Estádio Frasqueirão chega aos 20 anos
O Estádio Maria Lamas Farache, o eterno Frasqueirão, completa 20 anos carregando consigo a história viva de um povo que encontrou na praça esportiva mais do que concreto, arquibancadas e refletores: o povo alvinegro encontrou ali uma identidade. Inaugurado em 22 de janeiro de 2006, o estádio nasceu do sonho coletivo da nação abecedista, que durante décadas imaginou o dia em que teria uma casa própria, um território onde pudesse celebrar vitórias, lamentar derrotas e reafirmar, jogo após jogo, o amor pelo clube. Duas décadas depois, o Frasqueirão segue como o maior símbolo da resistência e da paixão alvinegra. A praça esportiva é um bem inegociável!
Foi ali, naquele sábado de 20 de novembro de 2010, que o ABC viveu o capítulo mais glorioso de sua centenária trajetória. A final da Série C colocou o estádio no centro do país: após vencer o Ituiutaba por 1 a 0 no jogo de ida, com gol de Cascata, o Alvinegro dominou o duelo decisivo em Natal, parou em milagres do goleiro adversário, acertou a trave, mas apesar do empate sem gols, garantiu o título brasileiro. A taça levantada no gramado do Frasqueirão não era apenas um troféu — foi a consagração de um projeto, idealizado para fazer o clube mais forte.
Desde então, o estádio testemunhou uma era de conquistas. Foram nove títulos estaduais e campanhas marcantes, embaladas por ídolos que se confundem com o próprio Frasqueirão. Entre eles, ninguém simboliza tanto essa fase quanto Wallyson, o maior nome do clube na era do novo estádio. O atacante, que ainda veste a camisa alvinegra, transformou noites comuns em memórias eternas e ajudou a consolidar o Frasqueirão como um verdadeiro alçapão alvinegro.
A força da casa também se refletiu em números. Sob o comando de Fernando Marchiori, o ABC construiu uma das maiores séries invictas de sua história como mandante. Goleadas, clássicos, vitórias sofridas e empates estratégicos formaram uma sequência que reforçou a mística do estádio. De 7 a 0 sobre o Assu a triunfos sobre Fortaleza, Náutico e Figueirense, passando por jogos tensos contra América, Paysandu e Mirassol, o Frasqueirão voltou a pulsar como nos seus melhores dias. Mesmo quando Marchiori esteve suspenso, o time manteve o ritmo, como no 3 a 0 sobre o Santa Cruz de Natal sob o comando interino de Carlos Azevedo.
A invencibilidade se estendeu ainda por outros cinco jogos, incluindo vitórias sólidas sobre Potyguar, Força e Luz e Santa Cruz de Natal. Mas nem só de glórias viveu o estádio. O Frasqueirão também foi cenário de um dos períodos mais difíceis da história recente do ABC: um jejum de 301 dias sem vencer como mandante, seja em sua casa ou na Arena das Dunas. A sequência negativa gerou protestos, tensão e um sentimento de desalento que parecia não ter fim.
O alívio veio com a estreia de Marcelo Chamusca no comando técnico. Diante de pouco mais de quatro mil torcedores ainda desconfiados, o ABC venceu o Laguna e encerrou o incômodo jejum. O destino, irônico, colocou o mesmo adversário que havia sido derrotado no início da longa seca para marcar o fim dela. A vitória devolveu o sorriso ao torcedor e reacendeu a chama que nunca se apaga completamente quando se trata do Frasqueirão.
E é justamente essa relação visceral que explica por que o abecedista não aceita facilmente ver seu time longe de casa. A Arena das Dunas pode ser moderna, confortável, imponente — mas não é o Frasqueirão. Não carrega o cheiro da arquibancada, o grito que ecoa diferente, a sensação de pertencimento.
TN

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