Apelidos de políticos na Odebrecht: quem é quem
Parece apenas brincadeira, mas a critividade dos executivos da Odebrecht para criar apelidos a beneficiados de valores repassados pela empresa tinha um motivo prático.
Segundo Benedicto Júnior, diretor do "departamento da propina" da Odebrecht, os apelidos eram usados para que os funcionários do “baixo clero” da área que fazia os repasses irregulares não ficassem sabendo para quem ia o dinheiro.
As pessoas que tinham contato com as autoridades é que escolhiam os codinomes. Como não havia um centralizador nas operações, o mesmo beneficiado pode aparecer com mais de um apelido, ou então, o mesmo apelido ser usado para designar pessoas diferentes.
A lista abaixo tomou como base os vídeos e documentos das delações premiadas de executivos da Odebrecht. Políticos citados na chamada "lista de Fachin" negam as irregularidades.
Confira os apelidos e a quem se referem:
Abelha - Francisco Appio, ex-deputado estadual (PP-RS)
Acelerado - Eduardo Siqueira Campos (DEM-TO)
Aço - Wellington Magalhães, vereador (PTN-MG)
Adoniran - Braz Antunes Mattos Neto, vereador (PSD-SP)
Alemão - Carlos Todeschini (PT-RS)
Alemão - Valdir Raupp (PMDB-RO)
Aliado ou Gremista - Marco Maia, deputado federal (PT-RS)
Amante ou Coxa - Gleisi Hoffmann, senadora (PT-PR)
Amigo C - Paulo Câmara, vereador (PSDB-BA)
Angorá, Primo, Bicuíra ou Fodão - Eliseu Padilha, ministro (PMDB-RS)
Aquático - João Fischer (Fixinha), deputado estadual (PP-RS)
Aracaju - Aloizio Mercadante (PT-SP)
Asfalto - Jaime Martins, deputado federal (PSD-MG)
Aspirina - Angela Amin, ex-prefeita (PP-SC)
Atleta - Renan Calheiros (PMDB-AL)
Atravessador - Alcebíades Sabino, ex-deputado estadual (PSC - RJ)
Azeitona - José Fernando de Oliveira, ex-deputado (PV-MG)
Babão - Iris Rezende, prefeito (PMDB-GO)
Babosa - Paulo Alexandre Barbosa, prefeito (PSDB-SP)
Baianinho - Paulo Hartung, governador (PMDB-ES)
Baixada - Manoel Neca (PP)
Barão - Carlin Moura, ex-prefeito (PC do B-MG)
Barbie ou Belo Horizonte - Marta Suplicy, senadora (PMDB-SP)
Barrigudo - Fabio Ramalho, deputado federal (PMDB-MG)
Batalha ou Chorão - Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB (PSDB-PE)
Bateria - Maria do Carmo Lara Rezende, ex-prefeita (PT-MG)
Belém ou M&M - Geraldo Alckmin, governador (PSDB-SP)
Benzedor - João Paulo Papa, deputado federal (PSDB-SP)
Biscoito - Sandro Mabel, ex-deputado federal (PR-GO)
BMW ou Manso - Beto Mansur, deputado federal (PRB-SP)
Boa Vista - Paulinho da Força, deputado (SD-SP)
Boca mole - Heráclito Fortes, deputado federal (PSB)
Bocão - Sandro Boka, ex-deputado (PMDB-RS)
Boiadeiro - João Paulo Rillo, deputado estadual (PT-SP)
Bolinha ou Pescador - Anthony Garotinho, ex-governador (PR-RJ)
Bonitão ou Garanhão - Fabio Faria, deputado (PSD-RN)
Bonitão, Pavão, Bonitinho, Velho, Casa de Doido - Julio Lopes, deputado federal (PP-RJ)
Bonitinho - Robinson Faria, governador (PSD-RN)
Boquinha - Sérgio Borges, ex-deputado (PMDB-ES)
Botafogo ou Déspota - César Maia, ex-prefeito do Rio (DEM-RJ)
Botafogo - Rodrigo Maia, presidente da Câmara (PMDB-RJ)
Brasília - Fernando Capez, deputado estadual (PSDB-SP)
Brigão, Piloto - Beto Richa, governador (PSDB-PR)
Bruto - Raul Jungmann, ministro (PPS-PE)
Caim - Osmar Dias, ex-senador (PDT)
Candomblé - Edvaldo de Brito, vereador (PSD-BA)
Campinas - Francisco Chagas, ex-vereador (PT-SP)
Caldo - Blairo Maggi, ministro (PP-MT)
Calvo - Pablito, ex-vereador (PSDB-MG)
Campari - Gim Argello, ex-senador (PTB-DF)
Canário - Esmael de Almeida, deputado estadual (PMDB-ES)
Carmem - Fabiano Pereira, ex-deputado (PSB-RS)
Caranguejo - Eduardo Cunha, ex-deputado federal (PMDB-RJ)
