Entre Memórias e Encontros — uma manhã em Ceará-Mirim
Por Severino Martiniano
Hoje, 28 de março de 2026, parecia um dia como qualquer outro. Mas, no compasso das minhas idas e vindas pelo centro de Ceará-Mirim, resolvi fazer uma pausa na conhecida Casa dos Leões para conversar com meu amigo Cláudio Júnior.
Foi uma manhã daquelas que a gente guarda. Enquanto ele aguava suas plantas e lavava a calçada situada na Rua Heráclito Vilar, eu acompanhava, quase hipnotizado, o vai e vem da água escorrendo em direção à rua. E, naquele movimento simples, vieram os filmes — muitos deles. Conversar com Júnior é isso: revisitar o passado. A gente ri, se entristece, se reconhece. A gente sente.
E, como se o tempo quisesse brincar conosco, surge Sidney Martins, assim, de repente, como quem entra em cena no momento exato. Seguimos então para dentro da casa, que passa por reforma. E ali, entre paredes e chão que ainda buscam acabamentos, já se desenha algo maior: um espaço de acolhimento, um lugar de memória, um ponto de encontro da história viva de Ceará-Mirim.
É isso que fazemos — eu e Júnior. Tentamos, à nossa maneira, deixar um legado. Guardar memórias. Oferecer ao futuro aquilo que o tempo insiste em levar.
E foi nesse ir e vir que a vida, mais uma vez, me surpreendeu.
Descendo a rua, com seus passos rápidos e miúdos, como sempre, vinha ela: minha primeira professora. Aquela da “primeira série”, como se dizia antigamente, da Escola Estadual Enéas Cavalcante.
Não pensei duas vezes:
— Sônia! Sônia! Sônia!
Ela, como sempre, pronta e acolhedora, me atendeu.
Pedi uma foto.
E aquela fotografia, simples à primeira vista, carrega um significado imenso. Ali estava uma das raízes do que eu sou hoje. Eu, educador, diante daquela que me ensinou os primeiros passos dentro de uma sala de aula.
Naquele instante, percorri, em pensamento, todos os corredores da escola. Revivi cada canto. Cada lembrança. Até mesmo as idas ao consultório de Dr. José Honorário e sua assistente Estela — que, na época, nos causavam certo temor, mas que hoje reconheço como parte de um cuidado necessário e bem feito.
Volto, então, a Sônia.
E o que me resta é simples, mas profundo:
A gratidão.
Gratidão por tudo que ela plantou em mim, naquele primeiro momento em que pisei na escola. Gratidão por ter sido parte essencial da minha formação, não apenas como aluno, mas como ser humano.
No fim das contas, somos feitos disso: de encontros, de memórias e das pessoas que nos ensinaram a caminhar.
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