15/02/2026

SAIBA QUAL CIDADE SOBRAM EMPREGOS E FALTAM PROFISSIONAIS

Conheça o país europeu em que vagas de emprego sobram e profissionais faltam

Em uma sala de aula em Chennai, na Índia, cerca de 20 enfermeiras estão aprendendo alemão em ritmo acelerado. Elas têm seis meses para se tornarem fluentes o suficiente para trabalhar na Alemanha.

Ramalakshi, uma das enfermeiras, afirmou que sua família enfrentou dificuldades financeiras, mas conseguiu pagar o equivalente a vários milhares de euros para sua faculdade de enfermagem. “Meu objetivo é trabalhar no exterior. Quero dar estabilidade financeira à minha família e construir minha própria casa”, disse. O governo do estado de Tamil Nadu financia o curso de idiomas para combater o desemprego local e dar às famílias desfavorecidas uma chance de alcançar oportunidades globais. Agências privadas conectam enfermeiras indianas a empregadores.

A Alemanha enfrenta escassez de profissionais qualificados devido à aposentadoria da geração baby boomer e ao baixo número de nascimentos. Economistas do Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB), em Nuremberg, estimam que o país precisa atrair 300 mil trabalhadores qualificados por ano. “Sem eles, os alemães teriam que trabalhar mais horas, se aposentar mais tarde. Ou simplesmente ser mais pobres”, afirmou o pesquisador Michael Oberfichter.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha firmou acordos de recrutamento com países como Itália, Grécia e Turquia. Até 1973, 14 milhões de pessoas chegaram ao país como gastarbeiter, ou trabalhadores convidados. Muitos permaneceram e construíram suas vidas na Alemanha.

Atualmente, imigrantes relatam entraves para trabalhar no país. Zahra, do Irã, disse que levou quase um ano para conseguir uma entrevista para mudar o visto de estudante para trabalho. “Às vezes penso: ‘Será que quero morar aqui?’”, afirmou. Björn Maibaum, advogado de imigração, disse que o caso não é incomum. “Infelizmente, é a mesma situação em toda a Alemanha”, afirmou. Segundo ele, o principal problema é a falta de pessoal nas autoridades de imigração, o que faz solicitantes esperarem por “meses ou até mesmo um ano”. “Isso é simplesmente frustrante. E não é essa a mensagem que devemos passar para o mundo. Estamos em uma competição [por trabalhadores]”, disse.

Dados do Escritório Alemão para Migração e Refugiados indicam que cerca de 160 mil estrangeiros com autorização de residência são considerados trabalhadores qualificados. O órgão também processa pedidos de asilo de refugiados de conflitos como os da Síria e da Ucrânia. A burocracia lenta e a dificuldade de integração ao mercado de trabalho geraram descontentamento com a política de imigração e impulsionaram o apoio ao partido Alternativa para a Alemanha (AfD).

Na Clínica BDH, em Vallendar, Kayalvly Rajavil, de Tamil Nadu, afirmou que o idioma foi difícil no início, mas recebeu apoio da equipe. “Mas meu chefe e meus colegas ajudaram bastante, e nos respeitam”, disse. A clínica contratou cerca de 40 enfermeiras da Índia e do Sri Lanka nos últimos anos, com custos entre 7 mil e 12 mil euros por contratação. Jörg Biebrach, chefe da equipe de enfermagem, afirmou que casos de racismo preocupam os trabalhadores estrangeiros. “Recebemos cada vez mais perguntas sobre os acontecimentos políticos no país”, disse. Ele afirmou que saudade, problemas familiares e adaptação cultural afetam a permanência dos profissionais.

A clínica oferece um programa de estágio para jovens indianos recém-formados no ensino médio, para agilizar contratações e evitar reconhecimento de qualificações estrangeiras. Biebrach afirmou que as autoridades precisam ser mais ágeis e as leis mais uniformes. “Todos dizem que precisamos de trabalhadores qualificados. Mas ainda estamos longe de uma cultura acolhedora onde tudo funcione sem problemas”, disse.

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