Carrossel - Rosalba Ciarlini, prefeita (PP-RN)
Cavanhaque - Helder Barbalho, ministro (PMDB-PA)
Centroavante - Renato Casagrande, ex-governador (PSB-ES)
Cérebro - Mendes Ribeiro Filho, ex-deputado (PMDB-RS)
Cerrado - Ciro Nogueira, senador (PP-PI)
Chaveiro - José Chaves, ex-deputado (PTB-PE)
Chefe Turco, Kibe ou Projeto - Gilberto Kassab, ministro (PSD-SP)
Cintinho - Mauro Lopes, deputado (PMDB-MG)
Colorido - Fábio Branco, secretário estadual (PMDB-RS)
Coluna - Ana Amélia Lemos, senadora (PP-RS)
Comprido - Agnelo Queiroz, ex-governador (PT-DF)
Conquistador - Dalírio Beber, senador (PSDB-SC), e Napoleão Bernardes, prefeito de Blumenau (PSDB-SC)
Contador - Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do PT (PT-RS)
Contas - Arselino Tatto, vereador (PT-SP)
Correios - Alexandre Postal, deputado estadual (PMDB-RS)
Crusoé - Robson de Lima Apolinário, ex-deputado suplente (PDT-SP)
Cruzeiro do Sul - Barros Munhoz, deputado estadual (PSDB-SP)
Curitiba - Roberto Freire, ministro (PPS-SP)
Da Casa - Alberto Pinto Coelho, ex-governador (PP-MG)
Da hora - Carlos Melles, deputado federal (DEM-PR)
Decodificado - Luiz Carlos Hauly, deputado federal (PSDB/PR)
Decrépito - Paes Landim, deputado federal (PTB-PI)
Dentada - Gustavo Correa , deputado estadual (DEM-MG)
Desesperado - Germano Rigotto, ex-governador (PMDB-RS)
Diamante - Paulo Abi Ackel, deputado federal (PSDB-MG)
Disco - Luiz Paulo Correa da Costa, deputado estadual (PSDB-RJ)
Diplomata - Hugo Napoleão, ex-governador (PSD-PI)
Do reino - Fernando Pimentel, governador (PT-MG)
Doutor - Juarez Amorim (PPS-MG)
Drácula - Humberto Costa, senador (PT-PE)
Ema - Lúdio Cabral, ex-vereador (PT-MT)
Enteado - José Otávio Germano, deputado federal (PP-RS)
Escuro - Marco Alba, prefeito (PMDB-RS)
Escritor - José Sarney (PMDB), ex-presidente
Esquálido - Edison Lobão, senador (PMDB-MA)
Eva - Adão Vilaverde, deputado estadual (PT-RS)
Fantasma - Ideli Salvatti, ex-ministra (PT-SC)
Fazendão - Elbe Brandão, deputada estadual (PSDB-MG)
Feio ou Lindinho - Lindbergh Farias, senador (PT-RJ)
Ferrari ou Grisalhão - Delcídio do Amaral, ex-senador (MS)
Filhinho ou Filinho ou Gordo - Dimas Fabiano Jr., deputado federal (PP-MG)
Filho - Paulo Bornhausen, ex-deputado (PSB-SC)
Filho do reino - Luciano Rezende, prefeito (PPS-ES)
Filósofo - Paulo Bernardo, ex-ministro
Flamengo - Adrian Mussi, ex-deputado federal (PMDB-RJ)
Fósforo - Tarcísio Caixeta, vereador (PC do B-MG)
Fragmentada - Weliton Prado, deputado federal (PMB-MG)
Frances - Célio Moreira, deputado estadual (PSDB-MG)
Garoto - Otávio Leite, deputado federal (PSDB-RJ)
Goleiro - Paulo Magalhães Júnior (PV-BA)
Grenal - Valdir Andres, ex-prefeito (PP-RS)
Gripe - Cesar Colnago, vice-governador (PSDB-ES)
Gripado ou Pino - José Agripino, senador (DEM-RN)
Grisalho - Arlindo Chinaglia, deputado (PT-SP)
Grosseiro - Plauto Miró, deputado estadual (DEM-PR)
Guarulhos - Carlos Zarattini, deputado federal (PT-SP)
Guerrilheiro - José Dirceu, ex-ministro (PT), ou João Vaccari, ex-tesoureiro do PT
Igreja - Bernardo Santana, deputado (PR-MG)
Inferno - Ronaldo Santini, deputado estadual (PTB-RS)
Italiano - Audifax Barcelos, prefeito (Rede-ES)
Italiano - Antonio Palocci, ex-ministro (PT-SP)
Itambé - Edinho Silva, prefeito (PT-SP)
Itatiaia - José Maria Eymael (PSDC-SP)
Itumbiara - Edson Aparecido dos Santos (PSDB-SP)
Jacaré - Jader Barbalho, senador (PMDB-PA)
Jangada - Luiz Carlos Busato, deputado federal (PTB-RS)
João Pessoa - Vicentinho, deputado federal (PT-SP)
Jogador - Márcio Reinaldo, prefeito (PP-MG)
Jornalista - Elismar Prado, deputado estadual (PDT-MG)
Jujuba - Bruno Araújo, ministro (PSDB-PE)
