14/09/2026

INVESTIGAÇÃO QUE ENVOLVE CIRO NOGUEIRA E VORCARO - SUPLENTE DE ZENAIDE ENTRA NO RADAR

Suplente de Zenaide entra no radar da PF em investigação que envolve Ciro Nogueira e Vorcaro

Nitinho, Ciro e Vorcaro
A escolha do empresário paraibano Netinho Lins como primeiro suplente da senadora Zenaide Maia (PSD) ganhou um novo elemento durante a campanha eleitoral de 2026. O nome do empresário passou a aparecer em documentos e operações investigadas pela Polícia Federal que têm como um dos principais personagens o senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado na Operação Compliance Zero por suspeitas relacionadas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Uma das frentes da investigação da PF apura a venda de uma aeronave de Ciro Nogueira para Netinho Lins. A negociação entrou no radar dos investigadores no contexto das apurações sobre as relações do senador com Vorcaro. O avião, avaliado em cerca de R$ 10 milhões, chegou a ser bloqueado por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O caso ganhou relevância porque Netinho não é apenas um empresário citado na investigação. Desde julho, ele é o primeiro suplente de Zenaide Maia na disputa por uma das duas vagas do Rio Grande do Norte no Senado. A eleição está em curso e a composição da chapa coloca o empresário diretamente no cenário político potiguar.

R$ 1 milhão de empresa ligada a Vorcaro

A relação entre Netinho e o grupo empresarial de Daniel Vorcaro é outro ponto que aparece nas apurações.

Segundo documentos financeiros obtidos durante as investigações, a Entre Investimentos, empresa ligada a Vorcaro, transferiu R$ 1 milhão para a Dubem Business, empresa de Netinho Lins.

Os pagamentos foram realizados em 2024. De acordo com informações divulgadas pelo UOL, a empresa do empresário afirma que os recursos correspondem a uma relação comercial para prestação de serviços relacionados a um projeto de evento que acabou não sendo realizado.

A existência da transferência, por si só, não demonstra que o pagamento tenha sido ilegal. A empresa de Netinho nega irregularidades e sustenta que se tratou de uma operação comercial.

O interesse da PF está no contexto em que a operação ocorreu e nas relações financeiras que estão sendo reconstruídas a partir das apurações envolvendo Vorcaro.

O avião de Ciro

É nesse mesmo contexto que aparece a negociação da aeronave.

A Polícia Federal investiga a venda de um avião que pertencia a Ciro Nogueira para Netinho Lins. A apuração integra o conjunto de medidas relacionadas à Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo Vorcaro e pessoas de seu círculo político e empresarial.

A aeronave foi posteriormente alcançada por uma decisão judicial de bloqueio. Em setembro, Ciro Nogueira tenta recuperar o avião e outros bens bloqueados pela Justiça. Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (14) pela Folha de S.Paulo, o senador apresentou um terreno como garantia para tentar liberar, entre outros ativos, o jatinho e cerca de R$ 10 milhões bloqueados. A Procuradoria-Geral da República se manifestou contra a proposta.

A defesa de Ciro sustenta que houve excesso nos bloqueios patrimoniais.

Nome de Netinho aparece em documento apreendido na casa de Ciro

A conexão ganhou um novo capítulo neste fim de semana.

Durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, realizada em maio, a Polícia Federal apreendeu na residência de Ciro Nogueira, em Brasília, um manuscrito com o título “Câmara”. O documento contém nomes de políticos acompanhados de possíveis valores.

Entre os nomes registrados aparece “Netinho”.

O papel foi encontrado dentro de uma churrasqueira, junto a dinheiro em moedas estrangeiras e outros objetos apreendidos pela PF. Segundo depoimento de uma funcionária da residência, Ciro teria pedido que o documento fosse queimado.

A Polícia Federal, no entanto, ressalta que o conteúdo do manuscrito ainda precisa ser esclarecido. A presença de um nome no documento não permite, isoladamente, concluir que a pessoa tenha cometido crime ou participado de qualquer esquema investigado.

A divulgação do documento ocorreu depois que o conteúdo de investigações da Compliance Zero passou a ser tornado público por decisões judiciais.

Ciro e a investigação sobre o Banco Master

O contexto em que essas informações aparecem é a investigação sobre as relações de Ciro Nogueira com Daniel Vorcaro.

O senador passou a ser alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em maio. A investigação apura suspeitas de que Ciro teria recebido vantagens indevidas e utilizado sua atuação política em benefício de interesses relacionados ao empresário Daniel Vorcaro.

Entre os elementos apreendidos pela PF estão documentos, dinheiro em espécie, veículos, celulares e relógios de luxo. Também foi localizado na casa do senador o manuscrito com nomes de parlamentares e possíveis valores.

Ciro nega as acusações.

A conexão política chega ao RN

É nesse cenário que o nome de Netinho Lins aparece na eleição potiguar.

Empresário do setor de entretenimento, o paraibano foi escolhido pelo Republicanos para ocupar a primeira suplência de Zenaide Maia. A indicação ocorreu dentro da composição partidária que sustenta a candidatura de Allyson Bezerra (União Brasil) ao Governo do Estado.

Netinho não possui trajetória política construída no Rio Grande do Norte. Sua projeção pública está associada principalmente ao setor de entretenimento e às relações que estabeleceu com empresários, artistas e políticos de expressão nacional.

Entre seus interlocutores estão figuras como Hugo Motta (Republicanos-PB) e Ciro Nogueira.

A relação com Hugo Motta já havia colocado Netinho no noticiário nacional. Em 2025, o empresário viajou em uma aeronave oficial da Força Aérea Brasileira acompanhando o então presidente da Câmara em um deslocamento para São Paulo.

Agora, durante a campanha eleitoral, seu nome volta ao noticiário por outra razão: a proximidade empresarial com personagens centrais de uma investigação que envolve um senador com quem Netinho também realizou uma negociação de alto valor.

O que a investigação ainda não diz

As informações disponíveis não permitem afirmar que Netinho Lins tenha cometido crime ou que os negócios mencionados sejam ilícitos.

A transferência de R$ 1 milhão para a empresa do empresário é apresentada por sua defesa como uma prestação de serviços. A venda da aeronave de Ciro Nogueira para Netinho também é objeto de investigação, mas a apuração não significa, por si só, que a operação tenha sido criminosa.

Da mesma forma, o fato de o nome “Netinho” aparecer no manuscrito encontrado na casa de Ciro não esclarece quem escreveu o documento, a que pessoa o nome se refere ou qual seria a natureza de eventual valor associado a ele. A própria PF aponta a necessidade de aprofundar a análise do material.

O que já está documentado é a existência de uma série de conexões: uma aeronave negociada entre Ciro e Netinho, uma transferência de R$ 1 milhão de uma empresa ligada a Vorcaro para uma empresa do suplente de Zenaide e, agora, a presença do nome “Netinho” em um documento apreendido no âmbito da investigação que tem Ciro como alvo.

É essa sequência de fatos, ainda em apuração, que coloca o primeiro suplente da candidata ao Senado pelo Rio Grande do Norte no radar de uma das principais investigações envolvendo o poder político e econômico do país em 2026.

saibamais

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