12/07/2026

DE QUAL LADO LULA ESTÁ? DO LADO DA CHINA OU DA CARNE BRASILEIRA?

Com venda de carne para China ‘travada’, frigoríficos freiam produção ou dão férias coletivas

Férias coletivas, redução de abates e possibilidade de maior oferta de carne bovina no mercado interno. O preenchimento da cota de venda de carne para a China já começa a impactar a cadeia pecuária. Pequim adota um limite de 1,1 milhão de toneladas com tarifa de 12%. Depois que esse patamar é alcançado, é adotada sobretaxa de 55%, o que inviabiliza negócios.

Diante desse quadro, a JBS deu férias coletivas de 20 dias em duas unidades do Mato Grosso, a partir de 1º de julho. A FriGol deu 15 dias de férias em sua unidade de Água Azul do Norte, no Pará, já que cerca de 70% do volume produzido lá são destinados ao mercado chinês.

Não é o único desafio no horizonte. A exclusão do Brasil pela União Europeia (UE) da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal pode entrar em vigor a partir de 3 de setembro. Para este problema, entretanto, analistas avaliam que ainda existem chances de que a decisão seja revertida.

As empresas buscam alternativas como suspensão temporária de atividades em unidades específicas ou mercados substitutos para os produtos, mas a leitura dos analistas é que uma parte pode acabar fortalecendo a oferta no mercado doméstico. Depois do resultado da inflação em junho, com alta de 0,16%, abaixo das previsões do mercado, influenciado pela queda dos alimentos, inclusive das carnes (-0,64%), a expectativa é que isso possa ter algum impacto no preço.

Outros fatores, porém, tornam o cenário desafiador, como a perspectiva do maior El Niño dos últimos 75 anos. Na avaliação de Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC Liquidez, o efeito deve chegar ao consumidor:

— Os preços já devem cair e impactar o mercado doméstico até agosto, com queda no IPCA de julho e agosto.

Diante desse cenário, Jackson Campos, especialista em comércio exterior, aponta que as empresas veem diferenças entre as “travas” da UE e da China:


— Na UE, o foco é a adequação regulatória, com reforço da rastreabilidade, segregação de lotes, documentação e comprovação de que os animais seguem as regras europeias sobre antimicrobianos. Na China, o problema é comercial, ligado ao uso da cota e ao impacto tarifário sobre os volumes excedentes. Nesse caso, as empresas tendem a reavaliar contratos, margens e destinos alternativos, sem que isso represente o fechamento do mercado chinês.

Não é o único desafio no horizonte. A exclusão do Brasil pela União Europeia (UE) da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal pode entrar em vigor a partir de 3 de setembro. Para este problema, entretanto, analistas avaliam que ainda existem chances de que a decisão seja revertida.

As empresas buscam alternativas como suspensão temporária de atividades em unidades específicas ou mercados substitutos para os produtos, mas a leitura dos analistas é que uma parte pode acabar fortalecendo a oferta no mercado doméstico. Depois do resultado da inflação em junho, com alta de 0,16%, abaixo das previsões do mercado, influenciado pela queda dos alimentos, inclusive das carnes (-0,64%), a expectativa é que isso possa ter algum impacto no preço.

O Globo

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