23/01/2026

MASTER: QUANTO MAIS MEXE, MAIS FEDE!

Diretor do Banco Central indicado por Lula entra no escândalo do Banco Master

Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, enviou mensagens ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, solicitando a compra de carteiras de crédito do Banco Master. As comunicações ocorreram antes da descoberta de fraudes de R$ 12 bilhões nos contratos vendidos ao banco de Brasília, que levaram à prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do Master, e outros seis executivos em novembro de 2025.

As mensagens de Aquino foram mostradas durante reunião do conselho do BRB em 25 de março de 2025, mesmo encontro que aprovou uma oferta para aquisição de 58% das ações do Master por R$ 2 bilhões. Nos meses seguintes, a proposta foi reduzida para 22% da instituição, mas o BC acabou vetando completamente a operação.

Na reunião, que se estendeu até 28 de março, dois conselheiros propuseram suspender as compras de carteiras do Master. Ricardo José Duarte Rodrigues e Kátia do Carmo Peixoto de Queiroz, representantes dos funcionários e dos minoritários, argumentaram que o índice de liquidez do BRB estava abaixo do mínimo estabelecido pela política de risco.

Paulo Henrique Costa mostrou aos conselheiros mensagens recebidas de Aquino solicitando a compra de mais R$ 300 milhões em créditos do Master. O presidente do BRB informou que dispunha de apenas R$ 270 milhões para essa finalidade e apresentou a tela do celular com as mensagens. A situação gerou espanto entre os presentes, mas prevaleceu o entendimento de que se tratava de uma solicitação do "regulador".

Por decisão unânime, os conselheiros concederam uma exceção, registrada em ata como um waiver de 15 dias, autorizando a compra de R$ 270 milhões em créditos do Master. As mensagens não foram mencionadas na documentação oficial da reunião.

Paulo Henrique Costa informou que não se manifestará sobre o assunto. O BRB também comunicou que não emitirá pronunciamento. O BC divulgou nota afirmando que Aquino alega que "obviamente jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas".

BC JÁ HAVIA ALERTADO MASTER SOBRE PROBLEMAS DE LIQUIDEZ

O Banco Central enviou alertas ao Banco Master sobre possíveis sanções por falta de liquidez meses antes da reunião do conselho do BRB. Conforme levantamento da Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros do TCU, os avisos começaram em novembro de 2024 e continuaram até setembro de 2025.

Em novembro de 2024, um ano antes da liquidação do Master e quatro meses antes da reunião do conselho do BRB, o BC comunicou aos dirigentes do banco de Vorcaro que a situação financeira da instituição poderia resultar na aplicação de medidas prudenciais preventivas, conforme resolução do Conselho Monetário Nacional de 2011.

A resolução permite ao BC determinar medidas como recomposição dos níveis de liquidez, redução do grau de risco das exposições e "observância de limites operacionais mais restritivos", visando "assegurar a solidez, a estabilidade e o regular funcionamento" do Sistema Financeiro Nacional.

Dados da PF revelam que, entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB transferiu R$ 16,7 bilhões ao Master. Desse montante, R$ 12,2 bilhões foram identificados como alvo de falsificação. O BC já informou ao BRB que a instituição precisará de uma capitalização de R$ 4 bilhões. O governo do Distrito Federal não esclareceu se, quando ou como essa capitalização será realizada.

Na nota divulgada após a publicação da matéria original, o BC destacou que a área de Supervisão, sob comando de Ailton Aquino, identificou inconsistências nas operações entre Master e BRB. O comunicado afirma que foi da área chefiada por Aquino a iniciativa de comunicar os ilícitos ao Ministério Público Federal.

DIRETOR DE FISCALIZAÇÃO DISPONIBILIZA REGISTROS DE COMUNICAÇÕES

Ailton Aquino colocou à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal seus registros bancários, fiscais e as conversas realizadas com Paulo Henrique Costa. A decisão ocorre enquanto prosseguem as investigações sobre a compra de carteiras de crédito fraudadas do Banco Master pelo BRB.

Aquino renunciou ao sigilo de suas informações como parte de seu compromisso com a transparência. Esta medida permite que as autoridades investiguem completamente as comunicações entre o diretor e o ex-presidente do banco público.

O BC esclareceu que monitora permanentemente as condições de liquidez do sistema financeiro, incluindo transações entre instituições financeiras. Este monitoramento visa "assegurar a solidez, a estabilidade e o regular funcionamento" do Sistema Financeiro Nacional.

O comunicado do Banco Central enfatiza que cada instituição financeira possui responsabilidade exclusiva pela análise da qualidade dos créditos que adquire no mercado. As instituições devem manter procedimentos e controles internos adequados para gerenciar os riscos de seus negócios.

jco

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