21/01/2019

SP: LÍDER ESPIRITUAL É ACUSADO POR MULHERES DE ABUSO SEXUAL

Drogas e 'cura': mulheres detalham supostos abusos de líder espiritual

Dirigente da Igreja Reino do Sol, em São Paulo, Antônio Alves Marques Júnior, conhecido como Gê Marques, 62 anos, está sendo investigado pela polícia após mulheres o denunciarem por abuso sexual em rituais religiosos que envolvem uso de drogas.

O líder espiritual, cujas práticas religiosas misturam elementos de umbanda e da seita conhecida como Santo Daime (com uso de um chá alucinógeno), teria cometido os crimes entre os anos de 2005 e 2015. Segundo o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), quatro mulheres já fizeram denúncias contra ele, que nega as acusações.

Os primeiros relatos de supostas vítimas surgiram em 2016, e o MP pediu a abertura de um inquérito, que foi instaurado em 2017 no 14º Distrito Policial de São Paulo (Pinheiros). O processo corre em segredo de Justiça e, por isso, a polícia não comenta o assunto. 

A primeira suposta vítima de Marques, no entanto, tem reunido relatos de outras mulheres que teriam sofrido abusos do suspeito. Até o momento, segundo ela, 15 afirmaram ter sido vítimas dele. Duas dessas vítimas conversaram com o R7 e descrevem como o suspeito agia. 

Na reportagem, elas aparecerão com nomes fictícios para que suas identidades sejam preservadas. 

Demora para "entender"

Beatriz*, a primeira mulher a denunciar Gê Marques, afirma ter levado um longo tempo para entender que estava sendo vítima de abuso sexual e, por isso, também demorou para fazer a denúncia formal ao MP.

“Quando decidi denunciar, tinha conhecimento de outros casos. Sabia de pelo menos quatro, além de mim”, diz. “Na verdade, ter conhecimento de outros casos foi bastante importante para entender que eu não tinha vivido uma loucura da minha cabeça. Me ajudou a validar que eu tinha sofrido estupros, que aquilo tinha sido abuso.”

Outra suposta vítima, Aline afirma que o líder espiritual conquistava a confiança das mulheres, algumas menores de idade, antes de cometer os abusos. “Ele cultivava uma relação mais paternal, sacerdotal, no sentido de cuidado mesmo. Às vezes, fazia isso com meninas com menos de 18 anos. Esse cultivo de confiança era feito dentro do próprio ritual”, descreve.

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