05/11/2026

OS ERROS QUE LEVARAM DILMA AO IMPEACHMENT SÃO REPETIDOS POR LULA

Lula repete os erros que levaram Dilma ao impeachment

A possível aproximação de André Lara Resende com o governo Lula reacende o debate sobre experiências econômicas do passado e os riscos de uma redução acelerada dos juros.

Quem viveu os anos 1980 e o início da década de 1990 certamente não esqueceu o pesadelo da hiperinflação brasileira.

Foram sucessivas tentativas de controlar os preços e estabilizar a economia: Plano Cruzado, Cruzado II, Plano Bresser, Plano Verão, Collor I e Collor II. Congelamentos, mudanças de moeda, perda do poder de compra e até o traumático bloqueio da poupança marcaram aquele período.

Somente em 1994, com o Plano Real, o Brasil conseguiu finalmente vencer a hiperinflação.

E POR QUE RECORDAR TUDO ISSO AGORA?

Porque um personagem importante daquela época voltou ao centro das discussões econômicas: André Lara Resende.

O economista integrou a equipe econômica durante o Plano Cruzado, embora suas propostas não tenham sido adotadas naquele programa.

Anos depois, segundo relato do próprio Fernando Collor, Lara Resende foi consultado sobre a possibilidade de bloquear ativos financeiros da população para retirar dinheiro de circulação e combater a inflação.

Ele teria considerado a medida tecnicamente viável, mas politicamente impossível. Posteriormente, o governo Collor adotou o bloqueio, que se transformou em um dos episódios mais traumáticos da história econômica brasileira.

É preciso reconhecer que Lara Resende também foi um dos formuladores do bem-sucedido Plano Real.

Entretanto, sua nova proposta para a política monetária brasileira desperta questionamentos.

A ideia é reduzir a taxa Selic de 13,75% para aproximadamente 7,5% em apenas 12 meses, mediante alterações na condução da política monetária.

O nome do economista voltou a circular nos bastidores políticos como possível integrante da equipe econômica de Lula, embora o Ministério da Fazenda tenha negado que esteja considerando a proposta.

O FANTASMA DA POLÍTICA ECONÔMICA DE DILMA

A discussão inevitavelmente remete ao governo Dilma Rousseff.

Durante sua administração, o Banco Central promoveu uma redução acelerada dos juros, dentro de uma estratégia econômica que também envolveu maior intervenção estatal e estímulos ao consumo e ao investimento.

O resultado posterior foi uma combinação de inflação elevada, deterioração das contas públicas, perda de confiança e uma das recessões mais profundas da história brasileira.

É evidente que a crise não teve uma causa única. Tampouco o impeachment de Dilma decorreu simplesmente da condução da política monetária. A presidente foi afastada em um processo relacionado a infrações orçamentárias, em meio a uma grave crise política e econômica.

Ainda assim, a experiência deixou uma lição: reduzir juros sem assegurar condições macroeconômicas sustentáveis pode produzir consequências indesejadas.

O BRASIL VAI REPETIR OS ERROS DO PASSADO?

Não existe dúvida de que juros menores são desejáveis para consumidores, empresas e investidores.

A questão é saber se uma redução tão expressiva pode ocorrer sem comprometer o controle da inflação, a estabilidade cambial e a credibilidade da política monetária.

Defensores de mudanças na condução dos juros argumentam que o modelo atual impõe custos excessivos à economia. Críticos alertam que reduções incompatíveis com as expectativas inflacionárias e com a situação fiscal podem produzir efeitos contrários aos pretendidos.

O Brasil já experimentou diferentes fórmulas heterodoxas de combate à inflação. Algumas fracassaram de maneira traumática. Outras, como o Plano Real, contribuíram decisivamente para a estabilidade monetária.

Por isso, antes de embarcar em uma nova experiência, seria prudente examinar seus fundamentos, riscos e consequências.

A pergunta que fica é: estamos diante de uma solução inovadora para a economia brasileira ou de mais uma tentativa de resolver problemas estruturais com decisões sobre a taxa de juros?

A história econômica do Brasil recomenda que essa discussão seja tratada com muita cautela.

Veja o vídeo:

Nenhum comentário: