Verbas, favores e portas abertas: lobistas ligados ao PT atuam dentro do Planalto
O Palácio do Planalto voltou a ser palco de um escândalo: Lobistas ligados diretamente à família do presidente Lula (PT) circularam pela sede do Governo Federal como se estivessem em casa, enquanto supostamente recebiam dinheiro, benefícios e regalias de um empresário investigado por corrupção e superfaturamento de contratos públicos.
Entre 2023 e 2025, Kalil Bittar, amigo íntimo da família Lula e Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente, tiveram diversas entradas registradas no Planalto.
Nenhuma delas consta nas agendas oficiais divulgadas pela Controladoria-Geral da União (CGU).
As visitas aparecem apenas nos controles da portaria. As informações foram divulgadas pelo UOL.
A Polícia Federal (PF) investiga um esquema de lobby e tráfico de influência envolvendo o empresário André Gonçalves Mariano, dono da Life Educacional, empresa que manteve contratos milionários com a prefeitura de Hortolândia (SP).
Segundo a PF, Mariano bancou viagens, pagamentos em dinheiro, repasses indiretos e até a cessão de um carro de luxo para lobistas que atuavam junto ao governo federal.
Em novembro do ano passado, a investigação avançou com a prisão de Mariano, do então secretário de Educação de Hortolândia, Fernando Gomes de Moraes, do vice-prefeito Cafu Cesar (PSB) e de outros envolvidos. Um endereço ligado a Kalil Bittar, em Brasília, foi alvo de busca e apreensão.
No inquérito, a Polícia Federal é direta: Mariano “claramente fortalece seu lobby em Brasília” por meio de Kalil, Carla, Cafu e Fernando. Para os investigadores, essa atuação junto ao governo central pode ter sido decisiva para viabilizar os pagamentos da prefeitura à empresa do empresário investigado.
Kalil Bittar não é um desconhecido da política petista. Ele é irmão de Fernando Bittar, apontado como dono formal do sítio de Atibaia, um dos símbolos máximos envolvendo Lula e revelados pela Lava Jato, maior operação de combate à corrupção do país.
À época, Fernando se apresentou como proprietário do imóvel, mas foi tratado pela Justiça como laranja. Kalil é ainda filho de Jacó Bittar, fundador do PT, ex-prefeito de Campinas e amigo pessoal de Lula.
No dia 19 de dezembro de 2023, Kalil Bittar entrou no Planalto exatamente às 10h21, no mesmo horário do secretário de Educação de Hortolândia, Fernando Moraes. Ao lado deles estava André Mariano. Os três chegaram cerca de 25 minutos antes de uma reunião oficial entre Moraes e o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
A agenda pública registra apenas uma reunião “a sós” entre o secretário e o auxiliar do presidente.
O périplo continuou no FNDE, onde Moraes e Mariano se reuniram com a presidente do órgão, Fernanda Pacobahyba. A PF aponta que o empresário pagou as passagens aéreas do secretário, com ambos viajando lado a lado, em mais um episódio que escancara a promiscuidade entre poder público e interesses privados.
Dois dias depois da visita ao Planalto, Mariano transferiu R$ 30 mil para Kalil Bittar. Na agenda do empresário, a PF encontrou as anotações “Kalil” e “restabelecer pgto” justamente na data da ida ao palácio.
Segundo a investigação, entre 2022 e 2024, Mariano repassou cerca de R$ 210 mil em benefícios a Kalil Bittar, incluindo pagamentos feitos à ex-mulher do lobista, além da cessão de uma BMW.
O Diário do Poder entrou em contato com a Presidência e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

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