PL forma bancada de 28 senadores, a segunda maior de um partido na Casa desde a redemocratização
Maior partido de oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PL, de Flávio Bolsonaro, quase dobrou a bancada na Casa, saltando de 15 para 28 representantes.
O grupo de 19 senadores vitoriosos nas urnas ontem reúne novos integrantes e parlamentares que já estavam na Casa e conquistaram mais oito anos de mandato. Eles vão se juntar aos nove parlamentares que estão em meio de mandato.
Esse é o segundo maior número que um partido conseguiu alcançar desde a redemocratização, em 1985. Em 1990, o MDB chegou a ter 29 senadores e, na legislatura anterior, a bancada emedebista chegou a 28 senadores. A eleição no Senado ocorre de duas formas: nesta eleição, a renovação foi de 2/3 das vagas; daqui a quatro anos, será de 1/3.
A segunda maior bancada a partir desta eleição é o PT, mas com um número bem menor de parlamentares. A legenda de Lula elegeu seis senadores e terá uma bancada de nove representantes. A federação União-PP alcançou 11 senadores. Por sua vez, o MDB terá oito parlamentares a partir de 2027.
Enquanto o PL avançou, outras siglas terão menos cadeiras do que na atual legislatura. É o caso, por exemplo, do PSD, que elegeu dois senadores e terá uma bancada de cinco, atrás de PT e MDB e empatado com o Republicanos.
Nomes tradicionais da política, como Renan Calheiros (MDB-AL), que foi presidente do Senado quatro vezes, e está na casa Legislativa há 31 anos, e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), não foram reeleitos.
A eleição para o Senado é tratada como prioridade pelo bolsonarismo e o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a indicar, em discursos antes de ser preso por liderar uma trama golpista, que é mais importante que a eleição presidencial em si.
A Casa Legislativa tem o poder de pautar impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, assunto considerado um dos principais focos da oposição. Flávio Bolsonaro já falou que vai pressionar para que seja votado o afastamento de integrantes da Corte e tem incluído principalmente Alexandre de Moraes como alvo. Moraes é considerado inimigo político do bolsonarismo após condenar Jair Bolsonaro e aliados.
O União Brasil, partido do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), elegeu dois senadores e terá quatro representantes a partir do ano que vem. Junto com o PP, partido que o União forma uma federação o grupo terá dez senadores.
Em fevereiro, os senadores elegerão quem comandará a Casa até 2029, e Alcolumbre vinha costurando o apoio do atual governo para se reeleger. Diante do cenário em que o PL ganha força, a tentativa de reeleição de Alcolumbre fica mais dificultada.
Alcolumbre chegou a pautar para esta semana a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da 6x1. A iniciativa é considerada prioridade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta usar como trunfo eleitoral, mas a votação do texto está incerta devido ao tamanho que a oposição saiu das urnas. Os parlamentares só assumem em 2027, mas já viram uma base de apoio que Alcolumbre deve mirar para tentar se manter no comando do Senado.
Com a bancada mais numerosa, Flávio Bolsonaro e aliados devem tentar eleger um nome do PL como próximo presidente da Casa Legislativa. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do presidenciável, é apontado como o nome do grupo para comandar o Senado.
Em mais de um estado, o partido de Flávio conseguiu as duas vagas em disputa. Foi o que aconteceu no Rio, onde Carlos Jordy e Carlos Pontinho foram eleitos, em Santa Catarina, onde Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro, irmão do presidenciável, foram eleitos, no Distrito Federal, onde Michelle Bolsonaro, madrasta de Flávio, e Bias Kicis venceram, e no Mato Grosso do Sul, onde Reinaldo Azambuja e Capitão Contar foram escolhidos.
O PL ainda elegeu os candidatos Eduardo Gomes (TO), Marcio Bittar (AC), Gustavo Gayer (GO), Nicoletti (RO), André do Prado (SP), Domingos Sávio (MG), Maguinha Malta (ES), Filipe Barros (PR) e Fernando Máximo (RO).
O resultado ainda representa recuos na base de Lula em alguns estados. É o caso do Rio Grande do Sul, onde Paulo Paim (PT) termina o mandato e assumem Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL). O mesmo acontece no Distrito Federal, onde Leila Barros (PDT) sai do cargo e entram Michelle e Bia Kicis.
Por sua vez, o partido de Lula elegeu Rui Costa (BA), Jaques Wagner (BA), Humberto Costa (PE), Rogério Carvalho (SE) e Marília Campos (MG).
O PSD, partido que possuía a segunda maior bancada antes do resultado da eleição de 2026, desidratou. A legenda presidida por Gilberto Kassab tem hoje uma bancada de 14 senadores, mas vai perder oito a partir do ano que vem. Carlos Fávaro (MT), Nelsinho Trad (MS), Irajá (TO) e Mara Gabrilli (SP) estão entre aqueles que vão encerrar o mandato. Neste ano, a legenda elegeu somente Lucas Barreto (AP) e Júlio César (PI).
Ainda que não façam parte do PL ou do PT, senadores eleitos por outras legendas também mostram alinhamento com Flávio ou Lula. É o caso de Derrite (PP-SP), Marcel Van Hattem e Evair de Mello (Republicanos-ES), que são aliados do candidato do PL, e de Marília Arraes (PDT-PE), Luizianne Lins (Rede-CE) e Helder Barbalho (MDB), que apoiam o petista.
O Globo
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