 2025. Embora o problema seja de fato mais frequente em pessoas acima dos 60 anos, serve de alerta o aumento de ocorrências entre adolescentes e adultos jovens. Informações sobre prevenção e tratamento são necessárias para todas as idades.
“O AVC não é exclusivo da população idosa. Embora sua incidência aumente com a idade, temos observado uma preocupação crescente com a ocorrência em adultos jovens”, diz a neurologista Maria Weryca de Souza, especialista em doenças cerebrovasculares. Ela cita um estudo publicado em 2025 no Journal of the American Heart Association, que analisou dados de 204 países entre 1990 e 2021, identificando um aumento de 36% no número de casos de AVC entre pessoas de 15 a 49 anos.
A médica ressalta que é importante considerar que esse aumento também sofre influência do crescimento populacional. “Ainda assim os dados apontam uma tendência preocupante, relacionada, entre outros fatores, ao aparecimento cada vez mais precoce de hipertensão, diabetes, obesidade, alterações do colesterol, tabagismo e sedentarismo”, explica. Esse aumento tem relação direta com mudanças no estilo de vida, combinadas a fatores genéticos.
Os principais fatores de risco para os mais jovens são semelhantes aos observados em pessoas mais velhas, enfatiza a neurologista: hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo e sedentarismo. “Entretanto, nos jovens, também precisamos investigar doenças cardíacas, alterações da coagulação, dissecções arteriais, doenças autoimunes e condições genéticas”, completa.
Nas mulheres, em especial, merecem atenção situações como gravidez, puerpério e uso de anticoncepcionais hormonais - especialmente quando associados ao tabagismo e à enxaqueca com aura. “Por isso, o AVC nessa população exige investigação individualizada”, ressalta a médica.
O estilo de vida contemporâneo também é um dos fatores que contribuem para o AVC entre os mais jovens. Maria Weryca cita a alimentação rica em ultraprocessados e sódio, o sedentarismo, a privação de sono, o estresse crônico, o consumo excessivo de álcool e o tabagismo entre os fatores que aumentam o risco cardiovascular. Também merece destaque o uso de drogas estimulantes, como cocaína e anfetaminas, que podem provocar alterações na circulação cerebral e favorecer a ocorrência de AVC.
Uma pessoa pode aparentar boa saúde e não apresentar doenças conhecidas, mas ainda assim sofrer um AVC. A neurologista alerta sobre condições silenciosas, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e algumas alterações cardíacas, que podem permanecer anos sem diagnóstico. “Além disso, existem causas menos comuns, como distúrbios da coagulação, doenças da parede dos vasos, malformações vasculares e determinadas cardiopatias. Portanto, pouca idade e ausência de sintomas prévios não significam ausência de risco”, explica.
Clique no link abaixo e veja a matéria completa:

Nenhum comentário:
Postar um comentário