O povo: 'Eles estão aqui para nos proteger'
O sangue frio dos personagens do poder que atuaram no fatídico 8 de janeiro.
O general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, então comandante militar do Planalto, revelou em depoimento detalhes da conversa que manteve com o presidente Lula na noite de 8 de janeiro de 2023.
Segundo Dutra, havia pressão para que o acampamento em frente ao Quartel-General do Exército fosse desocupado ainda naquela noite. O general alertou que uma ação sem planejamento poderia terminar 'com sangue'.
De acordo com seu relato, Lula respondeu que isso 'seria uma tragédia' e disse:
'General, isola a praça e prende todo mundo amanhã.'
Depois da conversa, a operação noturna foi adiada e o local, isolado.
É aqui que surge uma das declarações mais impressionantes do depoimento.
Segundo Dutra, os próprios acampados interpretaram a movimentação do Exército como uma ação de proteção:
'As pessoas acharam que estávamos fazendo para protegê-las e foram dormir.'
Na manhã de 9 de janeiro, chegaram os ônibus e a Polícia Militar. Segundo o general, os acampados foram informados de que seriam conduzidos à Polícia Federal para uma triagem.
A sequência relatada pelo comandante é marcante: conversa com Lula, isolamento do acampamento, pessoas acreditando que estavam sendo protegidas e indo dormir e, horas depois, a operação de condução e prisão.
O depoimento não prova que o isolamento tenha sido planejado para enganar os acampados. Mas registra que, enquanto a operação do dia seguinte já estava sendo preparada, pessoas dentro do acampamento interpretaram a presença do Exército como proteção.
Anderson Barbosa | Jornalista Independente
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