29/10/2026

'FECHAR A POLÍTICA' - ORDEM DE MARCINHO VP PARA ORUAN TRANSMITIR

Oruam transmitiu ordem do pai Marcinho VP: “Fechar a política”

Mensagens achadas no celular de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper Oruam, indicam que o artista teria repassado uma ordem atribuída ao pai, o traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, para “fechar a política”. Os diálogos foram identificados por investigadores da Polícia Civil do Rio de Janeiro em apurações sobre a movimentação financeira da facção Comando Vermelho (CV).

Segundo informações obtidas pela coluna de Manoela Alcântara, do site Metrópoles, Oruam relatou à mãe uma orientação que teria recebido do pai durante uma visita, em março de 2025, ao Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Na mensagem, o rapper escreveu: “Meu pai mandou fechar a política”.

Para os investigadores da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o conteúdo pode indicar que Marcinho VP, mesmo preso há mais de duas décadas, manteria influência sobre atividades políticas em territórios sob domínio da facção. O relatório, porém, não especifica quais atividades seriam alvo da suposta ordem nem aponta políticos, partidos ou campanhas eleitorais envolvidos.

Márcia foi alvo de uma operação policial em abril deste ano, no contexto das apurações sobre o fluxo de dinheiro ligado ao Comando Vermelho. Durante a análise do celular dela, os agentes também encontraram conversas sobre a relação entre Oruam e o irmão, Lucas Nepomuceno.

Em um dos diálogos, Márcia afirma que Lucas estaria usando a influência do pai para buscar os próprios interesses. Oruam questiona como poderia fazer o mesmo, já que o irmão supostamente “teria pego tudo para ele”. A DRE interpreta a conversa como um possível indício de disputa entre os dois pelo acesso aos recursos e à influência de Marcinho VP.

MENSAGENS CITAM DINHEIRO

As conversas analisadas pela polícia também tratam de valores que seriam ligados a Marcinho VP. Em uma delas, Oruam relata à mãe que foi a um ponto de controle territorial de traficantes no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, para receber dinheiro da chamada “caixinha” do pai. Segundo a investigação, a expressão é usada para designar recursos movimentados pela organização criminosa.

Os investigadores também identificaram contatos de Oruam e Lucas com integrantes apontados como lideranças do Comando Vermelho, entre eles Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha.

Outras mensagens indicariam pedidos de dinheiro feitos por Márcia a integrantes da facção para cobrir despesas pessoais e familiares. Em um dos episódios, ela teria solicitado R$ 10 mil a Doca para pagar uma fatura de cartão de crédito.

Em outra conversa, Márcia pediu que Luiz Paulo Silva de Souza, conhecido como Magrão, encaminhasse a Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, uma solicitação de recursos. O pedido incluía R$ 8 mil para um chá de bebê e R$ 20 mil para a compra de móveis, somando R$ 28 mil.

De acordo com a investigação, Márcia orientou que os valores fossem posteriormente descontados de “Nego”, apelido atribuído a Marcinho VP. Para os policiais, o conjunto das mensagens reforça a suspeita de que o traficante continuaria participando da administração de interesses e recursos associados ao Comando Vermelho, mesmo estando encarcerado.

pleno.news

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