Pela reeleição Lula fez até arminha
A 17 dias do primeiro turno, Lula anunciou o reajuste do Bolsa Família. Em seguida, vieram o Desenrola 3.0, a desoneração dos combustíveis e a promessa de perdão de dívidas para os MEIs. Quando, a 12 dias do segundo turno, o governo prometeu distribuir Pix de até R$ 5 mil para eleitores — o equivalente digital a jogar dinheiro de helicóptero —, parecia ter atingido o ponto mais baixo em oportunismo eleitoral.
Mas então veio a redução da maioridade penal.
Na quinta-feira, coube ao líder do PT no Senado, Camilo Santana, mandar às favas a histórica oposição do partido à ideia. O ex-ministro da Educação protocolou uma emenda à PEC da Segurança reduzindo de 18 para 16 anos a maioridade penal nos crimes hediondos. Era preciso, justificou um dirigente petista, evitar que o adversário pusesse o PT nas cordas. Na véspera, Rogério Marinho (PL) havia apresentado uma emenda para reduzir a idade penal a 16 anos, como regra, e a 14 nos crimes hediondos.
O texto da emenda do PT emula a natureza populista das piores propostas da direita nesse campo. Não se dá ao trabalho de explicar os motivos por que o partido descobriu, de uma hora para outra, que a atual idade penal é uma “resposta insuficiente” para crimes bárbaros, como diz o documento, tampouco demonstra por que a sua redução é necessária neste momento. Segundo análise do sociólogo Tulio Kahn, os registros de crimes violentos atribuídos a adolescentes no sistema socioeducativo caíram 43% de 2016 a 2024.
— Hoje, há vagas sobrando no sistema prisional socioeducativo [a antiga Febem]
— diz ele.
Na quinta, quando, em entrevista a Renata Lo Prete, na TV Globo, o próprio Lula foi questionado sobre a mudança de posição do partido, declarou-se favorável à redução da idade penal com a naturalidade de quem jamais havia pensado diferente. Grupos focais de eleitores indecisos aplaudiram o presidente.
O Globo

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