Era uma vez uma educação...
O que deveria ser um espaço de conhecimento, pensamento crítico e debate de ideias está se transformando em um palanque político radical. Depois das mobilizações na Universidade Federal de Santa Catarina, imagens de uma assembleia na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, expõem discursos inflamados e falaciosos contra Flávio Bolsonaro e em defesa da reeleição de Lula. A mobilização é nacional: entidades anunciaram mais de 40 atos em universidades pelo país.
Um participante pede que a militância tenha “sangue no olho”. Outro defende: “nós precisamos radicalizar as nossas organizações”. Há ainda referências ao sequestro de um embaixador durante a ditadura militar, em tom de ignorância e exaltação revolucionária. Vale recordar a história: o embaixador americano Charles Burke Elbrick foi sequestrado em 1969 por integrantes da ALN e do MR-8, organizações da luta armada, não pela União Nacional dos Estudantes (UNE).
Seguem previsões falsas e alarmistas sobre uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Fala-se na perda de direitos e na ameaça à democracia, sem apresentar medidas concretas que sustentem tais conclusões. O próprio debate sobre mudanças constitucionais aparece tratado como ameaça, ignorando que emendas seguem regras estabelecidas pela própria Constituição.
Não se questiona o direito de estudantes protestarem ou apoiarem quem quiserem. Questiona-se a indigência intelectual de discursos que substituem argumentos por palavras de ordem, fatos por medo e estudo da história por nostalgia revolucionária.
O Brasil precisa de universidades que formem profissionais, pesquisadores e cidadãos livres, não militantes que romantizam sequestros, disseminam desinformação e fazem do medo uma arma política. É estarrecedor ver jovens reproduzindo a retórica de movimentos revolucionários que deixaram um rastro de violência na história. Discordar de um governo liberal de direita é legítimo. Exaltar práticas de guerrilha e tratar adversários como inimigos a serem eliminados do debate é a própria negação da democracia. O Brasil não precisa de uma nova geração de fanáticos ideológicos travestidos de defensores da liberdade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário