02/08/2026

ALERTA: JOVENS ADULTOS MUITO CUIDADO COM A DIABETES

Diabetes é cada vez mais presente em jovens adultos

A diabetes tem sido diagnosticada cada vez mais cedo. A combinação crescente de fatores como sedentarismo, alimentação inadequada, obesidade, privação de sono e estresse crônico tem contribuído para esse cenário. Segundo o Ministério da Saúde, o número de adultos com diagnóstico da doença aumentou 135% nos últimos 18 anos - no mesmo período, os casos de diabetes tipo 2 entre jovens adultos cresceram 56%, indicando uma mudança gradual no perfil dos pacientes. A prevenção continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para reduzir o impacto da doença.

O Brasil ocupa a 6ª posição no ranking dos países com maior número de indivíduos adultos com diabetes, em torno de 16,8 milhões de pessoas. A Diabetes Mellitus (DM) tipo 2 representa a maior parte dos casos e está presente em 90 a 95% da população – sendo o perfil predominante adulto, em pessoas com longa história de excesso de peso e histórico familiar da doença.

O número de adultos jovens entre 19 e 39 anos diagnosticados com diabete tipo 2 no mundo aumentou consideravelmente em 30 anos, chegando à marca de 56% de incremento, segundo análise sistemática do Global Burden of Disease (GBD), publicada no British Medical Journal. No Brasil, são quase 16 milhões de adultos com a DM2. A estimativa é que, até 2045, a diabetes alcance 23,2 milhões de adultos brasileiros.

O endocrinologista Pedro Henrique Dantas lembra que a DM2 é uma doença multifatorial – o que também explica seu alcance entre pessoas cada vez mais jovens.

“Existe um forte componente genético, bem como um componente relacionado aos hábitos de vida, incluindo alimentação, atividade física, etilismo e qualidade de sono”, diz. Ele explica que isso influencia no risco do aumento de peso e gordura corporal (obesidade), causando resistência insulínica - que é a base da diabetes tipo 2.

“Os índices de obesidade estão crescendo e cada vez mais cedo, tornando-se uma epidemia global. Por isso estamos vendo diagnósticos cada vez mais precoces da diabetes”, completa. Entre os fatores que explicam esse quadro, segundo o médico, estão o acesso mais fácil a produtos industrializados e com alto teor calórico, maior uso de telas, levando ao maior sedentarismo, pior qualidade de sono, mais estresse, tudo isso levando ao maior ganho de peso.

Há um crescimento substancial de diagnósticos de obesidade e diabetes na faixa etária entre 12 e 18 anos, diz o endocrinologista. “No Brasil, a prevalência de DM2 em adultos acima de 25 anos saltou de 10,8% em 2006 para 13,7% em 2020. Dados do Ministério da Saúde também mostram um maior aumento de casos de diabetes principalmente em homens jovens, obesos e com menor escolaridade”, diz.

O fato está fazendo as novas drogas injetáveis (como semaglutida e tirzepatida) também serem estudadas para um público maior de 12 anos com diabetes tipo 2. Os dados mostram uma mudança importante no perfil epidemiológico do diabetes e reforçam a necessidade de estimular hábitos saudáveis desde a infância.

Sinais de alerta

A DM2 é uma doença silenciosa, só costuma dar sintomas em fases mais avançadas. Daí o fato de que muit

as pessoas (sobretudo as mais jovens) ignoram os primeiros sinais. O ideal é procurar sinais e sintomas de seus fatores de risco. Entre eles, lista Pedro Henrique, estão excesso de peso, com aumento de cintura abdominal, manchas amarronzadas e sinais de carne no pescoço e axila. “A presença deles não significa que já haja diabetes, mas sim que deve ser investigada e os fatores controlados”, ressalta.

Descobrir a diabetes muito jovem tem suas consequencias específicas. “Quanto mais cedo a doença chega, mais rapidamente o paciente pode desenvolver complicações como infarto do miocárdio, AVC, perda de visão, amputações ou paralisia dos rins com necessidade de hemodiálise. O lado positivo é que se for diagnosticada em fases iniciais e seja obtido um bom controle desde o início, o risco dessas complicações cai consideravelmente”, alerta.

É possível prevenir a DM2 entre as pessoas mais jovens, ressalta o médico. Pedro Henrique explica que um dos principais focos deve ser o controle satisfatório do peso corporal. Segundo ele, reduções de 5 a 7% do peso em pessoas obesas já diminuem o risco de evolução para diabetes.

Para ajudar nesse processo, as pessoas podem fazer atividade física regular, com pelo menos 150 minutos de atividades de moderada intensidade por semana. “Além de melhorar a qualidade alimentar, com redução de ultraprocessados, aumento de fibras, frutas e vegetais”, completa.

Sobre os exames de rastreamento e quem pode fazê-los, o endrocrinologista explica que em 2026 foi lançado um novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) sobre DM2 no Brasil. Ele recomenda pesquisar esse tipo de diabetes para todas as pessoas acima de 35 anos, bem como pessoas com determinadas condições, independente da idade.

Devem ser investigadas as seguintes circunstâncias e casos: mulheres a partir da 24ª semana de gestação; mulheres com histórico de diabetes gestacional ou filhos que nasceram com mais de 4kg; pessoas com HIV; fibrose cística; transplante de órgãos; parentes de primeiro grau com diabetes; histórico de doenças cardiovasculares; sedentarismo; dislipidemia; Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina; hipertensão arterial; pré-diabetes em exame prévio; terapia com antipsicóticos; apneia obstrutiva do sono; privação crônica de sono, trabalhadores noturnos ou estilo de vida sedentário.

Mais informação

A Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada por apresentar níveis elevados de glicose no sangue, causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose e garante energia para o organismo.

O crescimento do número de pessoas vivendo com diabetes reforça a importância de ampliar ações voltadas à promoção da saúde e ao acompanhamento contínuo dos pacientes. Quando não controlada adequadamente, a doença pode aumentar o risco de complicações cardiovasculares, renais, oftalmológicas e neurológicas.
Embora possa permanecer sem sintomas por longos períodos, a diabetes pode se manifestar por meio de sinais como sede excessiva, aumento da frequência urinária, fadiga persistente, visão embaçada e perda de peso não intencional.

Muita gente convive com alterações da glicemia sem perceber, portanto, a realização periódica de exames e o acompanhamento médico são fundamentais, especialmente para quem possui histórico familiar, excesso de peso ou outros fatores de risco. Quem tem diabetes deve seguir dieta, se exercitar, controlar as taxas, tomar medicação ou fazer uso de insulina (sendo mais comum para pacientes com diabetes tipo 1), e sempre checar o nível de glicemia no sangue.

TN

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