Justiça - Renan Calheiros, senador (PMDB-AL)
Kimono - Artur Virgílio, prefeito (PSDB-AM)
Lagarto ou Largato - Gil Pereira, deputado estadual (PP-MG)
Lamborghini - Luiz Fernando T. Ferreira, deputado estadual (PT-SP)
Louro - João Alves Filho, ex-prefeito (DEM-SE)
Machado - Kátia Abreu, senadora (PMDB-TO)
Maçaranduba - Ivo Cassol, senador (PP-RO)
Magma - Guilherme Lacerda (PT-ES)
Manaus - Aloysio Nunes, ministro (PSDB-SP)
Masculina - Iriny Lopes, ex-deputada federal (PT-ES)
Menino da floresta - Tião Viana, senador (PT-AC)
Mercedes - Edinho Bez, ex-deputado federal (PMDB-SC)
Metalúrgico - Nilmário Miranda, secretário estadual (PT-MG)
Mineirinho - Aécio Neves, senador (PSDB-MG)
Misericórdia - Antônio de Brito, deputado federal (PSD-BA)
Montanha - Marcos Montes, deputado federal (PSD-MG)
Montanha - Paulo Pimenta, deputado federal (PT-RS)
Navalha - Arlete Magalhães, deputada estadual (PV-MG)
Navalha - Wellington Magalhães, vereador (PTN-MG)
Navegante - José Anibal, ex-senador (PSDB-SP)
Nervosinho - Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio (PMDB-RJ)
Novilho ou Charada - Fernando Bezerra, senador (PSB-PE)
Novo - Max Filho, prefeito de Vila Velha (PSDB-ES)
Nulo ou Duro - Ricardo Ferraço, senador (PSDB-ES)
Oxigênio - Hudson Braga, secretário de obras do RJ
Padre - Josenildo Sinésio, ex-vereador de Recife (SD-PE)
Padrinho - Eduardo Azeredo, ex-governador de MG (PSDB-MG)
Palmas - Vicente Candido, deputado (PT-SP)
Paris - Márcio França, vice-governador de SP (PSB-SP)
Parreira - José Roberto Arruda, ex-governador (ex-DEM)
Passadão ou Triângulo - Jorge Bittar, ex-deputado federal (PT-RJ)
Patati ou Padeiro - Marconi Perillo, governador (PSDB-GO)
Pavão ou Velhos - Julio Lopes, secretário de transportes (PP-RJ)
Pavão - Ivar Pavan, ex-deputado estadual (PT-RS)
Persa - Ayrton Xerez, ex-deputado federal (DEM-RJ)
Pescador - Zeca do PT, deputado federal (PT-MS)
Ponta Porã ou Corredor - Duarte Nogueira, prefeito (PSDB-SP)
Pós-italiano ou Pós-itália - Guido Mantega, ex-ministro
Prosador - Cássio Cunha Lima, senador (PSDB-PB)
Protegida - Lorena de Fátima Arrué Dias, candidata (PSDB-RS)
Proximus - Sérgio Cabral, ex-governador do RJ (PMDB-RJ)
Rasputinzinho - Bernardo Ariston, ex-deputado federal (PMDB-RJ)
Ribeirão Preto - Roberto Massafera, deputado estadual (PSDB-SP)
Roberval Taylor - Mário Kertesz, ex-prefeito (PMDB)
Roxinho - Fernando Collor, senador (PTC-AL)
Santo André - João Paulo Cunha, ex-deputado (PT-SP)
Sapato - Alexandre Passos, ex-presidente da Câmara de Vitória (PT-ES)
Segundo - Juarez Amorim (PPS-MG)
Silo - Alexandre Silveira, secretário estadual de saúde (PSD-MG)
Soneca - Waldir Pires, (PT-BA)
Suíça - Rodrigo Garcia (DEM-SP)
Teco - Tico Lacerda (PDT-SC)
Timão - Andrés Sanchez, deputado federal (PT-SP)
Tio - Gustavo Valadares, deputado estadual (PSDB-MG)
Todo Feio e Cunhado - Inaldo Leitão (sem partido)
Trincaferro - Beto Albuquerque, deputado federal (PSB-RS)
Vaqueiro - Ronaldo Caiado, senador (DEM-GO)
Verdinho - André Correa, deputado estadual (PSD/RJ)
Vizinho - José Serra, senador (PSDB-SP)
Zagueiro - Júlio Delgado, deputado federal (PSB-MG)
Partidos
Além dos políticos, as planilhas da Odebrecht também mostraram que alguns partidos eram identificados como times de futebol. Por exemplo, o PT era o Flamengo, e o PSDB, o Corinthians. O PR ganhou o codinome de São Paulo e o DEM, de Fluminense (veja a lista completa abaixo).
Os documentos foram entregues ao Ministério Público Federal (MPF) pelo delator Luiz Eduardo Soares, que atuou no Setor de Operações Estruturadas – como era chamado o departamento de propinas da empreiteira.
g1
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