Com venda de carne para China ‘travada’, frigoríficos freiam produção ou dão férias coletivas
Férias coletivas, redução de abates e possibilidade de maior oferta de carne bovina no mercado interno. O preenchimento da cota de venda de carne para a China já começa a impactar a cadeia pecuária. Pequim adota um limite de 1,1 milhão de toneladas com tarifa de 12%. Depois que esse patamar é alcançado, é adotada sobretaxa de 55%, o que inviabiliza negócios.
Diante desse quadro, a JBS deu férias coletivas de 20 dias em duas unidades do Mato Grosso, a partir de 1º de julho. A FriGol deu 15 dias de férias em sua unidade de Água Azul do Norte, no Pará, já que cerca de 70% do volume produzido lá são destinados ao mercado chinês.
Não é o único desafio no horizonte. A exclusão do Brasil pela União Europeia (UE) da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal pode entrar em vigor a partir de 3 de setembro. Para este problema, entretanto, analistas avaliam que ainda existem chances de que a decisão seja revertida.
As empresas buscam alternativas como suspensão temporária de atividades em unidades específicas ou mercados substitutos para os produtos, mas a leitura dos analistas é que uma parte pode acabar fortalecendo a oferta no mercado doméstico. Depois do resultado da inflação em junho, com alta de 0,16%, abaixo das previsões do mercado, influenciado pela queda dos alimentos, inclusive das carnes (-0,64%), a expectativa é que isso possa ter algum impacto no preço.
Outros fatores, porém, tornam o cenário desafiador, como a perspectiva do maior El Niño dos últimos 75 anos. Na avaliação de Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC Liquidez, o efeito deve chegar ao consumidor:
— Os preços já devem cair e impactar o mercado doméstico até agosto, com queda no IPCA de julho e agosto.
Diante desse cenário, Jackson Campos, especialista em comércio exterior, aponta que as empresas veem diferenças entre as “travas” da UE e da China:
Abaixo do esperado: Alimentos caem, e inflação desacelera para 0,16% em junho, mas risco climático pode pressionar preços
— Na UE, o foco é a adequação regulatória, com reforço da rastreabilidade, segregação de lotes, documentação e comprovação de que os animais seguem as regras europeias sobre antimicrobianos. Na China, o problema é comercial, ligado ao uso da cota e ao impacto tarifário sobre os volumes excedentes. Nesse caso, as empresas tendem a reavaliar contratos, margens e destinos alternativos, sem que isso represente o fechamento do mercado chinês.
Não é o único desafio no horizonte. A exclusão do Brasil pela União Europeia (UE) da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal pode entrar em vigor a partir de 3 de setembro. Para este problema, entretanto, analistas avaliam que ainda existem chances de que a decisão seja revertida.
As empresas buscam alternativas como suspensão temporária de atividades em unidades específicas ou mercados substitutos para os produtos, mas a leitura dos analistas é que uma parte pode acabar fortalecendo a oferta no mercado doméstico. Depois do resultado da inflação em junho, com alta de 0,16%, abaixo das previsões do mercado, influenciado pela queda dos alimentos, inclusive das carnes (-0,64%), a expectativa é que isso possa ter algum impacto no preço.
O Globo
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