China censura comediante por fazer piada
O comediante chinês Guo Degang está sendo investigado pelas autoridades de Wuhan, na China, depois de alterar, durante uma apresentação, versos de uma canção tradicional associada ao Partido Comunista. O episódio ocorreu no fim de julho e provocou o cancelamento de apresentações do humorista.
Segundo o Departamento de Cultura e Turismo de Wuhan, Guo teria “distorcido e vulgarizado” uma obra revolucionária e violado normas de conduta e moral pública. O órgão informou que a investigação está em andamento, mas ainda não apresentou uma conclusão.
China questiona mudança em letra sobre guerra
Durante o espetáculo, Guo modificou a letra de Tocando Meu Amado Pipa, música relacionada às forças comunistas que combateram o Japão durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa. A canção também integrou, em 2019, uma seleção de cem músicas escolhidas para marcar os 70 anos da República Popular da China.
Na versão original, a letra afirma que “tudo está tranquilo no Lago Weishan”. O comediante substituiu o local por “Cidade Proibida”, complexo histórico no centro de Pequim e antigo centro do poder imperial chinês.
Autoridades afirmaram que a versão apresentada por Guo não fazia parte do material previamente submetido para aprovação, o que poderia representar uma violação das regras aplicadas a espetáculos comerciais.
O humorista, considerado uma influente figura pública do cenário cultural, estava em turnê nacional para comemorar o décimo aniversário de sua companhia de teatro. Algumas apresentações foram canceladas. Os espectadores receberam informações sobre o reembolso dos ingressos.
O ‘alto custo’ das piadas
O caso remete aos limites impostos à comédia e à expressão artística na China. Em 2023, o humorista Li Haoshi foi multado em 14,7 milhões de iuanes (R$ 11,8 milhões) por fazer uma piada que envolveu o Exército de Libertação Popular. Ele ficou impedido de se apresentar.
Em 2022, outro humorista, Li Bo, recebeu multa de 50 mil iuanes (R$ 40 mil) por piadas sobre os confinamentos provocados pela pandemia de covid-19 em Xangai.
revistaoeste

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