João de Deus aparece em Abadiânia após denúncias de abuso e diz ser inocente
No trajeto, funcionários gritavam: “Respeitem! Ele vai falar.” A promessa, no entanto, não se concretizou. Apesar do amplo espaço, não foi providenciado um local para a entrevista. Em um rápido pronunciamento que fez aos fiéis, no altar do centro, o médium afirmou que quer cumprir a lei brasileira. “Eu estou na mão da lei brasileira. O João de Deus ainda está vivo”. Um vídeo gravado por funcionários sobre a fala foi distribuído para jornalistas.
Ele saiu sem dar entrevista, apenas disse, entre um grito e outro de seus funcionários, no caminho de volta ao carro, que cumpria uma missão dada há 60 anos. E repetiu várias vezes: “Eu sou inocente”.
Na confusão, voluntários chegaram a agredir jornalistas. A chegada no centro ocorreu por volta das 9h20, um horário pouco usual. João de Deus, cujo nome de batismo é João de Faria, horas antes havia desembarcado no aeroporto de Anápolis, de um voo procedente de São Paulo.
Esta foi a primeira aparição pública do médium, depois que mulheres vieram a público acusá-lo de abuso sexual. Passados cinco dias após as primeiras denúncias, mais de duas centenas de mulheres procuraram o Ministério Público para fazer relatos semelhantes. Pelo menos quatro inquéritos já foram abertos.
As denúncias afetaram o movimento da casa, onde atendimentos são realizados. Por volta das 8h30, cerca de 400 pessoas – incluindo crianças e duas pessoas de cadeiras de rodas – aguardam a chegada do líder espiritual. Isso representa um terço do movimento habitual. Chico Lobo, um dos funcionários da casa, afirmou que três ônibus – de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas – chegaram à cidade. “É menos que o de costume. Mas há também o impacto da proximidade das festas. Nesta época, tradicionalmente o movimento cai.”
Com informações da Agência Estado
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