Insucessos seguidos encolhem as temporadas do América
Em uma década, Alvirrubro terá passado nove temporadas na quarta divisão; eliminações precoces encurtam calendário, provocam meses de inatividade e comprometem projeto de crescimento O América chegará a 2027 pressionado por uma necessidade ainda maior de conquistar o acesso. Preso à Série D durante nove de dez temporadas, o clube passou a montar equipes profissionais para jogar apenas seis ou sete meses por ano.
O efeito das eliminações precoces é ainda mais danoso quando o torcedor vai para ponta do lápis e descobre que a cada três temporadas, o Alvirrubro acumula o equivalente a pelo menos um ano inteiro de inatividade forçada. É um ciclo que interrompe projetos, desmonta elencos e reduz receitas, transformando a saída da quarta divisão numa questão de sobrevivência técnica, financeira e estratégica para um clube que pretende voltar a ocupar espaço entre os emergentes do futebol brasileiro.
A conquista de 2022 parecia representar o rompimento desse ciclo. Campeão brasileiro, o América retornou à Série C e vislumbrou a possibilidade de iniciar uma escalada. O voo, porém, durou apenas uma temporada. Rebaixado em 2023, voltou ao ponto de partida e às limitações impostas por uma divisão na qual uma eliminação precoce pode significar praticamente meio ano sem futebol. Foi exatamente o que ocorreu em 2026.
A temporada começou em 10 de janeiro e terminou em 26 de julho, diante do Gama, nas oitavas de final da Série D. Foram pouco mais de seis meses e meio de atividade. Até o reinício das competições em janeiro de 2027 serão aproximadamente 168 dias sem partidas oficiais. O problema está longe de ser isolado.
Considerando os intervalos entre o encerramento de uma temporada e o início da seguinte, o departamento de futebol americano acumula mais de 800 dias de inatividade desde 2020. Na prática, são mais de dois anos com o principal produto do clube, o futebol, fora de circulação.
Mesmo quando conquistou a Série D, em 2022, o América permaneceu mais de cem dias sem jogar depois da decisão contra o Pouso Alegre, em 25 de setembro, fato que deixa claro que a Série D não é local propício para os clubes com ambição de crescer. Em 2023, já na Série C, foram aproximadamente 135 dias de paralisação.
A eliminação para o Retrô, em 4 de agosto de 2024, produziu outro intervalo estimado em 159 dias. Em 2025, mesmo avançando até setembro, foram cerca de quatro meses sem partidas. A consequência financeira acompanha a esportiva. Sem jogos, desaparece a receita de bilheteria, diminui o apelo do programa de sócio-torcedor e cai a exposição oferecida aos patrocinadores. Com a arrecadação reduzida e despesas que permanecem, manter uma folha profissional durante quatro ou cinco meses de inatividade passa a ser uma operação difícil de sustentar.
Para uma SAF que pretende recolocar o clube entre as forças emergentes do futebol nacional, a falta de continuidade representa um obstáculo importante. Além das perdas financeiras, existe um custo técnico. A cada ano fica mais difícil preservar uma espinha dorsal, desenvolver atletas, valorizar ativos e estabelecer um modelo de jogo quando o elenco sofre mudanças profundas a cada temporada.
A terceira divisão melhora esse cenário, mas ainda não resolve completamente o problema do calendário. A Série B representa uma mudança de patamar por manter os clubes em atividade nacional até novembro, oferecendo maior previsibilidade para receitas, contratos e planejamento esportivo. O próprio ABC, apesar do acesso à Série C, oferece um exemplo das limitações ainda existentes.
O clube encerrou a temporada de 2026 no final de agosto e terá aproximadamente quatro meses sem partidas. O período de inatividade e a falta de receitas pesaram, inclusive, na impossibilidade de renovar imediatamente o contrato com o técnico Waguinho Dias.
TN

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