30/05/2026

DÍVIDAS DO FIES: ESTUDANTES DO RN ACUMULAM MAIS DE R$ 1,2 BILHÃO

Estudantes do RN acumulam mais de R$ 1,2 bilhão em dívidas do Fies

O acesso ao ensino superior abriu portas para milhares de potiguares nas últimas décadas. No entanto, para uma parcela significativa desses estudantes, a obtenção do diploma foi acompanhada pela contratação de financiamentos estudantis que resultaram em elevados níveis de endividamento, impondo um impacto financeiro de longo prazo. No Rio Grande do Norte, cerca de 31,6 mil contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), firmados até 2017, estão em atraso, somando um saldo devedor que ultrapassa R$ 1,2 bilhão.

Os dados mais recentes do Ministério da Educação repassados A TRIBUNA DO NORTE reforçam a dimensão do problema: o estoque total da dívida no Rio Grande do Norte supera R$ 1,26 bilhão, com valor médio de cerca de R$ 40 mil por beneficiário. Trata-se de um compromisso de longo prazo que acompanha os estudantes por mais de uma década.

Criado para ampliar o acesso à educação superior privada, o programa se consolidou como uma das principais portas de entrada para jovens de baixa e média renda. Contudo, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho após o recebimento do diploma e o descompasso entre renda e valor das parcelas têm elevado os índices de inadimplência.

Esse cenário se agrava ao observar o perfil dos beneficiários: mais de 72% têm até 30 anos, e 62% dos contratos são de mulheres. Ou seja: são pessoas no início da vida profissional, com poucas oportunidades no mercado de trabalho e com renda instável.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), o não pagamento das parcelas do Fies compromete a sustentabilidade do programa. “O pagamento regular constitui uma importante fonte de receita para o Fundo”, informou a pasta. O desafio se intensifica porque a dívida se estende por anos: em média, são 15 anos até a quitação.

Para o economista e consultor financeiro Janduir Nóbrega, o volume bilionário de dívidas afeta diretamente a economia local. “Se essa dívida tivesse sido quitada no tempo devido, teria gerado circulação de recursos, emprego e consumo”, afirma.

Por sua vez, o economista William Pereira reforça que, embora o valor seja expressivo, o impacto ocorre de forma gradual. “Esse mais de R$ 1 bilhão não entra de uma vez na economia. Mas, ao renegociar e começar a pagar, você passa a ter milhões circulando mensalmente”, explica.

Ainda segundo ele, o efeito também se distribui entre consumo e pagamento de dívidas: “Quando a pessoa começa a quitar o débito, ela reduz gastos no dia a dia. Parte do consumo é direcionada para o pagamento da dívida”, acrescenta.

Para Janduir Nóbrega, esse cenário cria um efeito em cadeia: “Quem está negativado passa a ter limitações. Isso leva a um consumo mais seletivo e restringe o acesso ao crédito”.

William complementa que o impacto na economia varia conforme o perfil de consumo. “O efeito aparece nos setores onde esses jovens costumam consumir”, pondera.

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