28/01/2026

FÁBRICA DE EMPRESA LIGADA A VORCARO (BANCO MASTER) FOI INAUGURADA POR LULA EM 2024

Em 2024, Lula inaugurou fábrica de empresa ligada a Vorcaro

Antes do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o banqueiro Daniel Vorcaro, realizado fora da agenda oficial no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024, houve um episódio que ajuda a contextualizar a relação entre os personagens envolvidos. Meses antes, em abril daquele ano, Lula participou da inauguração da fábrica de insulina da farmacêutica Biomm, em Nova Lima (MG).

A Biomm tem como principal acionista o Banco Master, por meio do Fundo Cartago, com 25,86% do capital. Apesar de o Master deter a maior fatia da companhia, Vorcaro não esteve presente na cerimônia de abril de 2024. Na ocasião, Lula dividiu o palco com outros sócios da Biomm, como Walfrido dos Mares Guia, que possui 5,53% da empresa, e Lucas Kallas, da Cedro Participações, acionista com 8%.

Kallas, por sinal, também é um nome que já esteve nos noticiários por ter sido citado em investigações da Polícia Federal, como as operações Parcours e Rejeito. Empresário do setor de mineração, ele nega irregularidades. Um ponto de convergência entre Vorcaro e Kallas, aliás, é que ambos figuram em inquéritos sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal.

Toffoli é responsável na Suprema Corte tanto pelo caso do Banco Master, relacionado à Operação Compliance Zero, quanto pelo inquérito da Operação Rejeito, no qual o nome de Kallas aparece como citado.

A proximidade de Lula com Lucas Kallas, porém, não se restringe à inauguração da fábrica da Biomm em abril de 2024. Em fevereiro de 2025, o petista elogiou o empresário durante a assinatura do contrato de concessão do terminal ITG-02, no Porto de Itaguaí (RJ). O Grupo Cedro arrematou a área por R$ 1 milhão e assumiu o compromisso de investir cerca de R$ 3 bilhões ao longo de três anos.

Na ocasião, Lula afirmou que Kallas era sério, comprometido com o desenvolvimento do país. O empresário, no entanto, tem um histórico de menções em investigações. Em 2008, foi preso durante a Operação João de Barro, que apurava desvios de recursos do PAC no segundo mandato de Lula. Em entrevista à Agência Pública, ele afirmou que a maioria das ações foi encerrada com reconhecimento de sua inocência.

Em março de 2025, voltou a ser citado pelaOperação Parcours, que investigou supostas irregularidades ambientais na Mina Curumi, em Minas, atribuídas à Empresa de Mineração Pau Branco. Segundo a PF, o prejuízo ambiental estimado chegaria a R$ 832 milhões. Kallas afirmou que sua inclusão no inquérito era “completamente descabida”.

Já em setembro de 2025, seu nome apareceu citado em documentos da Operação Rejeito, que apurou crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro com lucro estimado em ao menos R$ 1,5 bilhão. A investigação chegou ao STF após menção ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ficando sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

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