Netinho marcou o axé com hits como 'Milla' e 'Beijo na boca' e enfrentou problemas de saúde nos últimos anos
Netinho, um dos principais cantores do axé music, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em um hospital de Salvador. O artista enfrentava um câncer do sistema linfático há mais de um ano.
O cantor anunciou que foi diagnosticado com câncer do sistema linfático em 22 de março de 2025, após ser internado no Hospital Aliança Star, na capital baiana, com fortes dores nas pernas.
Conhecido como Netinho, Ernesto de Souza Andrade Júnior nasceu em 12 de julho de 1966 em Santo Antônio de Jesus, na Bahia. Aos 9 anos, ele perdeu o pai em um acidente de carro.
No ano seguinte, se mudou com a família para Salvador, onde teve seu encontro com a música.
Trajetória na música
Aos 14 anos, Netinho ganhou seu primeiro violão, aprendendo a tocar sozinho o instrumento. Dois anos depois, ingressou na faculdade de Engenharia Civil e intercalou os estudos com suas primeiras apresentações em colégios, teatros e barzinhos, com um repertório ainda focado na Bossa Nova e na MPB.
Aos 20 anos, descobriu sua paixão pelo carnaval e o axé ao curtir o Bloco Beijo como folião. Luiz Caldas e a Banda Acordes Verdes eram os responsáveis por puxar o bloco que deu origem à Banda Beijo. Em 1987, ao ver que Luiz Caldas deixaria o bloco, decidiu se inscrever para o teste para ocupar o posto. Deu certo.
Netinho fez sua estreia no circuito oficial do Carnaval de Salvador em 1988. Foi neste ano, que a carreira do artista deu um salto e que a música “Beijo na boca”, interpretada por ele, virou hit nacional.
Em 1990, levou o trio da Banda Beijo para a Copa do Mundo na Itália, fazendo apresentações antes e depois dos jogos e acompanhando a seleção brasileira.
Ao longo da carreira com a Banda Beijo, Netinho se tornou um dos ícones da axé music e emplacou hits como “Salvador pra você”, “Gosto de mar” e “Vem me dar um beijo”.
Em 1992, Netinho assumiu sua carreira solo. E a Banda Beijo passou por uma longa pausa. Em sua fase solo, lançou grandes hits do axé como “Capricho dos Deuses”, “Total” e “Menina”.
Mas foi “Mila”, lançada em 1996, que levou Netinho a bater recordes de execução e ser regravada em diversos idiomas.
Em 1998, Netinho anunciou o retorno da Banda Beijo com a cantora Gilmelândia no comando e seguiu dedicado à sua carreira solo, fazendo shows pelo Brasil, Europa e Estados Unidos.
Em 2002, Netinho fez uma pausa nos trabalhos, retomando os projetos em 2006 com a gravação do primeiro DVD de sua carreira, o “Netinho por Inteiro”, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador.
Nos últimos anos, Netinho se dedicou a lançar músicas dedicadas a seus relatos de fé e esperança.
Netinho foi casado com a jornalista Mariana Trindade de 1997 a 2003. O casal teve uma filha, Bruna, hoje com 26 anos. Em 2008, o artista se declarou bissexual.
Em 2022, Netinho concorreu ao cargo de deputado federal na Bahia pelo PL, mas não recebeu votos suficientes para sua eleição.
Em 2020, em uma entrevista ao então deputado federal Eduardo Bolsonaro, Netinho afirmou que decidiu se abster do sexo e criticou a comunidade LGBTQIA+. “Eles foram doutrinados a enxergar a vida pela lente do fiofó”, disse o artista.
Na mesma entrevista, ele também criticou o carnaval de Salvador. “É Sodoma e Gomorra. As famílias que têm filhos adolescentes não querem mais levar para a Bahia. Vai ver homem se beijando com homem, abaixando o short no meio da rua para o pessoal do camarote assistir, os camarotes são inundados de drogas”.
Em 2021, a música “Milla”, que marcou o sucesso do artista anos antes, virou caso de justiça. O cantor usou a faixa em um ato pró-Bolsonaro. Mas o compositor da canção, Manno Góes, entrou na justiça para impedir a divulgação do vídeo, e chamou Netinho de “débil mental”. O cantor baiano processou Góes por danos morais.
Saúde
Em 2013, o cantor sofreu 3 AVCs e passou por três cirurgias no cérebro. Netinho havia sido diagnosticado com adenomas hepáticos benignos em função do uso de anabolizantes.
Na época, o artista perdeu os movimentos do corpo, a voz e a memória recente.
Sem condições de retornar ao trabalho após alta, se afastou de suas atividades artísticas por 5 anos, fazendo apresentações e gravações pontuais em alguns períodos.
Meses depois da série de AVCs, o artista teve uma depressão profunda e precisou ser internado novamente após duas tentativas de suicídio. Sobre esse período conturbado, Netinho escreveu, em 2018, a música “Tempo de Cuidar”. O artista não chegou a gravar a faixa em nenhum disco.
Em 2025, o cantor foi diagnosticado com Linfoma Não Hodgkin Tipo B Agressivo após sentir uma forte dor nas costas. Em um exame, descobriu que o linfoma media 18cm, sendo submetido a um tratamento de quimioterapia.
Em setembro de 2026, voltou a ser internado após o retorno do câncer. Meses antes, ele havia revelado ter recebido alta do tratamento. Nos comentários da publicação, artistas e fãs desejaram melhoras e deixaram orações pela recuperação do cantor.
g1

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