05/11/2026

COM FIM DAS BETS FLAMENGO PREVÊ PERDA DE R$ 430 MILHÕES E RISCO DE 1.200 DESEMPREGADOS

Flamengo prevê perda de R$ 430 milhões e alerta para risco a 1.200 empregos com fim das bets

O Flamengo alertou para o risco de perder aproximadamente R$ 430 milhões em receitas anuais com a proibição das bets no Brasil. Durante audiência pública realizada nesta terça-feira (3), no Supremo Tribunal Federal (STF), o vice-presidente geral do clube, Flávio Willeman, afirmou que a medida pode comprometer compromissos financeiros assumidos pela instituição e afetar seus mais de 1.200 empregados.

“O Flamengo contraiu obrigações financeiras com atletas e com empregados com base nesses contratos”, afirmou o dirigente, ao criticar a interrupção das atividades das empresas de apostas e os efeitos sobre os acordos de patrocínio.

Segundo Willeman, o clube estruturou parte de seu planejamento financeiro considerando a legislação que regulamentou o mercado de apostas no país. Para o dirigente, a mudança nas regras compromete a segurança jurídica dos contratos celebrados durante a vigência da regulamentação.

“O Flamengo acreditou que o Brasil, após amplo debate no Congresso Nacional, regulou as apostas neste país e, portanto, confiou que essa atividade econômica teria perenidade que possibilitasse às instituições desportivas celebrar contratos e contrair obrigações com base nessa legislação”, declarou.

O representante rubro-negro afirmou que os impactos financeiros não se limitam ao futebol profissional, mas também atingem os esportes olímpicos mantidos pelo clube.

“O Flamengo possui mais de 1.200 empregados que poderão ser comprometidos com a queda de aproximadamente R$ 430 milhões de receitas anuais com o futebol e com os esportes olímpicos”, alertou.

A manifestação ocorreu durante audiência convocada pelo ministro Luiz Fux para discutir os efeitos da Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu a exploração das apostas de quota fixa no Brasil. A constitucionalidade da medida é questionada no Supremo por entidades ligadas ao setor.

Além do Flamengo, outros clubes demonstraram preocupação com os efeitos da proibição. O Fluminense estimou um impacto de R$ 200 milhões em suas receitas, enquanto representantes de Corinthians, Botafogo, Cruzeiro e São Paulo também defenderam a preservação dos contratos ou a ampliação do período de transição.

Os dirigentes argumentaram que a retirada dos patrocínios pode comprometer o pagamento de salários, a manutenção das categorias de base e os investimentos no futebol feminino.
Governo defende proibição por impactos sociais e na saúde

Em contraponto aos argumentos apresentados pelos clubes, representantes do governo federal defenderam a manutenção da proibição das bets, citando problemas relacionados ao endividamento das famílias, à dependência em jogos e aos riscos à saúde pública.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, reconheceu a preocupação com a segurança jurídica e as expectativas criadas pelas empresas e instituições que firmaram contratos com o setor. No entanto, afirmou que os impactos sociais das apostas justificam a adoção de medidas mais rigorosas.

“Nós nos deparamos com uma escolha dramática. Nós não queremos conspurcar contra a segurança jurídica. Nós não queremos deixar de reconhecer a legítima expectativa que se formou no ambiente de negócios”, declarou.

O ministro acrescentou que os problemas associados à atividade levaram o governo a defender uma intervenção mais severa.

“O drama, o endividamento, os suicídios e tudo aquilo que estava ao derredor dessa atividade nos trouxe a visão, a dura necessidade de adotarmos uma medida mais severa”, afirmou.

Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu que a proteção da população contra os efeitos da dependência em apostas deve prevalecer sobre os interesses econômicos envolvidos.

“A única e a melhor solução para evitar suicídios, evitar pessoas viciadas, evitar violência familiar, é mantermos a proibição das bets”, afirmou.

A audiência pública reuniu representantes do governo, clubes de futebol e entidades do setor de apostas. O debate integra a análise das ações que questionam a constitucionalidade da medida provisória. A audiência não teve caráter de julgamento, e caberá ao STF decidir sobre a validade da proibição.

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