O pior erro político de todos os tempos da última semana
Os funcionários do PL Mulher homenagearam a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro posando ao lado de sua versão de papelão (foto). Essa imagem entrará para a história como o símbolo de mais um dos erros em série cometidos pela família Bolsonaro na tentativa de retornar ao poder.
O descarte da agora ex-presidente do PL Mulher pela pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é mais um eloquente sinal da dificuldade que o senador terá para bater Lula nas urnas neste ano. E a tarefa nem parecia tão difícil assim até Jair Bolsonaro indicar o filho como seu sucessor, após ser preso por tentativa de golpe de Estado, no fim do ano passado.
Lula é impopular e seu governo o mantém vivo politicamente à base de 200 bilhões de reais em benesses eleitoreiras. Além disso, a América Latina vive hoje uma onda de mudança para governos de direita, mas o Brasil se arrisca a ficar de fora dessa tendência por causa dos Bolsonaros.
Erros sequenciais
O escândalo do Banco Master, que se anunciava como trunfo bolsonarista para a campanha, acabou poluindo a pré-candidatura de Flávio, pelo patrocínio de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse.
Só essa relação já deveria ter sido o bastante para Flávio pensar duas vezes antes de se lançar à Presidência da República. E cada filho Bolsonaro tem seu próprio erro para assumir.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro inventou de se candidatar ao Senado por Santa Catarina, dando a entender que sua vontade vale mais do que qualquer cálculo político-partidário, e bagunçou as articulações da direita em um estado no qual o bolsonarismo tem nadado de braçada.
Já Eduardo Bolsonaro perdeu o mandato de deputado federal ao se autoexilar nos Estados Unidos. Desde fevereiro do ano passado, ele oscila entre o argumento de que tem influência sobre o governo Donald Trump e o oposto, de que não pode fazer nada diante das vontades do republicano, que joga com a imposição de tarifas com o mundo inteiro, inclusive o Brasil.
Flávio vai para os Estados Unidos mais uma vez tentar reduzir os danos, já que o Pix entrou na mira dos americanos, como vítima colateral da política protecionista do governo Trump.
Falta comando
O último erro foi protagonizado por Michelle, que desabafou em público contra o enteado mais velho após remoer por sete meses a forma como foi tratada ao tentar interferir nas alianças do PL no Ceará.
Os aliados de Flávio criticam o gênio forte da ex-primeira-dama, mas o responsável pelo projeto familiar é o senador, e faltou a ele sensibilidade, capacidade ou interesse para se entender com a madrasta, que vinha fazendo um bom trabalho à frente do PL Mulher.
Tudo piora quando se leva em conta que o pré-candidato do PL vem tentando melhorar sua imagem com o eleitorado feminino. A primeira pesquisa sobre a crise com Michelle indicou que a maior parte do eleitorado independente, determinante para a vitória, tomou o lado da ex-primeira-dama.
Lição
O fato é que a família Bolsonaro atua hoje para salvar a própria pele, e isso parece confundi-los.
Flávio foi escolhido como pré-candidato numa tentativa de manter a família no comando da direita ainda que ele venha a perder a eleição. Os Bolsonaros calculam que teriam uma nova chance em 2030, mas, até lá, Lula já poderá ter feito mais quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e as condições políticas podem ter se alterado sem o petista como adversário.
O consolo para os Bolsonaros é que, apesar de vir conseguindo melhorar a avaliação de seu governo, à base de muito gasto e das crises sequenciais dos adversários, Lula segue impopular.
O petista só permanece vivo politicamente porque foi presenteado por Bolsonaro com a pré-candidatura de Flávio, e é ele também que mantém vivas as esperanças do senador, cuja preparação para a eleição vai se transformando numa lição de tudo o que não se deve fazer.
O Antagonista
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