21/01/2026

DF: SUSPEITOS DE ASSASSINATOS EM SÉRIE, TÉCNICOS DE ENFERMAGEM CONFESSAM TUDO

Técnicos de enfermagem suspeitos de assassinatos em série confessam tudo

A Polícia Civil do Distrito Federal identificou três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento na morte de pacientes internados no Hospital Anchieta, em Taguatinga. Os três estão presos e foram desligados da instituição após a abertura das investigações. O caso é apurado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo as autoridades, o principal suspeito é um técnico de enfermagem de 24 anos, que teria aplicado deliberadamente substâncias em doses elevadas nos pacientes. Ele confessou os crimes após ser confrontado com imagens do circuito interno de segurança da unidade hospitalar. Uma das técnicas investigadas também admitiu participação, enquanto a terceira é apontada como colaboradora em parte das ações.

De acordo com a investigação, três mortes são analisadas como homicídios qualificados. As vítimas tinham perfis clínicos distintos, mas em todos os casos houve piora súbita e inesperada do estado de saúde, o que despertou a atenção da equipe médica e da direção do hospital.

Imagens da UTI revelaram que aplicações de medicamentos ocorreram justamente nos momentos que antecederam as paradas cardiorrespiratórias. Em um dos episódios mais graves, o suspeito teria utilizado um desinfetante hospitalar, injetado diretamente na veia de uma paciente idosa após o término de um medicamento, o que teria provocado o óbito.

Prescrição falsa

A Polícia Civil apurou ainda que o técnico usou, sem autorização, a senha de um médico para emitir uma prescrição falsa, retirar o medicamento da farmácia do hospital e aplicá-lo nos pacientes sem conhecimento da equipe médica. O nome da substância não foi divulgado.

As investigações indicam que as aplicações ocorreram em datas diferentes, entre novembro e dezembro do ano passado. Para tentar ocultar a autoria dos crimes, o técnico simulava manobras de reanimação após provocar as paradas cardíacas.

As duas técnicas de enfermagem investigadas são suspeitas de ter dado suporte às ações, facilitando ou omitindo informações durante os procedimentos. Uma delas afirmou à polícia que se arrepende de não ter impedido o colega.

O Hospital Anchieta informou, em nota, que instaurou um comitê interno ao identificar circunstâncias atípicas em óbitos ocorridos na UTI e, após a análise preliminar, comunicou o caso às autoridades policiais. A instituição afirmou ainda que colaborou com as investigações, demitiu os profissionais envolvidos e prestou esclarecimentos às famílias das vítimas.

Familiares de ao menos uma das vítimas disseram que acreditavam inicialmente em morte por causas naturais e só foram informados da suspeita de crime dias depois.

As prisões ocorreram no dia 11 deste mês, durante uma operação que também cumpriu mandados de busca e apreensão em diferentes regiões do Distrito Federal e no Entorno. Em uma segunda fase, a polícia recolheu aparelhos eletrônicos para análise.

O inquérito segue sob sigilo. A Polícia Civil investiga se há outras vítimas, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras unidades de saúde onde o principal suspeito trabalhou, incluindo um hospital onde ele atuava em uma UTI pediátrica após deixar o Anchieta.

Nota do Hospital Anchieta

“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.

Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.

Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.

O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.

O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.”

Nota do Conselho de Enfermagem

“O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados pela imprensa envolvendo mortes suspeitas de pacientes em uma unidade hospitalar do Distrito Federal.

Diante da gravidade das informações divulgadas, o Coren-DF esclarece que está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis no âmbito de sua competência legal.

Ressalta-se que o caso também está sob investigação das autoridades competentes e tramita na esfera judicial. Dessa forma, neste momento, não é possível emitir juízo de valor ou qualquer conclusão definitiva, devendo ser respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa dos envolvidos.

O Conselho segue compromissado com a segurança do paciente, a ética profissional e a defesa de uma enfermagem qualificada, responsável e comprometida com a vida.”

Nota da família do servidor de 63 anos

“A família da vítima, por intermédio de seus advogados, manifesta profundo pesar e indignação pelos fatos graves ocorridos no interior da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta de Taguatinga, ambiente que deveria garantir cuidado máximo e proteção à vida.

Até então, a família acreditava que o falecimento havia ocorrido por causas naturais, em razão do quadro clínico apresentado. Contudo, no dia 16 de janeiro, tomou conhecimento de informações que indicam circunstâncias graves e incompatíveis com uma morte natural, bem como da existência de outras duas possíveis vítimas, passando a compartilhar a dor e o sofrimento de suas famílias.

O crime, supostamente praticado por técnico de enfermagem atualmente investigado, bem como por outros possíveis envolvidos, reveste-se de extrema gravidade. As apurações encontram-se em trâmite sob sigilo, e a família ainda não teve acesso aos autos do inquérito policial, razão pela qual se abstém de comentar detalhes do caso neste momento.

A família confia na atuação da Polícia Civil do Distrito Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, e adotará todas as medidas legais cabíveis para a responsabilização criminal dos envolvidos, bem como para a responsabilização civil do hospital, diante de eventuais falhas no dever de cuidado, vigilância e segurança, visando à apuração integral dos fatos e à devida reparação.”

Com informações do G1

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