27/01/2026

QUANDO O PODER PERDE O PUDOR - POR GENERAL GIRÃO

Quando o poder perde o pudor

Revelações feitas por uma mídia até então conivente expuseram a relação indecorosa entre ministros e ex-ministros do Supremo Tribunal Federal, a cúpula do Palácio do Planalto e o Banco Central. Já não se trata de coincidências institucionais ou falhas pontuais, mas de um escândalo que evidencia a degradação moral de uma elite no poder, aparentemente alheia a qualquer senso de vergonha diante da sociedade.

Reuniões fora da agenda, articulações paralelas entre magistrados, integrantes do governo e autoridades do sistema financeiro colocam em xeque a separação entre os Poderes e a credibilidade das instituições. Quando ministros que deveriam ser guardiões da Constituição passam a orbitar o Executivo e interesses econômicos, esse princípio fundamental se transforma em mera ficção.

O governo que prometeu “reconstrução democrática” assiste — quando não participa — da normalização dessas práticas, enquanto denúncias envolvendo pessoas próximas ao presidente agravam ainda mais o cenário. Ao mesmo tempo, a independência do Banco Central fica sob suspeita diante de pressões políticas e articulações que comprometem a confiança interna e internacional na economia brasileira.

Diante disso, o debate deixa de ser apenas jurídico e passa a ser moral. Enquanto a população enfrenta inflação, juros altos, insegurança e serviços públicos precários, uma casta poderosa parece agir acima da lei. Se o Brasil ainda leva a sério o Estado de Direito, esses fatos precisam ser investigados com rigor, transparência e independência. Não é vingança política. É justiça.

General Girão - Deputado Federal

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