Réu por estupro coletivo se apresenta à polícia usando camiseta com frase “Não se arrependa de nada”
Vitor Hugo de Oliveira Simonin, de 18 anos, um dos réus acusados de participar do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, se apresentou para depor usando uma camiseta com a frase em inglês “Regret Nothing”, que significa “Não se arrependa de nada”. O depoimento ocorreu na 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana).
A expressão estampada na camiseta é frequentemente associada a grupos misóginos que disseminam discursos de ódio contra mulheres, incluindo movimentos conhecidos como red pills e incels. A frase também aparece em discursos ligados ao influenciador Andrew Tate, que possui milhões de seguidores nas redes sociais e responde a acusações de estupro, tráfico humano e exploração sexual.
Vitor Hugo é apontado pelas investigações como um dos participantes diretos do crime ocorrido em um apartamento em Copacabana. O imóvel pertence à família do jovem, embora, segundo a apuração policial, não fosse utilizado como residência permanente. A vítima reconheceu o acusado por meio de imagens de câmeras de monitoramento.
Quatro jovens se tornaram réus no caso, acusados de estupro de vulnerável e cárcere privado contra a adolescente. Um quinto envolvido, de 17 anos, responde separadamente por ato infracional equivalente aos crimes investigados. Ele se apresentou na 54ª Delegacia de Polícia, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, após a Justiça autorizar mandado de busca e apreensão.
De acordo com o relato da vítima, ela teria sido atraída ao apartamento pelo ex-namorado, também menor de idade. No local, segundo as investigações, estavam outros três adultos, que teriam participado do crime. Paralelamente ao caso, a Polícia Civil do Rio de Janeiro apura relatos de pelo menos duas outras possíveis vítimas que afirmam ter sido abordadas pelo grupo em circunstâncias semelhantes.
Vitor Hugo era estudante do Colégio Pedro II, uma das instituições de ensino mais tradicionais do país. A escola informou que iniciou procedimento administrativo para o desligamento do aluno após a divulgação do caso.
A defesa do jovem afirma que ele nega participação no estupro. Segundo o advogado Ângelo Máximo, o cliente confirma que estava no apartamento no momento do episódio, mas sustenta que não manteve relação sexual com a vítima nem praticou violência contra ela. O defensor também afirmou que o jovem não foi ouvido durante a fase inicial da investigação.

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