Brasil deixa plenário da ONU durante discurso de Netanyahu
Como gesto de protesto contra o governo israelense e à guerra na Faixa de Gaza, a delegação brasileira abandonou o plenário da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) tão logo o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, iniciou seu discurso nesta quinta-feira (24). Em resposta à debandada, o premiê israelense disse que, se houvesse mais “covardes morais” que ainda não haviam deixado o salão, que o fizessem logo.
De acordo com apuração da CNN Brasil, apenas um diplomata brasileiro estava escalado para assistir à sessão desta quinta. Entretanto, outros quatro representantes brasileiros se juntaram a ele durante o discurso anterior ao de Netanyahu a fim de aumentar a quantidade de pessoas que deixariam o salão no momento em que o líder israelense subisse à tribuna.
O gesto foi planejado pelos membros da delegação brasileira junto de outros países. A delegação palestina, por exemplo, que tinha apenas duas pessoas durante a sessão, aumentou para seis durante o discurso que antecedeu o do premiê israelense, feito pelo vice-presidente da Colômbia, José Manuel Restrepo.
Como forma de equilibrar a ausência já esperada, a delegação israelense levou mais representantes e observadores para acompanhar e ovacionar o discurso do primeiro-ministro, que foi recebido com vaias e aplausos ao assumir a palavra.
Durante sua fala, Netanyahu defendeu que os conflitos envolvendo Israel não são meramente territoriais, mas sobre a existência do país como um Estado judeu. Netanyahu relembrou o ataque terrorista do Hamas contra Israel no dia 7 de outubro de 2023, descrevendo-o como o pior desde o Holocausto e citou o episódio como estopim para o início da guerra em “sete frentes”: contra o Hamas, Hezbollah, Houthis, Irã, milícias no Iraque e na Síria e Cisjordânia.
Netanyahu ainda prometeu que impedirá a “ditadura assassina do Irã” de desenvolver “bombas atômicas, armas nucleares destinadas a destruir Israel, armas nucleares que poderiam ameaçar o mundo inteiro”. Também descreveu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como o melhor parceiro que Israel já teve.
LULA
O ato da delegação brasileira ocorre um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mencionar o conflito entre israelenses e palestinos durante seu discurso na Assembleia Geral. Em seu pronunciamento, o presidente chamou os líderes palestinos Yasser Arafat e Yitzahk Rabin de “estadistas” que “desafiaram o passado para projetar um futuro de paz”, mas foram “derrotados pelo ódio”.
– Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas – acrescentou o petista.
Lula é considerado persona non grata em Israel desde fevereiro de 2024, por ter comparado a guerra deflagrada por Israel em Gaza ao extermínio de judeus promovido por Adolf Hitler durante o Holocausto.
pleno.news

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